quarta-feira, julho 18, 2007

Sapopemba na grande mídia

Comentário Moisés Basílio: Duas reflexões sobre essa matéria publicada no jornal. Primeiro, não é sempre que notícias da periferia sapopembense (Jardim Elba) surge na grande mídia. O motivo central da pauta do jornal não foi o de discutir a situação da mulher na periferia, mas sim o estudo do pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, tanto que na edição impressa do jornal a matéria com o pesquisador é capa do caderno. Sapopemba serviu de um exemplo, ou seja, uma matéria de segundo plano, ou talvez segundo os editores do jornal, uma confirmação ou uma negação da tese do pesquisador. Pelo teor da matéria, um desrespeito aos dois lados, tanto para as mulheres, quanto para o pesquisador. Outra reflexão é sobre as mulheres do Sapopemba e a educação escolar. Na matéria que se refere as 5 mulheres fica impressão que o problema são os homens, que não assumem seus papéis e deixam as famílias ao abandono. As mulheres, "coitadinhas", não dão conta do recado e então acontece a desagregação familiar e os filhos se perdem no mundão. Interpretando as matérias poderia se chegar a conclusão que a solução para o pesquisador é a liberalização do aborto, e para as mulheres a matéria não deixa claro, visto que elas se posicionam contra o aborto. O que essas mulheres pensam sobre o problema? Nada na matéria nos aponta respostas. E o que isso tem com a educação escolar? Esse é o quadro que o professor da escola pública encontra com chega para dar aula em Sapopemba. Encontra muitas criança com esses pais e mães, ou sem esses pais e com essas mães. Quem são essas crianças? Como trabalhar a educação escolar com elas? Tudo se embaralha, pois esse é um fato social novo e não existem respostas prontas. E é aí que a coisa aperta. O que fazer? Em relação ao jornal eu sugeriria que fizesse outros links, e associasse o problema da 5 mulheres do Sapopemba com a educação escolar. Axé!


Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 16/07/2007 - Caderno Metropole

Cinco mulheres, 25 crianças e lares ainda abertos a novos filhos

Nenhuma delas contou com ajuda do marido na criação

Bruno Paes Manso, São Paulo

O dia mal amanhece e já se nota o movimento de mulheres no Jardim Elba, um dos bairros mais violentos da zona leste da capital paulista. No quintal das casas, elas colocam roupas no varal. Depois, levam crianças para creches e escolas ou seguem para pontos de ônibus. Fora do horário comercial, lotam as reuniões das pastorais da Igreja Católica e os cultos evangélicos. “Somos a força na periferia”, observa Graça Fernandes, de 52 anos, líder comunitária de Sapopemba.

Sem apoio dos homens - alguns dependentes químicos e outros presos, mas muitos envolvidos com o crime -, que acabam morrendo cedo, criam os filhos sozinhas. O Estado participou de uma discussão com cinco delas. Juntas, têm 25 filhos e nenhuma contou com a ajuda do marido na criação. Apenas uma tem carteira assinada e trabalha em um programa de liberdade assistida. As demais vivem de bicos como faxina e costura.

Natalia Pereira Pimenta, de 57 anos, teve sete filhos. Veio de Januário, Minas, com três crianças, e teve outras quatro em São Paulo. O marido morreu logo depois. Para sustentar a garotada, trabalhou em casa de família e deixava os filhos com a mãe. Depois que a avó morreu, a filha mais velha assumiu os cuidados de todos. Natália tem ainda a filha adotiva, de 14 anos - de uma amiga que deu à luz na prisão. Abrigou também outras crianças que não tinham onde morar. Hoje, cuida de sete netos.

Natália teve dois filhos presos e outros dois assassinados no ano-novo de 2001. “O mais novo estava na vida errada. Mas acertaram também meu outro filho, que não tinha nada a ver e estava com ele.” Teve de convencer outro a não tentar vingança.

As surras domésticas, aplicadas por companheiros que bebem, são constantes nas narrações. Sonia Eli de Souza, de 35 anos, tem seis filhos. As três mais velhas - a maior de 14 anos - foram vítimas do primeiro marido da mãe, que as espancava. Os outros três filhos “levaram” do segundo companheiro. Mesmo assim, Sonia acredita que conseguirá levar todos a trilhar o “caminho certo”. “Temos um exemplo sofrido em casa, que mostra que as drogas não levam a nada.” Ela cuida de um sobrinho, de 18 anos, que há cinco anos tenta abandonar o crack. O pai era traficante e matou a mãe, irmã de Sonia. “Para ele, a palavra do traficante é mais importante.”

O compromisso com todas as crianças, aliás, faz parte da rotina dessas mulheres. Joseli da Silva Leite, de 29 anos, teve quatro. A primeira, aos 16 anos. Cada uma com um pai diferente. A mãe a ajudou até morrer, quatro anos atrás. Ela acha que os homens não sabem o que é amor de filho. Ela aprendeu com o tempo. “Hoje eu vivo para meus filhos, a única família que tenho.”

Apesar dos problemas, todas dizem que não fariam aborto e nunca se arrependeriam de ter as crianças. O problema maior, elas avaliam, é arrumar o homem certo. Damares Gomes da Silva, de 39 anos, sete filhos, apanhou tanto do companheiro que diz ter ficado com trauma de homem. “Hoje, quando me olham em um bar, fico com raiva.” De todas, Ana Paula dos Santos Oliveira, de 39 anos, que tem só um filho, é a mais bem humorada ao falar do assunto. “O problema é que a gente só arruma homem que não presta.”

Estudo liga gravidez indesejada a crimes violentos em cidades de SP

Queda de 10% no número de crianças que vivem com mães solteiras reduziria em 5,1% os homicídios

Fernando Dantas, RIO

A gravidez indesejada é uma causa muito mais importante dos crimes violentos no Estado de São Paulo do que a desigualdade ou outros indicadores econômicos. Esta é a conclusão de um trabalho do economista Gabriel Hartung, em etapa final de elaboração. O estudo foi realizado com base na análise estatística de dados demográficos e econômicos de 643 dos 645 municípios de São Paulo.

O levantamento partiu do famoso estudo do economista americano Steven Levitt - autor do best-seller Freakonomics - que demonstrou a ligação entre legalização do aborto nos Estados Unidos e a queda da criminalidade duas décadas depois. Como no Brasil o aborto é ilegal e não há estatísticas confiáveis sobre o assunto, a opção de Hartung foi a de examinar os indicadores de mães adolescentes e solteiras. A relação entre gravidez indesejada e o fato de a mãe ser solteira ou adolescente já foi exaustivamente comprovada.

Mas os resultados do trabalho mostram que uma queda no número de crianças vivendo com mães solteiras diminuiria a taxa de homicídios três vezes mais do que reduções idênticas na desigualdade - e quatro vezes mais do que uma aceleração equivalente do crescimento econômico. Assim, uma queda de 10% no número de filhos criados por mães solteiras provocaria uma redução de 5,1% na taxa de homicídios. Já uma diminuição de 10% na desigualdade reduziria a taxa de homicídios em apenas 1,7%. E uma aceleração de 10% no ritmo de crescimento econômico teria um efeito de 1,2% sobre os homicídios.

Segundo o pesquisador, o trabalho aponta o controle de natalidade como instrumento fundamental para o combate à criminalidade no Brasil. Pessoalmente, ele também defende a descriminalização do aborto. “O meu estudo é uma evidência de que a gravidez indesejada aumenta o crime”, diz Hartung, que faz doutorado na Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.

Ele explica que o canal entre a gravidez indesejada e o crime violento é a criação dos filhos em um ambiente familiar deteriorado, que tipicamente consiste num lar chefiado por uma mulher sem marido ou companheiro, que muitas vez deu à luz na adolescência. Dessa forma, essas crianças têm probabilidade maior de se tornarem criminosas quando chegarem à adolescência ou à juventude.

E o problema tende a piorar. A proporção de mães com menos de 17 anos saltou 45%no Brasil, entre 1991 e 2000, e os domicílios chefiados por mulher aumentaram 38%nesse período. O pesquisador observa que “reduzir o número de mães solteiras, por meio de uma política pública, é provavelmente muito mais fácil do que conseguir diminuição equivalente da desigualdade”. De 1997 a 2005, o Brasil obteve melhora da distribuição de renda substancial, que chegou a ser saudada como “espetacular” por alguns economistas, como Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Essa queda da desigualdade foi de 5,4%.

Segundo o estudo de Hartung, uma melhora da distribuição desta magnitude em São Paulo tem um efeito na taxa de homicídios de 0,9%. A experiência histórica brasileira e internacional indica, por outro lado, que reduções de desigualdade daquela intensidade normalmente só ocorrem ao longo de vários anos. Em outras palavras, uma política de combate à criminalidade que focasse exclusivamente na redução da desigualdade levaria décadas para obter redução perceptível nos crimes violentos, como homicídios e estupros.

O economista considera que Diadema, um dos municípios mais violentos de São Paulo, teria em 2000 uma taxa de homicídios 14,3% menor do que a registrada, se na década anterior o porcentual de crianças vivendo com mães solteiras fosse de 16,3%, como em Barretos, no interior paulista. O índice efetivamente registrado em Diadema em 1991 foi de 22,9%. A redução da taxa significaria 70 assassinatos a menos por ano em Diadema.

O objetivo básico desse estudo era buscar as causas da diferença entre as taxas de homicídios registradas nos municípios paulistas. Para tanto, Hartung fez uma análise estatística de vários indicadores de cada cidade entre os anos de 1999 e 2001, como renda, crescimento econômico, tamanho do município, escolaridade média e desigualdade.

Um comentário:

Peter disse...

Bom..como ex-aluno do Moisés,Morador
sa Região de Sapopemba e conhecedor das situação,acredito que o problema é a educação recebida pelo aluno em casa.Nem sempre esses jovens tem uma família bem estruturada que esta presente,e pode dar um bom exemplo de comportamento e modos.
Muitas vezes eles como ja dito,não tem pai,e as vezes não tem mãe.e esse que fica com a criança,não está sempre presente pois,precisa trabalhar para sustentar a familia,irmaos e a si mesma.
Assim não pode estar sempre com o filho(a),esse jovem fica em casa muitas vezes sem ninguém para orientálo,nesse esáço as companhias da rua entram,mau aconselhando esse jovem,fazendo com que se encvolva com o crime,e o não comprometimento com a sociedade.Esses jovens não estudam direito,pois não são incentivados de casa a estudarninguem lhes motra que o estudo é a coisa certa a se fazer.
Daí,se sabe que a ignorancia leva a ruína da nossa sociedade.
se um jovem é envolvido no crime,por falta de acompanhamento familiar,ele não deve ser mandado para a fundação casa(nome mais enfeiado para FEBEM),lá ele apenas apanha e sofre.Quando sai,está com sentimento de ódio e revolta,e aprendendo mais coisas erradas com o pessoal de lá.
a solução seria se o jovem é mandado para lá,aprendesse alguma profissão,estudasse,fizesse algum curso técnico,enfim,plantasse uma semente de esperança ao seu futuro.
oO que a sociedade precisa é de jovens inteligentes,que seram o futuro da nação.
Mas antes de tudo,A família tem de estar presente e encaminhar seus filhos ao bom caminho,do estudo e da honestidade.