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domingo, abril 06, 2014

COLEÇÃO HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO: 1808-2010

Por Moisés Basílio Leal

Sonho de consumo historiográfico essa instigante coleção organizada pela produtiva pesquisadora Lilia Moritz Schwarcz com nomes de peso de nossa historiografia e patrocinada pela Fundação espanhola Mapfre. Tudo que essa mulher faz é sempre de boa qualidade. Porém, tenho que tomar cuidado para comprar mais do que posso ler.

Já comprei o primeiro volume, mas ainda não li. Agora que sairam o quinto e sexto volumes confesso que minha mão coçou para adquirir. Fica aqui registrada a resenha da coleção para me fazer lembrar o compromisso e lê-la em breve. 

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Fonte: Montagem feita a partir de informações do sítio da Editora Objetiva: http://www.objetiva.com.br/site2011/livro_ficha.php?id=1058 

Sobre a coleção HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO: 1808-2010

A coleção História do Brasil Nação não apenas propõe uma nova leitura sobre a história do Brasil, mas proporciona as chaves para o estudo de suas conexões com a América Latina. Contando com o primoroso trabalho de renomados especialistas e a seleção de farto material iconográfico, cada volume apresenta diferentes aspectos da realidade brasileira em seus últimos duzentos anos a partir de perspectivas econômicas, políticas, sociais e culturais.

Parte de um projeto maior — intitulado América Latina na História Contemporânea — que se estende por todo o continente americano e vários países europeus, a coleção é uma iniciativa pioneira no campo historiográfico e documental e referência obrigatória para todos que estudam ou se interessam pela nossa história.

A coleção História do Brasil Nação: 1808-2010 será composta de seis volumes. Dirigida pela antropóloga, historiadora, escritora e editora Lilia Moritz Schwarcz, a obra faz parte de um projeto de amplitude ibero-americana chamado América Latina na História Contemporânea. Idealizado em parceria com a FUNDACIÓN MAPFRE e o Grupo Santillana (presente no Brasil através da Editora Objetiva), o projeto já conta até o momento com a publicação de coleções em dez países. Todas apresentam uma reflexão, por meio de textos e imagens, sobre a trajetória dos países da América Latina nos últimos duzentos anos em diversos aspectos, que abrangem população e sociedade, política, economia, cultura e relações internacionais.
História do Brasil Nação: 1808-2010 propõe não só uma leitura sintética e reflexiva sobre a história do Brasil, como também proporciona as chaves para o estudo da história comparada da América Latina, na qual o papel do único país de língua portuguesa nas Américas é fundamental. A história do Brasil - cujo nascimento como nação independente se enquadra nos complexos processos de transformação política, conhecidos pela historiografia atual como "revoluções atlânticas" - percorreu uma trajetória paralela a de seus vizinhos na América do Sul, o que, entretanto, não se refletiu em uma interação profunda entre o Brasil e os demais países latino-americanos de língua espanhola.
Embora elaborada por especialistas qualificados, a coleção pretende transcender os círculos acadêmicos especializados, para alcançar um público mais amplo. Para tal, se prestou especial atenção tanto na estrutura, como na natureza do texto e no próprio conteúdo da obra.
Sobre a coleção brasileira
Uma das características mais distintivas do projeto internacional é o fato de cada país ter elaborado e conduzido de maneira autônoma a produção de sua coleção. Apesar de todos os envolvidos seguirem uma estrutura básica que privilegia a visão de conjunto e comparativa, no Brasil a coleção se distingue por oferecer uma visão sintética, mas ao mesmo tempo rigorosa, dos grandes acontecimentos e processos históricos que marcaram a trajetória do país a partir do início do século XIX.
Alberto da Costa e Silva, José Murilo de Carvalho, Lilia Moritz Schwarcz, Angela de Castro Gomes e Daniel Aarão Reis assinam a coordenação dos cinco volumes históricos. Boris Kossoy, Lilia Schwarcz e Vladimir Sachetta são responsáveis pelo volume de fotografia e pela exposição que será apresentada em São Paulo e no Rio de Janeiro. Lúcia Garcia está à frente da pesquisa iconográfica e secretaria do projeto.
Tal como nos demais países, a coleção conta com a supervisão de conselho editorial reunido sob a direção de Pablo Jiménez Burillo e coordenação de Javier J. Bravo García. Os livros brasileiros dispõem de projeto gráfico original, de autoria de Victor Burton, além de incluírem farta iconografia no miolo dos livros e caderno de imagens colorido, ao final.
O primeiro volume da coleção, lançado agora em setembro de 2011, tem coordenação de Alberto da Costa e Silva. O volume 2, sob coordenação de José Murilo de Carvalho, chega às livrarias em fevereiro de 2012; o volume 3, sob coordenação de Lilia Moritz Schwarcz, em julho de 2012, juntamente com o volume A História do Brasil através da fotografia (que contará com 350 documentos que recobrirão desde os anos 1850 até a primeira eleição de Lula) e conta com a coordenação de Boris Kossoy. Finalmente, os volumes 4 e 5, sob coordenação de Angela de Castro Gomes e Daniel Aarão Reis, respectivamente, sairão em outubro de 2012 e março de 2013. A coleção estará, assim, completa e à disposição do público brasileiro até o primeiro trimestre de 2013. Em seguida, será toda vertida para o espanhol, de maneira a facilitar sua circulação pela América Latina.


Um olhar sobre o Brasil - A fotografia na construção da imagem da nação: 1833-2003

História
ISBN: 9788539004232
Lançamento: 01/11/2012
Formato: 23,5 X 27,5
Peso: 2350 gramas
464 páginas
Preço: R$ 159,90

O novo volume da coleção História do Brasil Nação, uma coedição da editora Objetiva com a FUNDACIÓN MAPFRE e direção geral de Lilia Moritz Schwarcz, é inteiramente dedicado à fotografia e repassa em 459 imagens os últimos 170 anos da trajetória histórica do Brasil, cobrindo o período de 1833 a 2003. Com a coordenação de Boris Kossoy, Um olhar sobre o Brasil - A fotografia na construção da imagem da nação: 1833-2003 inclui imagens emblemáticas, selecionadas a partir de um extenso garimpo em arquivos públicos e coleções privadas, que demarcam o aparecimento da fotografia no país e sua crescente importância para a historiografia nacional. 



Parte da série de seis títulos sobre a História do Brasil entre 1808 e 2010, concebida para o projeto América Latina na História Contemporânea, realizada pela FUNDACIÓN MAPFRE, o livro integra ainda a exposição homônima de fotos no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com inauguração no dia 12 de novembro, reproduzindo em grande escala as imagens selecionadas para este volume. A mostra segue a cronologia apresentada no livro, de acordo com os principais fatos históricos do país. 
O ano de 1833 é o ponto de partida do livro com as experiências precursoras de Antoine Hercule Romuald Florence (1804–1879) em Campinas. Antoine foi o primeiro a concretizar experiências fotográficas nas Américas, simultâneas às que se realizavam na Europa. É, no entanto, no Segundo Reinado que a técnica ganha impulso com o apoio do imperador D. Pedro II, ele próprio um aficionado pelas possibilidades da tecnologia.
O século XX foi marcado pela primazia da imagem. A fotografia ganhou as ruas e os meios de comunicação, flagrando de perto os momentos marcantes do Brasil e do mundo. O advento do Estado Novo, a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, a construção de Brasília, o clamor das massas pela redemocratização; em todos esses momentos a fotografia teve papel crucial para documentar e repercutir a história. Líderes populares como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Leonel Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva também posaram para as lentes, gerando imagens que se tornaram ícones de diferentes fases da história recente.
Em seu texto de apresentação do volume, Kossoy destaca o aparecimento da fotografia no século XIX e sua relevância na vida cotidiana da sociedade, tornando-se um fenômeno não só artístico, mas comercial. Além de fixar tipos humanos, o advento tecnológico passou a imortalizar espaços urbanos, rurais e a natureza local.
“Trata-se de um conjunto que documenta aspectos expressivos de fatos sociais, políticos, culturais, religiosos, científicos, artísticos, entre tantos outros, fios que tecem a trama histórica de uma nação. Nosso objetivo é a reflexão acerca das conexões mais profundas desses fatos, apenas sugeridos pelas imagens; a fotografia é uma fonte preciosa de informação; trata-se, não obstante, de um conhecimento de aparência (...) Um conhecimento que parte da superfície iconográfica e tanto mais nos revela quanto mais buscamos sua realidade interior”, reflete Kossoy.
Na América Latina, o Brasil é um dos países com maior acervo fotográfico ao longo do século XIX e XX. A fotografia substituiu as aquarelas e quadros pintados pelos viajantes da primeira metade do século XIX. Segundo Kossoy, a principal contribuição desses fotógrafos foi permitir registro iconográfico de diferentes aspectos do passado, que possibilitaram a preservação para a posteridade das feições do brasileiro comum, do campo e da cidade, assim como a aparência de logradouros, moradias e ruas. 
Entre eles, Kossoy destaca nomes como Augusto Riedel, A. Frisch, Benjamin Mullock, Victor Frond, Augusto Stahl, J. Otto Niemeyer, Marc Ferrez, Militão Augusto de Azevedo, Guilherme Gaensly, entre muitos outros, que produziram uma extensa documentação visual do país.
Em seu texto de introdução para o livro, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz chama a atenção para a ampliação das possibilidades documentais, expandindo a própria noção de arquivo e de acervo para além das bases escritas. “Hoje nos arriscamos a produzir conhecimento a partir da análise de objetos de cultura material como moedas, lápides, telas, esculturas, além das fontes literárias, obras teatrais e, tomando um lugar cada vez mais importante, as fotografias.”, explica.
Lilia ressalta a presença de imagens de momentos históricos marcantes, como o registro da multidão concentrada no Paço Imperial para a assinatura da Lei Áurea, em 1888. Há também imagens corriqueiras, que apresentam o dia a dia da população brasileira, como, por exemplo, a foto de um homem sendo carregado numa liteira por escravos.

Modernização, ditadura e democracia: 1964-2010 – HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO – 1808-2010 – VOL. 5


História
ISBN: 9788539005536
Lançamento: 01/04/2014
Formato: 16 x 23
320 páginas
Preço: R$ 49,90

Os seis volumes da coleção HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO reúnem 27 renomados autores brasileiros que, pela primeira vez, atuam juntos em um mesmo projeto. Ilustrada com rico material iconográfico, alia linguagem acessível e rigor na pesquisa documental, apresentando textos que expõem singularidades e novas abordagens da história do Brasil. Integrada ao projeto América Latina na História Contemporânea, idealizado pela FUNDACIÓN MAPFRE, esta coleção vem sendo realizada em mais de dez países e discute, de forma abrangente, os grandes acontecimentos e processos históricos que marcaram as repúblicas latino-americanas desde a sua independência.

O início dos anos 1960 foi um divisor de águas na história do Brasil. A sociedade brasileira se viu dividida entre dois modelos opostos. De um lado, um projeto reformista revolucionário. De outro, o medo da revolução social e do caos. Prevaleceu a opção conservadora e instaurou-se no país uma ditadura civil-militar. De lá para cá, muita coisa mudou, mas o legado de sucessivos governos autoritários ainda permanece em variados aspectos de nossa sociedade. A redemocratização, iniciada nos anos 1980, ampliou a cidadania sem que o Estado perdesse o protagonismo. Os anos 2000, embora não tenham resolvido nossas tantas desigualdades sociais, promoveram o encontro das classes populares com o país e seus símbolos.
Questionando algumas interpretações consagradas desses anos tão conturbados, cinco renomados pesquisadores — Herbert S. Klein, Francisco Vidal Luna, Francisco Carlos Teixeira da Silva, Paul Singer e Marcelo Ridenti —, sob a coordenação de Daniel Aarão Reis, analisaram, em Modernização, ditadura e democracia: 1964-2010 – HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO – VOL. 5, as profundas transformações que ocorreram de 1964 até o fim dos anos 2000, detendo-se no caráter transicional (e paradoxal) dos eventos mais marcantes desses quase cinquenta anos de história.


sábado, abril 05, 2014

ADEUS AO GRANDE MEDIEVALISTA LE GOFF

Por Moisés Basílio

Li alguns livros e também muitos capítulos em cópia - vício de nossas faculdades - do Le Goff durante minha formação acadêmica, fiz trabalhos escolares, discussões em salas de aula, mas foram nos incontáveis diálogos com os amigos e professores, muitos deles regados com cervejas, vinhos etc. nos bares da vida, sobre as coisas das História e da Historiografias que me fizeram entrar n'alma as ideias do mestre Le Goff sobre as coisas da Idade Média. 

Depois Le Goff continuou a me acompanhar com sua farta bibliografia durante os anos 17 anos em que exerci continuamente o magistério de professor de História na escola de educação básica, nos cursinhos preparatórios para os vestibulares e também em várias palestras gerais que ministrei nesse mundo afora. 

E agora, nesse momento da vida quando a História já não é mais meu instrumento de trabalho cotidiano, mas sim meu deleite diário, volta e meia me vejo diante de algum livro seu que ainda não li, ou frente um novo lançamento. Por isso, nesse primeiro de abril um sentimento de tristeza bateu em mim ao saber de sua morte. Axé Le Goff!
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Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - 01 de abril de 2014 | 10h 47  http://www.estadao.com.br/noticias/arte-e-lazer,historiador-jacques-le-goff-morre-aos-90-anos,1147726,0.htm  

Historiador Jacques Le Goff morre aos 90 anos

Ele era uma das principais referências da antropologia medieval


O historiador francês especializado na Idade Média Jacques Le Goff, um dos idealizadores da corrente conhecida como "Nova História", morreu nesta segunda-feira, 31, de acordo com a família. Le Goff dedicou boa parte de sua carreira à antropologia medieval, disciplina que enriqueceu ao abordar todos os aspectos da vida em sociedade. 
Dentro da tradição dos grandes historiadores franceses, não hesitava em sair de sua especialidade para opinar sobre temas atuais. Nascido em 1º de janeiro de 1924, o historiador sucedeu Fernand Braudel na direção da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em 1972. A partir dos anos 70 foi um dos pais do movimento "Nova História", com uma reflexão sobre a profissão do historiador em ensaios como "Faire de l'histoire" (1986, Fazer História, com Pierre Nora) ou "Histoire et mémoire" (História e memória, 1988).
Dois de seus livros foram lançados recentemente no Brasil, A Idade Média e o Dinheiro (Ed. Civilização Brasileira) e Homens e Mulheres da Idade Média (Ed. Estação Liberdade), tema de reportagem do Caderno 2 no último sábado, 29. No primeiro, ele retrata o nascimento do capitalismo através da religião cristã, enquanto no segundo Le Goff disseca o imaginário do homem medieval, tendo como fio condutor santos, heróis e figuras mitológicas. (Com informações da AFP)
Veja uma resenha dos dois mais recentes livros do Le Goff lançados no Brasil:

terça-feira, abril 30, 2013

ENCONTRO COM OS RESISTES NAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS DE SÃO PAULO

COMENTÁRIOS DE MOISÉS BASÍLIO


Com muito prazer vou participar desses encontros em duas bibliotecas públicas aqui da minha quebrada, na Zona Leste, conforme pode ser visto na programação que se segue. Contar as histórias das gerações passadas é refazer a história com as novas gerações. 
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Fonte: Portal da Prefeitura de S. Paulo - http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/noticias/?p=12279


A Luta é Contínua

Em maio, comemora-se um ano da promulgação da Lei de Acesso à Informação e da criação da Comissão Nacional da Verdade.
Essas iniciativas representam um grande passo para tornar públicos os arquivos e processos da Administração Pública e um rompimento no tratamento que o Poder Público dá ao passado com relação à memória, à história e à justiça.

As Bibliotecas Públicas, que se constituem como pólos de acesso à leitura, informação, produção e difusão de bens culturais, abrem espaço para a discussão de nossa história recente – e de seus ecos na sociedade atual –, em uma programação centrada no período da ditadura civil-militar a partir da perspectiva daqueles que resistiram a um governo ilegítimo. Com isso, buscamos contribuir para a construção de uma sociedade democrática e plural. 
A luta não acabou. 
A luta continua. 
A luta é contínua.

Confira a programação:

Debates

Discutindo o Golpe de 1964: o que foi isso?

Com Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada e membro da Comissão Nacional da Verdade e Renato Tapajós, jornalista, cineasta e ex-preso político. Mediação de Maria Zenita Monteiro, socióloga e bibliotecária, Coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas.
Dia 18 de maio às 18h - Biblioteca Viriato Corrêa
 
Pós-ditadura: qual democracia?

Com Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia e Secretario Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Alípio Freire, jornalista, poeta, ex-preso político e presidente do Núcleo de Memória Política de São Paulo. Mediação de Valdirene Gomes, socióloga e Assessora da Coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas.
Dia 25 de maio às 18h - Biblioteca Viriato Corrêa


Encontros com os resistentes
Os encontros serão conduzidos por ex-presos políticos, militantes do período da ditadura. Serão apresentadas narrativas de memórias individuais dentro do contexto político do período, e discutido o que esses fatos têm a ver com o Brasil em que vivemos hoje. Os encontros acontecerão em 56 Bibliotecas Públicas e três Pontos de Leitura.



A Luta Continua

Alípio Freire
Nasceu em Salvador (BA). Jornalista, poeta e presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política. Foi militante da Ala Vermelha entre 1967 e 1983 e esteve preso de 1969 a 1974. Além da Operação Bandeirante e do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), esteve nos presídios Tiradentes, na Casa de Detenção do Carandiru e na Penitenciária do Estado de São Paulo.
Dia 3 de maio às 16h – Biblioteca Paulo Duarte
Dia 8 de maio às 19h – Biblioteca Luiz Gama - Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes
Dia 13 de maio às 15h – Biblioteca Pedro Nava
Dia 14 de maio às 14h – Biblioteca Brito Broca
Dia 22 de maio às 14h – Ponto de Leitura Jardim Lapenna

Anízio Batista 
Torneiro Vertical e filósofo. Encabeçador da chapa de 1978 da Oposição Metalúrgica. Membro da Pastoral Operária. Foi Deputado Estadual entre 1983 e 1986.
Dia 10 de maio às 14h – Biblioteca Castro Alves
Dia 15 de maio às 14h – Biblioteca Affonso Taunay
Dia 21 de maio às 18h – Biblioteca Roberto Santos

Antonio Barros (Toninho 3/8) e José Batista de Miranda (Batistinha)
Toninho é metalúrgico. Preso na greve de Osasco em 68. Anistiado Político. Membro da Diretoria dos Metalúrgicos de Osasco. Membro do Fórum de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Batistinha é militar anistiado. Membro da Chapa da Oposição Metalúrgica de Osasco em 1978. Membro do Fórum de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo.
Dia 13 de maio às 10h – Biblioteca Thales Castanho de Andrade

Carmem e Stanislaw Szermeta
Carmem é metalúrgica e licenciada em Matemática. Membro da Comissão de Fábrica da Sharp e da CIPA da Wapsa. Stanislaw é eletricista e membro da Oposição Sindical Metalúrgica-SP. Preso e anistiado político. Presidente da Associação de Anistiados Políticos – ANAP.
Dia 10 de maio às 14h – Biblioteca Marcos Rey

Carmen Sylvia Moraes
Presa política. Professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Memória da FE-USP.
Dia 7 de maio às 14h30 – Biblioteca Álvaro Guerra

Célia Rossi
Membro da Juventude Operária Católica, da Pastoral Operária e do Movimento de Saúde da Zona Leste. Coordenadora do IN-FORMAR Cultura e Educação Popular nos anos 70 e 80.
Dia 14 de maio às 15h – Biblioteca Paulo Setúbal

Cícero de Crato
Metalúrgico, torneiro mecânico, educador popular e cantor. Membro da Associação dos Trabalhadores do Tatuapé e participante do Grupo Arribação, que gravou o CD “Santo Dias”.
Dia 14 de maio às 14h – Biblioteca Sérgio Buarque de Holanda

Cloves de Castro
Metalúrgico, preso político anistiado. Militante da Oposição Sindical Metalúrgica-SP. Membro do Comitê Brasileiro de Anistia.
Dia 9 de maio às 14h – Biblioteca Amadeu Amaral

Darcy Andozia

Pedagoga. Foi membro do Movimento da Igreja Católica dos Dominicanos da Ação Popular. Em 1974, foi presa pelo DOPS de São Paulo com toda a família.
Dia 7 de maio às 14h – Ponto de Leitura Tide Setúbal
Dia 14 de maio às 10h30 – Biblioteca José Paulo Paes - Centro Cultural da Penha
Dia 14 de maio às 19h30 – Biblioteca Jayme Cortez – Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Dia 16 de maio às 14h – Ponto de Leitura Graciliano Ramos
Dia 23 de maio às 14h – Biblioteca Hans Christian Andersen

Elza Lobo
Ex-militante da Ação Popular (AP) trabalhava na Secretaria da Fazenda quando foi presa. Exerceu a função de Secretária Executiva do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo e iniciou na década de 2000 a implantação do Sistema de Ouvidoria na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, exercendo até a atualidade a função de Ouvidora.
Dia 8 de maio às 10h – Biblioteca José Mauro de Vasconcelos
Dia 22 de maio às 15h – Biblioteca Viriato Corrêa 

A Luta Continua
Geraldo Ferreira
Metalúrgico, inspetor-traçador, físico formado pela PUC e professor universitário. Membro da Comissão de Fábrica da ASAMA. Membro da chapa de oposição metalúrgica em 1984 e 1987.
Dia 9 de maio às 14h – Biblioteca Ricardo Ramos

Iara Prado
Formada em História com pós-graduação em História Social pela USP. Foi secretária da Educação Fundamental do MEC. Foi militante da organização política VAR PALMARES, que era composta, na sua grande maioria, por militantes jovens que lutavam contra a ditadura imposta pelo regime civil-militar brasileiro, após 1964. Em 1970 foi presa em Porto Alegre e transferida para a Operação Bandeirantes. Posteriormente foi levada para a ala feminina do Presídio Tiradentes.
Dia 8 de maio às 15h – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Dia 15 de maio às 14h30 – Biblioteca Camila Cerqueira César
Dia 22 de maio às 14h30 – Biblioteca Clarice Lispector

Jorge Luiz dos Santos
Metalúrgico, eletricista, membro das chapas de oposição metalúrgica em 1981 e 1984. Dirigente da CUT Regional Grande SP nos anos 1980. Anistiado Político. Técnico em Automação Industrial.
Dia 14 de maio às 14h – Biblioteca Malba Tahan
Dia 23 de maio às 14h – Biblioteca Helena Silveira

Maria Amélia Teles (Amelinha)
Feminista, defensora dos direitos das mulheres. Foi presa política, fundou um programa de proteção à mulher e integra a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Integra a Comissão Estadual da Verdade de SP. Dedica-se há mais de 30 anos à luta pela apuração das atrocidades da ditadura e pela responsabilização dos agentes do Estado pelos crimes cometidos.
Dia 15 de maio às 14h30 – Praça Mário Chamie - Centro Cultural São Paulo

Maria Auxiliadora Arantes (Dodora)
Mestre em Psicologia Clínica e Doutora em Ciências Sociais - PUC/SP. Integrante da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. Coordenadora Geral de Combate à Tortura na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (2009-2010). Fundadora e dirigente do Comitê Brasileiro pela Anistia de São Paulo - CBA/SP (1978-1982).
Dia 14 de maio às 10h30 – Biblioteca Raul Bopp
Dia 16 de maio às 11h – Biblioteca Lenyra Fraccaroli
Dia 21 de maio às 10h – Biblioteca Jamil Almansur Haddad
Dia 28 de maio às 10h – Biblioteca Afonso Schmidt

Maurice Politi
Administrador de empresas, diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política e do Fórum de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Trabalhou por dois anos (2010/2011) na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da Republica, coordenando o projeto "Direito à Memória e à Verdade". Foi militante da organização ALN (Ação Libertadora Nacional) e nesta condição foi preso político entre os anos de 1970 e 1974.
Dia 8 de maio às 14h – Biblioteca Prof. Arnaldo Magalhães Giácomo
Dia 13 de maio às 14h30 – Biblioteca Sylvia Orthof
Dia 15 de maio às 15h – Biblioteca Raimundo de Menezes
Dia 17 de maio às 15h – Biblioteca Nuto Sant’Anna
Dia 21 de maio às 19h – Biblioteca Biblioteca Belmonte
Dia 22 de maio às 14h – Biblioteca Chácara do Castelo 

A Luta Continua
Moisés Basílio Leal
Técnico Mecânico, formado em Pedagogia pela USP e Ciências Sociais pela PUC. Militante da Pastoral da Juventude e da Oposição Sindical Metalúrgica-SP nos anos 70. Diretor de Escola da Rede Municipal de Ensino.
Dia 17 de maio às 9h30 – Biblioteca Gilberto Freyre
Dia 23 de maio às 14h – Biblioteca Vicente Paulo Guimarães

Raimundo Moreira (Raimundinho)
Preso político anistiado. Metalúrgico da Oposição Sindical Metalúrgica-SP. Membro do Fórum de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Testemunha do assassinato do preso político Luiz Hirata nas dependências do DEOPS.
Dia 22 de maio às 14h – Biblioteca Álvares de Azevedo

Raphael Martinelli
Ferroviário, preso e exilado político. Militante desde os 16 anos. Anistiado político. Presidente do Fórum Permanente dos ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e advogado de ex-presos políticos.
Dia 21 de maio às 15h – Biblioteca Mário Schenberg

Reinaldo Morano Filho
Nascido em Taquaritinga – SP é bacharel em direito, médico especialista em saúde pública, psiquiatra e psicanalista. Em 1969, foi presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da USP e aderiu à Ação Libertadora Nacional (ALN). Vítima da repressão, ficou preso durante 6 anos e meio.
Dia 7 de maio às 10h – Biblioteca Rubens Borba de Moraes
Dia 10 de maio às 14h – Biblioteca Érico Veríssimo
Dia 14 de maio às 10h – Biblioteca Milton Santos
Dia 17 de maio às 15h – Biblioteca Cassiano Ricardo
Dia 21 de maio às 10h – Biblioteca Adelpha Figueiredo
Dia 24 de maio às 14h – Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato

Rita Sipahi
É advogada, servidora municipal aposentada e conselheira da Comissão da Anisita. Foi dirigente da UNE, militante da Juventude Universitária Católica e participou da estruturação da Ação Popular no Ceará. Durante a ditadura emigrou para São Paulo e Rio de Janeiro, foi sequestrada e presa pelas forças da repressão. Foi condenada pela Justiça Militar de São Paulo. Após a ditadura seguiu atuando junto a movimentos sociais.
Dia 6 de maio às 16h30 – Biblioteca Mário de Andrade
Dia 13 de maio às 14h – Biblioteca Anne Frank
Dia 20 de maio às 10h – Biblioteca Menotti del Picchia

Salvador Pires
Metalúrgico, torneiro mecânico. Anistiado político. Presidente da Frente Nacional dos Trabalhadores. Membro do Movimento Justiça e Não-Violência durante a Ditadura Militar.
Dia 10 de maio às 10h – Biblioteca Vinícius de Moraes
Dia 10 de maio às 14h30 – Biblioteca Vicente de Carvalho
Dia 22 de maio às 14h30 – Biblioteca Narbal Fontes

Sebastião Neto
Mecânico de Precisão. Preso político. Membro da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, membro da Executiva Nacional da CUT. Projeto Memória da Oposição Sindical Metalúrgica - SP.
Dia 21 de maio às 15h – Biblioteca Paulo Sergio Duarte Milliet

Sebastião Pinto
Mecânico de Manutenção. Membro da Frente Nacional dos Trabalhadores e da União Nacional dos Servidores Públicos.
Dia 22 de maio às 14h30 – Biblioteca Cora Coralina

Sidnei Fernandes Cruz
Presidente do Sindicato dos Queixadas (Cimento, Cal e Gesso) de Perus. Técnico em compras. Primeiro Coordenador dos Trabalhadores da Construção Civil da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo. Direção Estadual e Nacional da CUT.
Dia 16 de maio às 14h – Biblioteca Padre José de Anchieta

Waldemar Rossi
Preso político. Encabeçador das chapas de oposição metalúrgica nos anos de 1967, 1972 e 1981. Coordenação da Pastoral Operária. Membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de SP. Orador, em nome dos trabalhadores brasileiros, na recepção ao Papa João Paulo II no comício do Estádio do Morumbi, em 1980, quando denunciou as torturas praticadas na Ditadura Militar.
Dia 9 de maio às 14h – Biblioteca Jovina Rocha Álvares Pessoa
Dia 16 de maio às 14h30 – Biblioteca Aureliano Leite


Mostra de Cinema
A mostra privilegiará produções cinematográficas que instiguem a discussão dos temas da programação “A Luta é Contínua”. São filmes de ficção e documentários que retratam a participação coletiva contra a repressão.

Mostra A Luta é Contínua - Viriato Corrêa

sábado, abril 07, 2012

TORQUEMADA - 17 BALAS: O TEATRO DO OPRIMIDO COMO ESPAÇO DE REVIGORAMENTO DA MEMÓRIA E DA CIDADANIA ATIVA

Por Moisés Basílio Leal

Uma peça de teatro pode nos ajudar a refletir sobre a vida ou pode ser só um mero entretenimento.  Há quem defenda radicalmente um extremo ou outro e há também quem prefira o meio termo. Eu gosto de teatro bem feito, do teatro político na acepção etimológica grega da palavra política, aquele que nos impele às ações de refletir, transcender e transformar as nossas vidas e a vida da polis.
Como quase tudo na vida, sempre é preciso tomar partido, ter opinião, para não virar o famoso personagem “João Ninguém”, composição musical de Noel Rosa dos anos 30. A peça “Torquemada – 17 Balas” assume de que lado está desde a primeira cena, quando são projetadas a imagem e a fala do militante Carlão dando o seu depoimento sobre a tortura praticada sistematicamente nos porões da ditadura militar. Aliás, a própria peça é ambientada no porão do Teatro Coletivo. E mais, o coletivo que encena a peça trabalha com a dramaturgia do Teatro do Oprimido, e nesse espetáculo com a técnica do Teatro-Fórum, do saudoso Augusto Boal.  
Quando a fala do Carlão termina, segue-se a projeção de cenas da participação da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1970, no México. Futebol é guerra. Guerra é a política feita com o uso da violência. Futebol, guerra, violência e os militares no poder. Eis o contexto fértil para a aceitação da tortura como instrumento para se apurar a verdade.  Como já cantou Chico: Num tempo página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória. Das nossas novas gerações”.
Mas, que verdade é possível se apurar com a tortura? O depoimento da Presidenta Dilma sobre verdades e mentiras diante da tortura é impactante. A verdade que emerge da tortura enfim serve para a mentira. Ou então serve, como aconteceu com a experiência de Augusto Boal, para fazer uma peça – fazer arte – que faz emergir um brado atemporal denunciando a tortura como mecanismo escuso tanto na inquisição católica, quanto nas ditaduras latino-americanas dos anos 60 e 70, ou nas quebradas da periferia de São Paulo do século XXI. 
E nos atos seguintes da peça, as memórias desbotadas das novas gerações, tendo como protagonistas os jovens esqueitistas, faz esse encontro do novo com a velha tradição da violência que atravessa os séculos desde a chegada dos colonizadores europeus em terras de Pindorama. Seja a violência das instituições privadas da sociedade, seja a violência do Estado português-brasileiro, que numa sociedade tradicional patrimonialista andam de mãos dadas e acabam sendo o real mediador dos conflitos sociais, econômicos e políticos.
Ao final o “curinga”, personagem mediador do conflito na metodologia do Teatro do Oprimido, aparece e convida o público para o fórum de debates a fim de buscar novas saídas e encenar outras possibilidades de resolução dos conflitos entre opressor e oprimido. Cabe ao público, interferir na realidade para transformá-la.  
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Fonte: Página do PROJETO TORQUEMADA – em 31/03/2012 - http://www.torquemada.art.br/?page_id=44


Peça “Torquemada – 17 Balas” discute opressão da ditadura aos dias de hoje baseada em texto de Augusto Boal
Montagem do GTO da Garoa e da ONG Mudança de Cena estreia no dia 31 de março no Teatro Coletivo com entrada grátis
No próximo sábado, dia 31, estreia em São Paulo a peça “Torquemada – 17 Balas”, releitura de um importante texto do dramaturgo Augusto Boal, escrito em 1971. O espetáculo tem pré-estreia para convidados no dia 27/3 e entra em cartaz no dia 31 de março, às 17h, no Teatro Coletivo. A entrada é gratuita.
A peça tem como foco o resgate das memórias de períodos de opressão. O enredo costura o passado e o presente, mostrando como o abuso nos dias de hoje nas periferias é um reflexo da impunidade do regime militar e um resquício de uma forma de pensamento presentes desde os tempos de Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol. O espetáculo utiliza a técnica do Teatro Fórum, em que, ao final da apresentação, o público tem a oportunidade de discutir a temática e entrar em cena para transformar a realidade apresentada.
Após a estreiaem São Paulo, onde fica em cartaz até o dia 10 de abril, o espetáculo será encenado em Guarulhos, Taboão da Serra, Rio Claro, Campinas, Santos, São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória e Brasília.
A peça faz parte do projeto “Torquemada: Resgatando Memórias da Opressão do Passado ao Presente”, que também traz oficinas de Teatro Fórum e mobilização nas redes sociais.Em São Paulo, a oficina será realizada no dia 2 de abril, no Tusp.  Por meio de jogos teatrais, o encontro gera um espaço de reflexão sobre o papel das pessoas na sociedade na preservação da memória sobre o regime militar brasileiro, no combate à violência dos agentes do Estado nos dias atuais e na mobilização para transformação. As reflexões geradas pelas oficinas alimentarão os fóruns de discussão virtual e também nos estados em que o projeto circulará.
À frente das atividades estão Yara Toscano, coordenadora do projeto e gestora da ONGMudança de Cena, e Kelly di Bertolli, diretora do espetáculo.  Por 15 anos, elas trabalharam com Augusto Boal e levaram trabalhos com Teatro do Oprimido para diversas cidades dentro e fora do Brasil. O projeto é resultado de parceria entre o GTO da Garoa (Grupo de Teatro do Oprimido de São Paulo) e a ONGMudança de Cenae tem o financiamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça através do Projeto Marcas da Memória
Debates online
Para reforçar o conceito de diálogo do Teatro Fórum, as discussões encenadas durante a peça ganham continuidade por meio do site da peça www.torquemada.art.br. Lá, atores, políticos e movimentos sociais podem dar continuidade ao debate iniciado na apresentação e também realizar novas manifestações em prol da memória e da defesa dos direitos humanos.
Serviço
Torquemada – 17 Balas
Pré-estreia: 27 de março, às 20h.
Apresentações: 31/03 e 1,2,3,7,8,9 e 10/04
Horário: segundas e terças às 20hs e sábados e domingos às 17hs
Local: Teatro Coletivo – Rua Consolação, 1623 – Telefone: (11) 3255-5922
Entrada gratuita
Classificação: Maiores de 12 anos
Ingressos podem ser retirados com 01 hora de antecedência
Estacionamento Conveniado (R$ 8,00), Rua da Consolação, 1681
Oficinas
Local: TUSP – av. Maria Antônia, 294, Consolação.
Quando: 2 de abril, a partir das 9h.
Inscrições e informações: oficina.teatrooprimido@gmail.com
Sinopse do espetáculo
“Torquemada – 17 Balas”, uma releitura do texto “Torquemada” de Augusto Boal, refere-se à repressão policial, à violência do Estado, à impunidade e ao autoritarismo que se faz presente ainda hoje, fruto da história da sociedade brasileira e recorrente na história da humanidade. No espetáculo, após pronunciamento de Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol da idade média, o público acompanha o relato descrito por Boal sobre a tortura que sofreu no período do regime militar e a leitura de parte de seu processo criminal de1971. Apeça segue para a atualidade e um jovem toma o lugar do “subversivo” da época, em uma jornada de acontecimentos pelos subterrâneos da violência atual nas periferias. Na dramaturgia proposta, as falas dos torturadores do passado estão presentes naqueles que violam os direitos humanos nos dias de hoje, trazendo à memória os “anos de chumbo” e sua influência na atualidade. O enredo é costurado por músicas compostas coletivamente pelo grupo, que garantem também momentos de descontração à peça. Ao final do espetáculo, o público é convidado a entrar em cena em busca de alternativas para o conflito apresentado, dando inicio ao exercício do Teatro Fórum.

sábado, maio 14, 2011

Lima Barreto terá nova biografia escrita por Lilia Moritz Schwarcz

Comentários Moisés Basílio: Que grata satisfação a notícia de que a historiadora e antropóloga Lilia M. Schwarcz vai nos presentear com uma nova biografia do grande escritor Lima Barreto. Há dois meses tive a oportunidade de assistir uma apresentação da professora Lilia, sobre o Lima Barreto, na biblioteca municipal de São Bernardo do Campo, e também estou lendo o livro “Contos Completos de Lima Barreto”, editado pela Companhia Das Letras, e com um excelente trabalho de organização da prof.ª. Lilia, principalmente pelo primor das notas que muito nos auxilia a compreender o contexto histórico onde nossa autor vive, e também com uma detalhada introdução contextualizando da obra e da vida de Lima Barreto. Um belo presente à memória de Lima Barreto nesse ano em que comemoramos os seus 130 anos de nascimento. Axé!

Fonte: Sítio do Jornal O Estado de S. Paulo, em 14/05/2011, http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110514/not_imp719050,0.php
Tema racial inspira nova biografia
Lilia Moritz Schwarcz investiga a influência da origem e da situação social do ficcionista no corpo de sua produção
Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo
A biografia de Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) considerada definitiva é a do paulista Francisco de Assis Barbosa. Publicada em 1952 e ainda no catálogo da editora José Olympio, A Vida de Lima Barreto é fruto de cinco anos de pesquisas, período em que Barbosa manuseou originais, notas, trechos esparsos do Diário Íntimo, cartas, cadernos de recortes de jornal - documentos hoje incorporados na seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. "Mas ele, explícita e declaradamente, afirmou que não trataria do tema racial na obra de Barreto. Na minha opinião, essa é uma questão fundamental para o autor, cuja vida foi marcada pela construção de alguns detalhes sociais da diferença, devidamente manipulados: raça, situação social, e localização", afirma a antropóloga e pesquisadora Lilia Moritz Schwarcz, que viu ali um caminho fecundo para aprofundar novos estudos sobre o autor, cujos 130 anos de nascimento foram lembrados ontem.
Desde o ano passado, portanto, Lilia pesquisa a documentação da Biblioteca Nacional a fim de preparar a sua biografia, que ainda não tem data de publicação - e trará a questão racial como um dos seus fios condutores. "Lima sempre se definiu como pobre, mulato, um morador do subúrbio e fez de sua literatura uma expressão desta condição. E, ao tratar de seu hábitat, pude o ampliar o espaço simbólico do Rio incluindo o subúrbio", comenta Lilia, que visitou o local onde viveu o escritor e constatou que muitas características continuam intactas, como se o tempo tivesse congelado. "Ainda há galinhas e cachorros soltos nas ruas, além de pessoas jogando bola."
Lima Barreto sempre realizou uma literatura de testemunho e o tema da raça está presente todo tempo. Lilia observa que há um momento em seu Diário Íntimo em que ele diz: "É difícil não nascer branco". E ainda "a raça para os brancos é conceito, para os negros pré-conceito". "Se tomarmos Recordações do Escrivão Isaías Caminha, romance autobiográfico, o personagem principal conhece o preconceito ao chegar no Rio, quando é acusado injustamente, ou quando deixa de ser servido num bar por conta de sua cor. O mesmo ocorre em Clara dos Anjos: mulata, pobre e prostituída. Também em Cemitério dos Vivos, romance incompleto pautado na experiência no sanatório, e no Diário do Hospício, Lima recheia a narrativa com episódios de preconceito e de sofrimento pessoal."
Aos poucos, Lilia foi detalhando a contraditória personalidade de Lima Barreto. "Seu comportamento era sempre ambivalente", observa a pesquisadora. "Condenava o determinismo racial mas temia morrer louco (assim como seu pai); era uma voz do subúrbio, mas tinha estima pelas instituições da capital; condenava a literatura acadêmica que considerava por demais oficial, mas tentou entrar na instituição por três vezes; era favorável às afirmações culturais negras, mas condenava o samba, o carnaval. Enfim, ele era muito Policarpo Quaresma; uma espécie de D. Quixote tropical."
Ao mesmo tempo, sua determinação em se firmar como escritor era constante - segundo Lilia, Lima fazia questão de se apresentar como tal, ainda que trabalhasse como amanuense (ou seja, um copiador de documentos) no Ministério da Guerra, do qual era funcionário público. Ele, porém, parecia desprezar a função pois, como observou Lilia em sua pesquisa, preferia ocupar o tempo fazendo anotações sobre sua obra no verso da documentação. Uma espécie de desabafo de geração. "É possível notar como ele usava seu tempo livre para escrever, e que não tinha qualquer apreço pela profissão. Por isso mesmo, era à literatura que se dedicava. Tanto que em seu diário confessou: "A literatura, ou me mata ou me salva"."
Basta observar, por exemplo, um trecho das anotações que deixou no verso do manuscrito de Policarpo Quaresma: "Era bom saber se a alegria que trouxe à cidade a lei da abolição, foi geral pelo país. Havia de ser, porque já tinha entrado na convivência de todos a sua injustiça originária. Quando eu fui para o colégio, um colégio público, à rua do Rezende, a alegria entre a criançada era grande. Nós não sabíamos o alcance da lei, mas a alegria ambiente nos tinha tomado. A professora, D. Tereza Pimentel do Amaral, uma senhora muito inteligente, creio que nos explicou a significação da coisa; mas com aquele feitio mental de crianças, só uma coisa me ficou: livre! livre! Julgava que podíamos fazer tudo que quiséssemos; que dali em diante não havia mais limitação aos progressistas da nossa fantasia. Mas como estamos ainda longe disso! Como ainda nos enleiamos nas teias dos preceitos, das regras e das leis!"
Lilia não acredita, portanto, que seja coincidência o fato de que, nas costas de seu romance mais importante - e evidentemente autobiográfico - ele desenvolva tal tipo de raciocínio e mostre como esse era um momento de desencanto: nostálgico. "Aí estava, como ele mesmo dizia, "a República que não foi"."
Em dois artigos que serão divulgados em publicações especializadas, a pesquisadora detalha a passagem do escritor pelo Hospício Nacional de Alienados, iniciada em 1914. A partir de análise dos prontuários arquivados na biblioteca do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Lilia observa que, apesar de escritor de certa fama, reconhecido como voz crítica e atuante, Barreto é registrado como um alienado sujeito ao delírio do álcool. "Tudo ao contrário do que era seu grande sonho: o de projetar-se como uma persona literária e um testemunho desses novos tempos."

"LIMA BARRETO E O DESTINO DA LITERATURA" do inglês Robert Oakley

Comentários Moisés Basílio: Quem me conhece sabe que sou um grande leitor e admirador da obra do Lima Barreto. Bela notícia a publicação do estudo literário do inglês Robert Oakley, não vejo a hora de ler esse trabalho. Axé meu irmão Lima Barreto e Parabéns pelos seus 130 anos de nascimentos, completados ontem, dia 13 de maio de 2011.

Fonte: Sítio do Jornal O Estado de S. Paulo, em 14/5/2011, http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110514/not_imp719052,0.php
Estudo inglês chega ao país
Robert Oakley, que trata do processo criativo do autor, critica sua fraca repercussão no exterior
Raquel Cozer - O Estado de S.Paulo
Os estudos barretianos no Reino Unido sou eu, sintetiza o britânico Robert Oakley, professor aposentado de português e espanhol da Universidade de Birmingham. Tradutor de Fernão Lopes para o inglês e estudioso de longa data da produção brasileira no século 20, ele teve um de seus mais destacados trabalhos, The Case of Lima Barreto and Realism in the Brazilian Belle Époque, lançado em 1998 pela nova-iorquina Edwin Mellen Press - e, de lá para cá, seu objeto de estudo não despertou muito mais interesse entre leitores de língua inglesa.
"Os textos de Lima Barreto são virtualmente desconhecidos por aqui, apesar de uma tradução muito boa de Policarpo Quaresma, publicada uns 25 anos atrás. A literatura brasileira é ensinada em universidades britânicas, mas Barreto não figura entre o limitado cânone de "grandes obras" dessa produção estudada no Reino Unido", diz Oakley ao Sabático por e-mail, de Londres. Ele próprio só tomou conhecimento da qualidade literária do autor ao terminar de ler Machado de Assis e se questionar sobre o que teria acontecido na literatura brasileira pós-Machado - questão que pôde responder após adquirir, num sebo carioca, os 17 volumes das Obras Completas de Lima Barreto.
Treze anos depois da edição em inglês, The Case of Lima Barreto... ganha tradução pela Unesp, "bem revisada e atualizada", como ressalta o pesquisador, sob o título Lima Barreto e o Destino da Literatura. O nome da edição brasileira refere-se a um dos últimos trabalhos de Lima Barreto publicados em vida, em fins de 1921, no periódico carioca Revista Souza Cruz. Intitulado O Destino da Literatura, o texto foi elaborado como teor de uma palestra que ele ministraria em meados daquele ano em São José do Rio Preto - o futuro do pretérito cabe aqui porque, no dia da conferência, o tímido escritor, que nunca havia falado a um grande público antes, desapareceu e foi localizado bem mais tarde num botequim, completamente embriagado.
Esse texto, que Lima Barreto produziu com base especialmente em ideias de Tolstoi (no ensaio O Que É a Arte) e Jean-Marie Guyau, serve como linha condutora do estudo de Oakley. A partir dele, o britânico analisa o percurso do processo criativo do ficcionista, tomando como referência também suas pouco investigadas leituras - entre as quais se destacam ainda Thomas Carlyle, Johann Gottlieb Fichte e Anatole France.
Essa costura entre influências e produção ficcional permite compreender a concepção de literatura do autor de Clara dos Anjos, para quem a beleza estética depende da "substância" da obra - em outras palavras, para Barreto a importância da literatura reside não na forma, mas no conteúdo. O destino da literatura, segundo seus preceitos, seria uma missão quase divina, de penetrar o sentido da vida e promover a solidariedade humana.
É fato destacado entre os críticos da obra barretiana que o autor nem sempre foi capaz de seguir à risca suas intenções literárias. Entre as teses que Oakley defende está a de que, apesar do compromisso inicial de Recordações do Escrivão Isaías Caminha com a criação do "negrismo" na literatura brasileira, essa cruzada foi relegada a segundo plano por muito tempo, enquanto questões como a fragmentação e a alienação do País chamavam mais a atenção do escritor. Do mesmo modo, apesar de uma "teimosa coerência", como define Oakley, na atitude de Lima ao longo dos anos, a análise de sua produção - em especial das três versões de Clara dos Anjos, de 1904, 1919 e 1921-22 - permite entender como seu engajamento literário sofreu transformações no decorrer da vida.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

História da África - edição UNESCO

Comentários Moisés Basílio: Sempre namorei essa coleção. Agora ela está inteirinha à disposição para ser baixada na Internet. Muito boa notícia. Axé!

Coleção História Geral da África disponível na Internet

Os oito volumes da coleção completa História Geral da África está disponível em português na internet. Esse é um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, pois é um importante marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África. A obra permite a seus leitores compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos. 
 
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Download gratuito (versão em português):
· Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)

Fonte: Boletim do NPC Nº 182De 1 a 15/12/2010 - http://www.piratininga.org.br/