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segunda-feira, agosto 02, 2010

Ênfase em responsabilização de professor é danosa para a educação


Comentários Moisés Basílio: 
Os sistemas de educação brasileiro (federal, estaduais e municipais) nas últimas décadas importou as principais diretrizes das reformas educacionais implementadas nos Estados Unidos. Aqui ainda funciona aquela máxima citada na peça "Calabar: o Elogios da Traição" (1973) de Chico Buarque e Ruy Guerra e que remetia a um embaixador brasileiro da ditadura nos Estados Unidos (1964): "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil".
Agora o jornalão OESP, depois de "metralhar" sistematicamente os docentes brasileiros e cotidianamente em suas páginas desvalorizar o ensino das escolas públicas, por suas baixas notas nos "ranking" das avaliações padronizadas, nos traz um entrevista com uma grande autoridade e pesquisadora do modelo educacional americano que nos diz: "Nota não é tudo" e "ênfase na responsabilização do professor é danosa para a educação".
“Gerentões” dos sistemas de ensino e pedagogos de plantão estão com a pulga atrás da orelha, pois seus discursos terão que mudar. Como bons "papagaios de piratas" já estão captando os novos discursos que chegam do hemisfério norte. Axé!

'Nota mais alta não é educação melhor'

Diane Ravitch, ex-secretária-adjunta de Educação dos EUA

02 de agosto de 2010 | 0h 00 -
Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Erro. Ênfase em responsabilização de professor é danosa para a educação, afirma Diane
Uma das principais defensoras da reforma educacional americana - baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas - mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.
Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação.
Suas revisão de conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia entrevista concedida por Diane ao Estado.
Por que a senhora mudou de ideia sobre a reforma educacional americana?
Eu apoiei as avaliações, o sistema de accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo.
Em sua opinião, o que deu errado com os programas No Child Left Behind e Accountability?
O No Child Left Behind não funcionou por muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter 100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer que isso não aconteceria - e não aconteceu. Segundo, os Estados acabaram diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim, porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações mínimas.
Qual é o papel das avaliações na educação? Em que elas contribuem? Quais são as limitações?
Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações. Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes, e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria, apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação. Qualquer medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste.

Na sua avaliação, professores também devem ser avaliados?
Professores devem ser testados quando ingressam na carreira, para o gestor saber se ele tem as habilidades e os conhecimentos necessários para ensinar o que deverá ensinar. Eles também devem ser periodicamente avaliados por seus supervisores para garantir que estão fazendo seu trabalho.
E o que ajudaria a melhorar a qualidade dos professores?

Isso depende do tipo de professor. Escolas precisam de administradores experientes, que sejam professores também, mais qualificados. Esses profissionais devem ajudar professores com mais dificuldades.

Com base nos resultados da política educacional americana, o que realmente ajuda a melhorar a educação?
As melhores escolas têm alunos que nasceram em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido, em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história, artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes. Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação.
O que se pode aprender da reforma educacional americana?
A reforma americana continua na direção errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem punitiva que começamos no governo Bush. Privatizações de escolas afetam negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral. E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a destruí-los.

Quais são os conceitos que devem ser mantidos e quais devem ser revistos?
A lição mais importante que podemos tirar do que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação. Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação.
QUEM É
É pesquisadora de educação da Universidade de Nova York. Autora de vários livros sobre sistemas educacionais, foi secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação entre 1991 e 1993, durante o governo de George Bush. Foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para o National Assessment Governing Board, órgão responsável pela aplicação dos testes educacionais americanos.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Prova dos professores temporários da rede paulista de educação


Comentários Moisés Basílio: 
Embora os números dos reprovados sejam assustadores numa primeira leitura, se atentarmos bem para como tem se dado a formação inicial dos professores, principalmente no ensino superior privado que tem o monopólio da formação de professores atualmente, o resultado está dentro da normalidade.
Também não é privilégio dos professores esse baixo desempenho. Se comparados com outras categorias  profissionais podemos considerar positivo o fato de mais de 50% dos professores terem sido aprovados no tal exame.
No exame do Conselho Regional de Medicina de SP, de 2009, que não é obrigatório, 66% dos médicos foram reprovados. Já na primeira fase do exame da OAB, 88% dos inscritos no estado de São Paulo foram reprovados.
No caso específico dos professores a solução viável é aumentar o investimento na formação continuada  em uma ponta, e na outra ponta realizar uma maior fiscalização e cobranças da qualidade de ensino das instituições que promovem a formação inicial. Bem ou mal, são esses os profissionais com que  contamos para o árduo trabalho do ensino.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - 27/1/10 - opinião - http://migre.me/hPrp

Professores reprovados




Os resultados da prova de seleção aplicada pela Secretaria Estadual da Educação para contratação de professores temporários da rede pública de ensino básico mostram por que a categoria se recusava a ser avaliada. Dos 181 mil docentes que se submeteram ao exame, preparado pela Unesp e aplicado em dezembro de 2009, cerca de 88 mil não alcançaram a nota mínima para lecionar. Ou seja, quase metade dos candidatos foi reprovada, não tendo acertado metade das 80 questões. E como um quinto da nota final vem de uma pontuação recebida pelos anos de serviço na rede, o desempenho médio dos docentes pode ter sido ainda mais constrangedor. Muitos reprovados já trabalham em sala de aula.

A prova de seleção dos temporários foi imposta em 2008 pelo governador José Serra. Até então, as exigências para a contratação eram apenas os diplomas dos candidatos e o tempo de serviço na rede escolar. Na ocasião, a Secretaria da Educação chegou a submeter os temporários a um teste, no qual 3 mil não acertaram nenhuma das 25 questões. Contudo, a categoria obteve na Justiça uma liminar, alegando que não havia base legal para a avaliação. Serra enviou, então, um projeto de lei à Assembleia Legislativa, que o aprovou em regime de urgência, no ano passado.

Contratados apenas para atender à demanda das escolas públicas do Estado, os temporários são professores que não realizaram concurso para ingressar na carreira do magistério público. Dos 230 mil docentes da rede pública de ensino médio, entre 40% e 50% tiveram contratos temporários ao longo de 2009. Muitos lecionam há anos e jamais haviam sido avaliados antes.

Ao obrigar os temporários a se submeterem a uma prova de seleção, o governo estadual queria estimular a categoria a se capacitar. Por isso, a Secretaria da Educação prometeu não recontratar quem não obtivesse média superior a 5 no teste aplicado em dezembro. Isso valia até para os professores com mais de três anos de trabalho na rede escolar, e que são considerados estáveis por uma lei estadual de 2007. Como não podem ser demitidos, a ideia era transferir os docentes reprovados das salas de aula para postos administrativos.

Agora, com os resultados alarmantes da prova, a Secretaria da Educação está numa situação embaraçosa. Sem os professores temporários reprovados, ela não conseguirá oferecer aulas aos mais de 5 milhões de alunos que estudam nas 5,3 mil escolas da rede estadual. O problema é que, ao contratar docentes não qualificados, o governo estará dando um passo atrás em sua tentativa de melhorar a qualidade do ensino público no Estado. Que tipo de atividade didática esperar de quem não conhece a disciplina que ensina?

"Professores despreparados podem já ter causado prejuízo ao aprendizado dos alunos nos anos anteriores", diz o professor Paulo Braga Barone, do Conselho Nacional de Educação. "Minha primeira obrigação é garantir aulas aos alunos", rebate o secretário Paulo Renato Souza, admitindo a contratação de docentes não qualificados. A maior dificuldade está nas disciplinas de matemática e física, pois há muito tempo se registra um grande déficit de professores com licenciatura na área de ciências exatas. Para tentar minimizar o problema, o secretário está prometendo criar cursos a distância para capacitações em matérias específicas.

O problema, como reconhecem os especialistas, é que essas providências são emergenciais e seus resultados costumam ser duvidosos. O mais adequado seria criar cursos de formação continuada, oferecer bolsas de estímulo à capacitação docente e criar referenciais de qualidade para quem leciona na rede pública sem concurso. Essas medidas já fazem parte da política da Secretaria da Educação, mas sua implantação, além de ser lenta, esbarra em conflitos corporativos entre o governo e as lideranças sindicais do professorado. As autoridades educacionais reclamam do excesso de politização nas demandas dos docentes. E estes, por seu lado, reclamam da má qualidade do material didático.

Quem perde são os alunos, cuja formação está entregue a quem não tem condição de ensinar.

Fonte: Sítio do iG - 15/12/10 - 16h11 -  http://migre.me/hPAg

Exame do Conselho Regional de Medicina de SP reprova metade dos estudantes formados

Carolina Rocha
Pelo terceiro ano consecutivo, menos da metade dos estudantes que se formaram em medicina foi aprovada pelo exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Neste ano, apenas 44% dos alunos tiveram desempenho considerado satisfatório.
Em comparação com 2008, a aprovação dos estudantes melhorou. No ano passado, apenas 39% foram aprovados. Porém a participação dos formandos em medicina caiu de 730 inscritos para 621.
A prova do Cremesp não é obrigatória, não é exigida para que os médicos obtenham a licença para trabalhar (CRM) e recebe apenas estudantes voluntários. O Estado de São Paulo é o único do País que aplica o exame aos estudantes que estão saindo da universidade, para avaliar a qualidade dos cursos.
"Só participam do exame aqueles alunos que se consideram bem, que tiraram boas notas. Existem casos em que a faculdade faz um pool de alunos bons para que seu conceito apareça bem na estatística", explica o coordenador do exame, o médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Braulio Luna Filho.
Para ele, a qualidade do ensino de medicina no Brasil é precária e "mais da metade das escolas deveria ser fechadas, especialmente as que não oferecem campus para treinamento". "O Cremesp acaba recebendo do judiciário a responsabilidade de avaliar os casos de erro médico. Somente em São Paulo estamos registrando mais de 4500 casos em 2009", diz Luna Filho.
Boicote
O Cremesp acredita que diversas universidades fazem boicote ao exame. "Tem universidade que não manda nenhum estudante para o exame. Em outras o boicote fica por parte dos professores, que marcam avaliação exatamente no dia da nossa prova", comenta o coordenador.
Segundo ele, "não é do interesse das escolas de medicina ter o nome delas associado a um mau resultado dos alunos e elas preferem boicotar a melhorar o ensino".
A faculdade que mais teve representantes no exame deste ano foi a Unifesp, com 94 participantes (58,5% de aprovados), seguida pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que teve 87 representantes, com 60,9% deles aprovados.
Erros básicos
A prova avalia conhecimentos de áreas básicas da medicina, como clínica médica, saúde mental, pediatria, bioética, ciências básicas, entre outras. Neste ano, a prova de clínica médica, área da medicina que abrange conhecimentos básicos e é exigida dos profissionais que trabalham em prontos-socorros, teve média de 48,45% de acerto das questões.
Dos 621 participantes, 49% não foram capazes de acertar o diagnóstico de apendicite aguda sugerido numa questão. Uma questão sobre as características da gripe suína foi respondida corretamente apenas por 39% dos formandos.
"Esses estudantes, especialmente os das escolas ruins, são os que acabam parando nas unidades de emergência dos hospitais públicos, pois não conseguem uma vaga de residência nos melhores hospitais", comenta o coordenador.
Somente em São Paulo, 2.600 médicos se formarão em 2009 nas 31 escolas de medicina do Estado.

Quarta-feira, 27 de maio de 2009, 21:03 | Online



Fonte: Sítio do Jornal O Estado de S. Paulo, 27/5/09 - 21h03 - Online - http://migre.me/hPGe

SP tem 88% de reprovação na 1ª fase do exame da OAB

Presidente da entidade no Estado diz que resultado reflete má qualidade do ensino jurídico
Bruna Tiussu - Especial para O Estado de S. Paulo



SÃO PAULO - Advogados e professores paulistas ficaram surpresos com o desempenho dos bacharéis de São Paulo no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Apenas 12% dos 18.925 candidatos do Estado inscritos na prova foram aprovados para a segunda etapa do exame. Com esse resultado, São Paulo ficou à frente de apenas dois Estados, Amapá, com 11,6%, e Mato Grosso, com 11,8%. Sergipe ficou em primeiro lugar, com 33% de aprovação. O índice médio de todo o País foi de 17%, para um total de 59.834 inscritos. 
Segundo o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, os resultados foram muito aquém do esperado. "O índice geral surpreende negativamente. Sergipe teve o melhor desempenho, mas há que se considerar que lá existem poucas faculdades de Direito. Em São Paulo há mais de 200 instituições de ensino jurídico e o alto índice de reprovação reflete a qualidade desse ensino no Estado." Os candidatos reprovados podem recorrer à Comissão de Estágio e Exame da Ordem da OAB-SP até sexta-feira.

Esta foi a primeira vez que São Paulo participou da prova nacional, com cem questões, que incluiu três novas áreas: Direito Internacional, do Consumidor e Ambiental. Antes, os bacharéis paulistas participavam do exame regional, feito pelo OAB-SP. Para D'Urso, a adoção do exame unificado não foi a responsável pela reprovação de 88% dos candidatos. "O nível deste exame é o mesmo do anterior."

D'Urso afirmou que a média de aprovação no exame regional nos últimos anos girava em torno de 20%. Ele disse que a inclusão de novas áreas na prova não foi determinante para o péssimo desempenho dos bacharéis de São Paulo. De acordo com a OAB-SP, tanto a prova regional quanto a nacional já abordavam aspectos do Direito Internacional, do Consumidor e Ambiental em questões de outras disciplinas.

"O Exame de Ordem tem se mostrado indispensável, principalmente quadro se verifica que poucas faculdades de direito conseguem formar adequadamente seus bacharéis, sobretudo em razão da ampliação desenfreada do número de cursos", afirma a presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), Maria Odete Duque Bertasi.

Para o professor Marcelo Cometti, coordenador do cursinho da OAB do Damásio de Jesus, a principal dificuldade dos candidatos está na interpretação das questões. "O exame exigia uma boa leitura, raciocínio lógico e a capacidade de relacionar os conhecimentos." Para ele, é injusto atribuir a culpa do baixo índice de aprovação só aos cursos de Direito. "O resultado é, sim, reflexo do despreparo do candidato, mas o problema não se limita aos cursos de graduação. O que falta são habilidades básicas."

Augustinho Antonio Pereira Aires está entre os 12% que farão a segunda fase do exame. Formado em 2008 pela Uniban, ele acredita que o nervosismo é o fator que mais atrapalha os candidatos do exame da OAB. "É a quarta vez que eu tento e o nível da prova continua o mesmo, pelo menos nesta primeira etapa. O conteúdo cobrado está dentro do que é dado durante o curso de Direito, o aluno tem que assimilar este conhecimento, não só decorá-lo. E conseguir o mais difícil, manter a tranquilidade durante a prova."

O exame da segunda fase está marcado para 28 de junho e a nota mínima para aprovação é 6. A prova também terá três novas áreas: Direito Administrativo, Constitucional e Empresarial.



terça-feira, agosto 11, 2009

“Conseguir uma educação de qualidade é possível, como demonstraram os muitos países que deram esse salto”

Comentários Moisés Basílio:
Mais um artigo sobre escola e avaliação escrito por um economista que publico aqui nesse espaço em agosto. A pauta de uma reforma educacional está na crista da onda na atual conjuntura brasileira.
Mas, qual a reforma educacional que se propõe? Aí não há consensos. Ainda teremos que debater por muito tempo, até formamos um pensamento de maioria para poder implementar as mudanças. Inclusive teremos que debater o sentido das atuais avaliações que estão sendo propostas, embora concorde com Castro que o atual sistema de avaliações é de suma importância para iniciarmos esse debate, com um grau maior de qualidade. Axé!


Fonte: VEJA 02/08/2009
Cláudio de Moura Castro é economista.

O próximo passo

É preciso entender que em educação, como em outros setores, há etapas a ser vencidas. Enquanto faltam escolas, construí-las tem um impacto fulgurante nas estatísticas. Mas essas escolas são apenas caricaturas se lhes faltam livros, equipamentos e professores. Suprir essas lacunas resulta também num grande salto na matrícula e na qualidade. O passo seguinte é ter professores minimamente preparados, uma administração central operante, currículos claros e não estar em greve todos os meses (seja de quem for a culpa). Esses aperfeiçoamentos trazem ainda bons frutos na qualidade e na deserção. Mas, daí para a frente, os erros e deficiências vão se tornando menos óbvios, as correções mais sutis e o seu impacto resvaladiço. As mudanças fáceis já foram feitas, restam aquelas politicamente mais conflitantes. Ou seja, mais se avança, mais difíceis se tornam os avanços subsequentes.

Faz algumas décadas, estávamos vergonhosamente distantes de países como Chile, Argentina e Uruguai – os menos ruins da América Latina. Na verdade, as matrículas eram inferiores às da Bolívia e do Paraguai. A um ritmo espantosamente rápido, conseguimos nos aproximar do nível de matrícula do Chile, da Argentina e do Uruguai. Nenhum outro país latino-americano avançou tão depressa nas últimas décadas. Não é pouca coisa. De fato, a partir da década de 90, acelera-se a expansão do nosso ensino, com a clara liderança dos estados mais prósperos. Crescem Minas, Rio Grande do Sul e Paraná, mais do que os outros. Norte e Nordeste permanecem travados. Mais para o fim da década, começam a avançar os retardatários. Ao fim do milênio, a universalização da matrícula é obtida. O desafio maior passa a ser a qualidade. Não obstante, tanto na matrícula quanto na qualidade, começamos a patinar, avançamos pouco ou estagnamos. Depois que fizemos o fácil, os próximos passos são mais árduos e de impacto mais diáfano.

A última rodada do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostra que começamos a encontrar problemas para avançar. Estacionaram estados tradicionalmente com melhores resultados, como Minas, Rio Grande do Sul e São Paulo. Em contraste, só avançam os estados do Norte, os mais atrasados. Ou seja, progridem apenas aqueles em que o mais simples ainda estava por fazer. Travam aqueles cujas falhas não estão mais em erros grosseiros, mas em desvios menos óbvios. Conhecemos os problemas. Precisamos lidar com muitos professores que apenas parecem ensinar, porque aprenderam em arremedos de faculdade. De fato, os professores não aprendem a dar aulas. Nos primeiros anos, seus alunos são cobaias. Não há prêmios para quem faz certo ou puxões de orelha para os incompetentes e negligentes. A administração é perfeita no papel, mas capenga na implementação. O currículo é para gênios ou é ambíguo – ou ambos. Em muitas redes educativas, a politicagem ainda não foi expulsa da escola. O tempo de classe é insuficiente na regra formal e ainda menor depois que se descontam feriados, festas, greves, atrasos e perdas de tempo de todos os tipos. E por aí afora. Para resolver esses problemas, não teremos sucesso sem pisar nos calos dos que resistem às mudanças.

Em resumo, é relativamente fácil chegar a uma educação medíocre para todos ou quase todos (embora isso nos tenha consumido cinco séculos). O grande problema é que hoje os números mostram estagnação da matrícula, evasão elevada – sobretudo no ensino médio – e qualidade sem avanços substanciais. O desafio é conseguir uma educação de qualidade. Que é possível demonstraram os muitos países que deram esse salto. Alguns são até mais pobres do que o Brasil, e quase todos os ricos eram mais pobres quando deram esse salto.

O grande trunfo do país é a existência de uma avaliação escola por escola. Prova Brasil, Ideb e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostram exatamente onde estamos e quanto avançamos – que se calem os palpiteiros. Esperamos que essa avaliação indique os progressos a ser obtidos em um futuro próximo. Porque nunca houve tanta atenção e mobilização social em prol da nossa educação. Não podemos contar com reformas voluntaristas, frutos do idealismo e destemor de um ou outro. Somente uma exigência irrecusável da nossa sociedade será capaz de empurrar o sistema educativo para a frente e para enfrentar as mudanças politicamente penosas.