quarta-feira, junho 17, 2009

Pesquisa internacional sobre ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho que as escolas oferecem aos professores

Comentários Moisés Basílio: Peguei hoje os resultados dessa pesquisa para estudar. A primeira vista são dados ricos para uma boa reflexão. Axé!

Pesquisa internacional mostra que diretores das escolas brasileiras têm menos autonomia que no resto do mundo

Diferentemente da situação em outros países, no Brasil as mulheres ocupam mais cargos de direção nas escolas que os homens, os contratos de trabalho são menos estáveis e apenas 26,6% dos professores estão em escolas em que os diretores têm autonomia para contratação de docentes. Essas são algumas das constatações da pesquisa Talis – Teaching and Learning International Survey, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e coordenada no Brasil pelo Inep/MEC, lançada hoje.

A pesquisa foi realizada por amostragem, nos anos de 2007 e 2008, em 24 países: Austrália, Áustria, Bélgica (Comunidade Flamenga), Brasil, Bulgária, Dinamarca, Eslovênia, Estônia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coréia, Lituânia, Malta, Malásia, México, Noruega, Polônia, Portugal e Turquia. No caso do Brasil, a amostra foi composta por 400 escolas, sendo que nas bases de dados internacionais foram consideradas 380 escolas e 5.834 professores.

A Talis foi a primeira pesquisa internacional a levantar dados sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho que as escolas oferecem aos professores. Foram coletadas informações sobre liderança escolar, avaliação dos professores e feedback, desenvolvimento profissional e atitudes, crenças e práticas educacionais dos professores das séries/ anos finais do ensino fundamental (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano) e dos diretores das escolas da amostra.

Outras questões abordadas pela pesquisa foram o tamanho das turmas, proporção de professores em relação ao pessoal administrativo e proporção de professores em relação a pessoal de apoio pedagógico.


Pesquisa Talis - Nota para o Brasil

A Talis (Teaching and Learning International Survey) foi uma pesquisa sobre ensino e aprendizagem realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como parte do programa INES, coordenada, a nível nacional, pelo Inep. Foi a primeira pesquisa internacional a levantar dados sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho que as escolas oferecem aos professores, tendo como objetivo contribuir para o desenvolvimento de políticas educacionais mais efetivas nessa área.

Foram coletadas informações sobre liderança escolar, avaliação dos professores e feedback, desenvolvimento profissional e atitudes, crenças e práticas educacionais dos professores das séries/ anos finais do ensino fundamental (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano) e dos diretores das escolas da amostra.

A pesquisa foi realizada por amostragem, nos anos de 2007 e 2008, em 24 países: Austrália, Áustria, Bélgica (Comunidade Flamenga), Brasil, Bulgária, Dinamarca, Eslovênia, Estônia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coréia, Lituânia, Malta, Malásia, México, Noruega, Polônia, Portugal e Turquia. Apesar das diferentes formas de se realizar a amostra entre os países, em média, 200 escolas de cada país participaram da

pesquisa. Nessas escolas, os diretores e em torno de 20 professores, selecionados aleatoriamente, preencheram os questionários. No caso do Brasil, a amostra foi composta por 400 escolas, sendo que nas bases de dados internacionais foram consideradas 380 escolas e 5.834 professores.

Nesta nota, encontram-se os principais destaques dos resultados da pesquisa, assim como a comparação dos dados dos países com os do Brasil. É importante ressaltar que três características da pesquisa precisam ser levadas em consideração na interpretação de seus resultados. A primeira é que as respostas de professores e diretores oferecem preciosas informações; contudo, deve-se ter em mente que elas têm forte componente subjetivo. A segunda é que com a Talis, pode-se identificar associações entre diferentes aspectos da escola e dos professores; todavia, não há a possibilidade de se provar “causa” e “efeito”. A última é que, como qualquer outra pesquisa internacional, necessita-se considerar as influências culturais nas comparações entre os países.

Com esses cuidados, os resultados da Talis podem fomentar diversas discussões para formulação, implementação e avaliação de políticas públicas.

Mais informações sobre a Pesquisa Talis, assim como sumário executivo, dados e tabelas podem ser obtidos gratuitamente no site www.oecd.org/edu

PERFIL DAS ESCOLAS DE 5ª A 8ª SÉRIES/ 6° AO 9º ANO

E DE SEUS PROFESSORES

O perfil das escolas de 5ª a 8ª séries/ 6º ao 9° ano e de seus professores fornece um importante contexto para que se possa examinar os principais temas educacionais abordados pela pesquisa Talis.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Mesmo sendo a maioria entre os professores, as

mulheres representam apenas 45% dos diretores,

o que sugere restrição nas possibilidades de

promoção para o sexo feminino dentro das

escolas.

· Esse padrão não se observa – No Brasil,

73,6% e 76% dos professores e diretores,

respectivamente, são do sexo feminino.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· O perfil etário dos professores varia

consideravelmente entre os países,

contudo a força de trabalho está

envelhecendo. Na maioria dos países, os

professores têm, em média, mais do que

40 anos.

· O percentual de professores com mais de

50 anos é quase o dobro do percentual de

professores com menos de 30. Em média,

27% está com mais de 50 anos e apenas

15% está com menos de 30 anos.

· Isso significa que muitos países

necessitarão substituir um grande número

de professores aposentados.

· No Brasil, o perfil etário dos professores é

bem jovem:

Professores com menos de 30 anos: 22%

Professores com mais de 40 anos: 43,9%

Professores com mais de 50 anos: 12,4%

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A profissão de professor é uma profissão

estável e segura. Entre os países

participantes da pesquisa 85% dos

professores têm contratos permanentes e

2/3 deles lecionam há mais de 10 anos.

· Contudo, professores que estão

começando na profissão têm que enfrentar

a insegurança de contratos temporários.

· Pelo menos 1 em cada 4 está trabalhando com contrato por tempo determinado.

· No Brasil, 74,2% dos professores têm

contratos permanente e 25,8% temporários e

51,7% dos professores lecionam há mais de

10 anos

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· ¾ dos professores estão em escolas em

que os diretores têm pouca autonomia em

relação ao salários dos professores.

· Contudo, grande parte deles tem grande

autonomia em outras áreas, tais como

contratação e demissão, orçamento

escolar, procedimentos disciplinares, etc.

· No Brasil, 87,2% dos professores estão em escolas em que os diretores têm pouca

autonomia em relação à determinação do

aumento do salário dos professores.

· O Brasil não apresenta muita autonomia em contratação e demissão (26,6% e 25,4%,

respectivamente). Já a autonomia em relação ao orçamento escolar é um pouco maior, 57,2%, mas ainda fica abaixo da média da Talis, que é de 75,3%. No estabelecimento de procedimentos disciplinares, o Brasil apresenta um percentual de 93,2, próximo a média da Talis, 95,0%.

DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES

Os sistemas educacionais devem possibilitar aos professores oportunidades para desenvolvimento profissional para que possam obter uma força de trabalho de alta qualidade. A pesquisa Talis examina a oferta por desenvolvimento profissional, o grau de demanda por esse desenvolvimento e os fatores que suportam ou impedem que as necessidades de aprimoramento não sejam atendidas.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Outras questões abordadas pela pesquisa

foram o tamanho das turmas, proporção de

professores em relação a pessoal

administrativo e proporção de professores

em relação a pessoal de apoio pedagógico.

· A maior variação se deu nesta última.

Alguns países como Islândia têm 1 pessoa

de apoio pedagógico para cada 6

professores, enquanto Áustria, Bélgica,

Itália e Turquia têm menos de 1 para cada

20 professores.

· Parece também haver um trade-off entre

número de professores e de pessoal de

apoio pedagógico. Por exemplo, o México

parece compensar turmas numerosas com

mais suporte pedagógico. O oposto

acontece na Áustria, que tem menos apoio

pedagógico, mas turmas menores que a

média.

· Tamanho médio das turmas: 32,2

· Número de professores por pessoal de apoio pedagógico: 11,9

· Número de professores por pessoal

administrativo: 6,9

· O Brasil possui 1 pessoa de apoio pedagógico para cada 12 professores.

· Acredita-se que o Brasil se encaixa no tradeoff, analisando os dados da Áustria e do México:

Áustriaà tamanho médio das turmas: 21,1

Número de professores por pessoal de

apoio pedagógico: 24,1

Méxicoà tamanho médio das turmas: 37,8

Número de professores por pessoal de

apoio pedagógico: 7,9

Brasilà tamanho médio das turmas: 32,2

Número de professores por pessoal de

apoio pedagógico: 11,9

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Os diretores das escolas apontaram uma

série de fatores que prejudicam a capacidade de ensino das escolas. Mais de

1 em cada 3 professores trabalham em escolas em que o diretor acredita que a

escola sofra de falta de professores

qualificados, e este percentual varia de

12% na Polônia até 78,1% na Turquia.

· Além deste, outros fatores frequentemente

citados foram falta de equipamento e falta

de pessoal de suporte instrucional.

· No Brasil, 31,1% dos professores estão em escolas em que os diretores acreditam que a falta de professores qualificados atrapalha o ensino nas escolas. A média da Talis é de 37,5%.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Os professores e o ensino são fortemente

afetados pelo clima escolar.

· A pesquisa demonstrou que, em alguns

países, aspectos negativos no

comportamento dos professores, tais como

absenteísmo e falta de preparo

freqüentemente atrapalham o ensino. Na

Itália (53,4%) e no México (70,2%), por

exemplo, a maioria dos professores

leciona em escolas em que os diretores

acreditam que a falta de preparo do

docente prejudica o ensino.

· Contudo, o comportamento dos alunos é

mais comumente citado como

impedimento a aprendizagem. 60% dos

professores estão em escolas em que o

diretor acredita que perturbações em sala

de aula prejudicam o ensino.

· Desse modo, a disciplina em sala de aula

parece ser um desafio. O ponto positivo é

que os diretores parecem estar atentos a

isso.

· Percentual de professores que trabalham em escolas em que o diretor considerou os

seguintes comportamentos dos professores

como prejudiciais ao ensino:

- Atrasos: 25,5% dos professores lecionam em escolas em que os diretores acreditam que esse fator prejudica a capacidade de ensino.

- Absenteísmo: 32,3% dos professores lecionam em escolas em que os diretores acreditam que esse fator prejudica a capacidade de ensino.

- Falta de preparo : 35,8% dos professores lecionam em escolas em que os diretores acreditam que esse fator prejudica a capacidade de ensino.

· Quanto ao comportamento do estudante, nos resultados do Brasil podemos observar que o aspecto que mais atrapalha a aprendizagem é o de perturbações em sala de aula, com um percentual de 60,2%.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A maior parte dos professores (quase 9

entre 10) participaram de algum

desenvolvimento profissional nos últimos

18 meses e, em média, 55% afirmaram

que gostariam de ter tido mais

oportunidades de se desenvolver

profissionalmente.

· Em alguns países, tais como Bélgica e

Eslovênia, 2/3 dos professores relataram

que receberam suficiente desenvolvimento

profissional, já em outros, mais de 80%

afirmaram que não receberam

desenvolvimento profissional suficiente. O

mesmo se deu na Malásia e no México.

· No Brasil, 83,0% dos professores afirmaram ter participado de algum desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses, enquanto a média da Talis foi de 88,5%.

· No Brasil, 84,4% dos professores afirmaram que gostariam de ter tido mais oportunidades de se desenvolver profissionalmente.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A demanda dos professores por mais

desenvolvimento profissional está concentrada em determinadas áreas. 1 em cada 3 professores afirma necessitar de mais desenvolvimento para trabalhar com alunos de educação especial.

· Outras áreas muito citadas por professores para desenvolvimento profissional foram ensino de TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) e problemas de disciplina e

comportamento dos estudantes.

· No Brasil, as áreas de maior demanda por

desenvolvimento profissional são Educação

Especial, com 63,2%, e Habilidades em TIC para o ensino, com 35,6%.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Entre os países participantes da Talis, 2/3 dos professores afirmam não terem pago nada pelo seu desenvolvimento profissional

· Uma proporção similar afirma ter sido liberada pelo empregador para poder fazer o

desenvolvimento.

· Esses números indicam um importante

investimento no desenvolvimento profissional dos professores pelas escolas e autoridades públicas.

· No Brasil, 54,8% dos professores não tiveram que pagar pelo seu desenvolvimento profissional, enquanto a média da Talis foi de 65,2%.

· Além disso, 56,2% dos professores afirmaram ter recebido dispensa, durante o período regular de trabalho.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A Talis investigou os motivos de impedimento em relação a treinamento profissional dentre os professores que afirmaram necessitá-lo. A razão mais comumente citada (em torno de 50%) foi o

conflito de horários dos cursos com o trabalho.

· Quase o mesmo percentual citou a falta de

desenvolvimento profissional compatível com

seus interesses.

· No Brasil, a razão mais comumente citada como impedimento da participação em mais atividades de desenvolvimento profissional foi o conflito com o horário de trabalho, com 57,8%, seguido de perto de custos demasiadamente elevados, com 51%. A média da Talis para esses duas razões foi de, respectivamente, 46,8% e 28,5%.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A grande maioria dos professores disse que o desenvolvimento profissional obtido teve um impacto moderado ou alto em sua atividade profissional.

· O desenvolvimento profissional que trouxe maior impacto foi os programas de qualificação e pesquisa. Contudo, o percentual de professores que participaram desses cursos é pequeno.

· Isso demonstra que os formuladores de políticas públicas precisam assegurar incentivos e apoio para os tipos de desenvolvimento profissional que são mais efetivos e estão de acordo com as

necessidades dos professores.

· No Brasil, o tipo de desenvolvimento profissional que apresentou maior impacto foram os programas de qualificação, com 87,2%. A participação dos professores nesse tipo de programa no Brasil foi de 40,8%, sendo que a média da Talis foi de 24,5%.

PRÁTICAS DE ENSINO, CRENÇAS E ATITUDES DOS PROFESSORES

As práticas, crenças e atitudes dos professores são importantes para entender e aprimorar os processos educacionais. A pesquisa Talis examina como eles podem ser relevantes para a melhoria e efetividade das escolas.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A visão construtivista (que acredita que o

professor tem o papel de facilitador da

aprendizagem do aluno) recebeu mais apoio dos professores participantes da pesquisa do que a visão da “transmissão direta” (em que o professor é responsável pela transmissão do conhecimento e responsável por fornecer as respostas corretas).

· A visão construtivista é predominante nos países do noroeste da Europa, Escandinávia, Austrália e Coréia.

· É importante notar que, para muitos professores, essas duas visões não estão em competição, uma vez que é sugerido que estes vêem ambas visões como complementares.

· No Brasil, a predominância da visão construtivista é menor do que nos países citados anteriormente. O mesmo pode ser observado nos países do sudeste da

Europa e Malásia.

· O Brasil é um dos países em que as duas visões são vistas com menos oposição por seus professores. Esse comportamento também foi observado na Coréia, Malásia e México.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Os professores utilizam mais em seu ensino

práticas estruturadas, que são aquelas em que os alunos têm um papel mais passivo no processo de aprendizagem, em detrimento de práticas orientadas para que os alunos participem mais ativamente no processo de aprendizagem.

· Os professores de matemática são os que mais utilizam essas práticas estruturadas. Já os

professores de humanidades e artes são mais

abertos a outras formas de aprendizagem, mais voltadas para a aquisição do conhecimento pelo próprio aluno.

· Percebem-se também diferenças entre professores do sexo masculino e feminino. As professoras utilizam mais as práticas que possibilitam aos alunos uma aprendizagem mais autônoma do que os professores.

· No Brasil também há a preferência pelas práticas estruturadas.

· O Brasil segue o padrão internacional na

utilização das práticas estruturadas em relação às disciplinas.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Os resultados mostram que a maioria dos

professores dos países participantes da pesquisa raramente colabora diretamente uns com os outros, a maior parte das cooperações envolve troca de idéias e informações.

· Há, entretanto, grandes diferenças entre os países, sendo a colaboração profissional mais comum na Noruega, em Portugal e na Espanha, e muito menos comum na República Eslovaca, Eslovênia e Turquia.

· Há diferenças de gênero, pois as professoras se engajam mais em atividades de cooperação com outros os colegas do que seus companheiros do sexo masculino.

· Pode-se incentivar essa cooperação entre os

professores com o intuito de aumentar a

efetividade da escola.

· Os resultados brasileiros mostram que é mais comum as cooperações que envolvem troca de idéias e informações do que as colaborações profissionais mais diretas, tal como, observações em sala de aula para fornecer feedback.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Em torno de 50% dos professores gastam mais de 80% do tempo das aulas em ensino e

aprendizagem. Contudo, eles apontam que muito tempo é perdido em virtude de indisciplina dos alunos e atividades administrativas.

· 1 professor em cada 4 afirma perder 30% do

tempo de aula para a resolução desses dois

problemas.

· Mesmo dentro da mesma instituição de ensino há uma grande variação no percentual do tempo perdido entre professores, o que sugere que tais problemas estão mais relacionados com as habilidades individuais de cada professor do que o clima e a disciplina da própria escola.

· O Brasil é, entre os países participantes da

pesquisa, o que apresenta o menor tempo gasto em atividades de ensino e aprendizagem (70%) e o que mais consome tempo de aula na manutenção da ordem na classe (18%).

· Os resultados do Brasil indicam que um número substancial de professores não alcança o padrão mínimo de disciplina em sala de aula que permita o ensino.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A Talis perguntou acerca da satisfação dos

professores em relação ao seu trabalho e sobre a crença de que seu trabalho traz benefícios para seus estudantes. Para ambos os casos, as

diferenças entre países são pequenas.

· Já as diferenças entre professores da mesma escola são mais significativas.

· Os dados do Brasil mostram que a satisfação dos professores em relação ao seu trabalho é razoável e que a crença de que seu trabalho traz benefícios está abaixo da média mundial.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Uma das lições principais da pesquisa é de que a formulação de políticas públicas deve levar em consideração indivíduos professores) e não só o grupo, uma vez que a pesquisa indica que há maiores diferenças entre indivíduos do que entre escolas e países.

· A mesma conclusão pode ser aferida para o Brasil.

AVALIAÇÃO, RETORNO DA AVALIAÇÃO E SEUS

IMPACTOS SOBRE PROFESSORES E ESCOLAS

A avaliação da escola pode ter impacto sobre como se realiza a avaliação dos professores, e esta, por sua vez, pode afetar o que os professores fazem em sala de aula. Desse modo, a forma como a avaliação é realizada pode ser um importante ingrediente para a melhoria das escolas. A Talis coletou informações sobre a extensão dessa prática, sua cobertura e seus impactos para a mudança das práticas educacionais, para o desenvolvimento dos professores.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A maioria dos professores participantes da Talis afirma ter uma visão positiva da avaliação, pois consideram que ela pode até aumentar sua satisfação e segurança no trabalho.

· 8 em cada 10 afirmam ter passado por alguma avaliação ou ter recebido algum feedback em relação ao seu trabalho. Essas avaliações e esses feedbacks foram realizados, na maioria das vezes, por diretores ou outros professores da escola.

· No Brasil, 58,6% dos professores afirmam que a avaliação e/ou o feedback do seu trabalho impacta positivamente na sua satisfação em relação ao trabalho.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Nos países participantes da pesquisa, 1 professor em cada 5 não passou por nenhuma avaliação nos últimos 5 anos.

· 1/5 dos professores trabalham em escolas que não foram objetos de avaliação externa nos últimos 5 anos, mas menos de 1/3 trabalham em escolas em que não houve uma auto-avaliação.

· As avaliações e os retornos das avaliações têm claramente pouco impacto financeiro. Menos de 10% dos professores têm sua avaliação ligada a algum tipo de mudança salarial e apenas 16% têm os resultados ligados a avanço na carreira. Menos

do que 4 professores em 10 trabalham em escolas que têm o orçamento ligado a resultados da avaliação.

· No Brasil 18,9% dos professores não sofreu nenhum tipo de avaliação nos últimos 5 anos.

· No Brasil 24,4% dos professores nunca passaram por uma auto-avaliação da escola e 24,3% nunca sofreram nenhuma avaliação externa.

· No Brasil apenas 8,2% dos professores têm sua avaliação ligada a alguma mudança salarial, somente 5,5% conseguem algum tipo de gratificação financeira e 25,6% obtêm uma possibilidade de avanço na carreira.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Cerca de ¾ dos professores relataram que não receberiam maior reconhecimento se melhorassem a qualidade do seu trabalho.

· Uma proporção similar também acredita que não receberia maior reconhecimento por ser inovadora no ensino.

· Apenas cerca de 50% afirmaram que os diretores de suas escolas não utilizaram métodos efetivos para determinar suas performances.

· 3/4 dos professores trabalha em escolas que não premiam os professores efetivos e não punem ou demitem os com baixa performance.

· No Brasil temos uma porcentagem de 75,6% de professores que sofreram alguma avaliação.

· No Brasil 75,6% dos professores passaram por algum tipo de avaliação feita pela própria escola e 75,7% sofreram avaliação externa.

LIDERANÇA E ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR

A liderança escolar tem um papel vital no trabalho dos professores e na efetividade desse trabalho. A recente revolução no modelo escolar de liderança trouxe uma mudança substantiva, saindo de um modelo burocrático de administração para um paradigma de liderança para a aprendizagem”, sendo o diretor de escola o líder. A Talis é a primeira pesquisa internacional a dar detalhes sobre o comportamento e estilo de administração dos diretores de 5ª a 8ª série/ 6º ao 9º ano e a investigar se as novas tendências foram realmente adotadas e que impacto elas causaram nos professores.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· A utilização dessa nova forma de liderança difere muito entre os países. Em alguns, ela parece estar mais implementada do que em outros.

· O Brasil está acima da média na utilização da “liderança para a aprendizagem” pelos diretores, assim como Polônia e Eslovênia.

Resultados Globais

Resultados para o Brasil

· Surpreendentemente a pesquisa não mostrou

nenhum link entre as características da escola e a forma como a liderança é exercida. Também indicou haver pouca associação entre o estilo de liderança e as crenças, atitudes e práticas dos professores.

· O Brasil está acima da média na utilização da “liderança para a aprendizagem” pelos diretores, assim como Polônia e Eslovênia.

PRECONCEITO NA ESCOLA

Comentários Moisés Basílio: O problema é que onde há preconceito há discriminação. Ainda estamos longe da chamada "democracia racial" no Brasil. Axé!

Fonte: Internet - Site UOL Educação em 17/06/2009 - 18h08

Pesquisa indica que há 99,3% de preconceituosos no ambiente escolar

Da Agência Brasil - Flávia Albuquerque
Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito étnico-racial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial.

O estudo, divulgado nesta quarta-feira (17), em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças.

De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) a pedido do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.

Segundo o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), a pesquisa conclui que as escolas são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre todos os atores. "Não existe alguém que tenha preconceito em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada e preocupante", disse.

Com relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que 38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso parte do homem com relação à mulher. Com relação à geração (idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação aos idosos. A intensidade da atitude preconceituosa chega a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando se trata de diferença socioeconômica, 22,9% étnico-racial e 20,65% territorial.

O estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter distância de algum grupo social. Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas com algum nível de distância social, seguido pelos homossexuais com 98,9%, ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios (95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas (94,6%), moradores da área rural (91,1%) e negros (90,9%).

De acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secad (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade) do MEC (Ministério da Educação), Daniel Chimenez, o resultado desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito à diversidade.

"No MEC já existem iniciativas nesse sentido [de respeito à diversidade], o que precisa é melhorar, aprofundar, alargar esse tipo de abordagem, talvez até para a criação de um possível curso de ambiente escolar que reflita todas essas temáticas em uma abordagem integrada", disse.

quinta-feira, junho 04, 2009

O HISTORIADOR E OS PROBLEMAS DA POLÍTICA BRASILEIRA

Comentários Moisés Basílio:
Em 2010 traremos de volta à memória os 25 anos passados do fim dos governos dos generais da ditadura militar, do Gal. Castelo ao Gal. Figueiredo, realizando a sexta eleição nacional democrática (89, 94, 98, 02 e 06). As eleições nas democracias são os momentos maiores de convergências das disputas políticas. É no processo eleitoral que se dá a luta política e todos os cidadão são chamados a participar.
Uma geração que participará dessa luta política no ano que vem não sabe, em termos de vivência, o que foi o regime de ditadura militar, por isso tenderá a levar em conta só os vícios do atual regime democrático, não considerando os avanços democrático que a sociedade brasileira conquistou se comparamos com o período ditatorial anterior.
Grande parte das gerações que participaram do processo de redemocratizção do pais, já não terão as ilusões que se pregaram quando das primeiras eleições democráticas, na qual a luta política era reduzida ao ato de votar. Poderá ter a reação inicial do nosso historiador Boris Fausto que se expressa num sentimento de cansaço e de uma certa impotência diante da complexidade dos novos problemas apresentados para construção da democracia no Brasil.
Os setores extremistas da sociedade, tanto à esquerda, quanto à direita, continuaram em duas pregações fundamentalistas conclamando todos a aderiem seus receituários, dogmas e cartilhas de salvação da humanidade. Como sempre negarão a importância do processo eleitoral democrático e proporão o paraíso aos incaltos.
Pessoalmente já não tenho o mesmo entusiasmo e voluntarismo de 25 anos atrás, mas mantenho a confiança de que estamos amadurecendo na construção de um Brasil democrático.


Fonte: Jornal "O Estado de S. Paulo" - Domingo, 31 de Maio de 2009
Irrelevância da política?

Boris Fausto

Acredito que muitos leitores deste jornal façam como eu. Leio os títulos da primeira página, vou direto às matérias internacionais e algumas outras, mas apenas passo os olhos pelas páginas que tratam da política nacional.

Irrelevância do tema? De modo algum. Essa leitura reflete um sentimento de cansaço, decorrente da repetição de eternos problemas, nunca ou quase nunca solucionados. De seu elenco, extraio alguns: o desequilíbrio entre os três Poderes da Federação, resultando na hipertrofia do Poder Executivo; a questão da representação política e dos partidos; o caráter transgressor da cultura política.

Convém ressalvar que os problemas não são marca registrada de nosso país, pois podemos constatar a presença deles em todos os regimes democráticos. A tendência à hipertrofia do Poder Executivo ocorre nos sistemas presidencialistas, como fruto dos poderes atribuídos ao presidente; dos dilemas crescentes, que exigem pronta decisão; ou, simplesmente, da tendência governamental no sentido de estender seu poder. Esse é, aliás, um tema em debate nos Estados Unidos, onde o presidente George W. Bush reduziu o Congresso à condição de simples instrumento de chancela de seus atos, a partir do 11 de Setembro.

Por sua vez, os partidos vêm perdendo o caráter de agregadores de amplos interesses sociais e de socialização e tendem a transformar-se em máquinas eleitorais. Quanto às transgressões, elas abrangem uma série de atos graves ou de deslizes, como se constatou recentemente no caso do uso indevido de verbas por parlamentares britânicos. Assim, as mazelas não são só nossas nem se devem apenas aos traços da formação histórica: as sempre invocadas raízes ibéricas.

A hipertrofia de nosso Executivo, esboçada no governo FHC, pelo uso excessivo das medidas provisórias, escalou no governo Lula, com o acréscimo de expedientes escandalosos de outra natureza, de que o mensalão é o exemplo mais gritante, e da cooptação generalizada. A esse processo de concentração de poderes e de utilização de métodos "heterodoxos" corresponderam o esvaziamento da atividade própria do Poder Legislativo e a desmoralização grotesca de vários de seus membros. Ressalvem-se os raros momentos de brilho, como o da extinção da CPMF e a recente aprovação de emenda constitucional na Câmara de Deputados para facilitar os processos de divórcio.

A crise do Legislativo liga-se ao problema da representação. Excetuada uma parcela minoritária do eleitorado, o elo entre o suposto representante, a quem é conferido o mandato popular, e o representado simplesmente inexiste. Como incentivar o eleitor a fazer escolhas com informações suficientes e a acompanhar a atividade parlamentar, inclusive pressionando os eleitos, quando for o caso? Não obstante os louváveis esforços de organizações da sociedade civil e dos tribunais eleitorais nesse sentido, os resultados têm sido precários. Parlamentares acusados de toda sorte de transgressões retornam com frequência a cargos eletivos, consagrados pela "voz das urnas".

Não se trata de sonhar com a formação de uma ampla opinião pública em que cada eleitor tenha plena consciência das regras do regime democrático e de seu papel como cidadão. Mas não há dúvida de que é muito difícil atrair um eleitorado decepcionado ao exercício da cidadania, dados os níveis de educação, as contingências da vida diária e a tendência à privatização da vida. Tanto mais que nossas elites políticas foram incapazes até hoje de construir partidos sólidos e coerentes, como se constata no caso do PSDB, principal partido de oposição. Quanto ao PT, o outrora "partido da ética na política", subordinou-se ao carisma do presidente Lula e cada vez mais vem se transformando numa máquina destinada a extrair votos e a conferir as benesses da nomeação para cargos públicos. Não é por acaso, aliás, que a proposta de voto em lista fechada para as eleições à Câmara vem sofrendo pesadas críticas. Isso se dá não tanto por seu conteúdo, e sim pela natureza problemática de nossos partidos.

O caráter transgressor da cultura política é um problema complexo, cujo nó não pode ser desatado facilmente. Aqui, a diferença do que ocorre em democracias estáveis se situa tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo. Os "leves" escândalos - "leves" em termos comparativos - ocorridos na Inglaterra tiveram pronta resposta da opinião pública, contribuíram para o desprestígio dos dois maiores partidos britânicos - especialmente o Partido Trabalhista, no poder - e forçaram a demissão do presidente da Câmara dos Comuns. Em outro exemplo, mais dramático, um ex-presidente sul-coreano, sob investigação por corrupção, suicidou-se, saltando do alto de uma montanha. Em nosso caso, poucos membros da classe política se arrependem de transgressões maiores ou menores. Mais ainda, estão convencidos da legitimidade de procedimentos irregulares, como é o caso do uso de passagens aéreas por parentes, em nome da estabilidade da família, da percepção indevida do auxílio-moradia, etc.

Estas considerações não pretendem ser uma cartilha de pessimismo. A olhos vistos, o País avançou em inúmeros aspectos, e não apenas no terreno econômico. Mas não é preciso muito esforço para constatar que as instituições políticas do País estão em descompasso com relação a outras esferas da vida social e que a classe política vive uma profunda crise de legitimidade.

Esse quadro não é irrelevante, pois é impossível e indesejável dar simplesmente de ombros para o universo político. A crise de suas instituições é um obstáculo para que o País se torne, sem ilusões de perfeição, uma democracia madura.

Boris Fausto, historiador, presidente do Conselho Acadêmico do Grupo de Conjuntura Internacional (Gacint-USP), é autor, entre outros livros, de História do Brasil (Edusp)

domingo, maio 24, 2009

Uma análise marxista da crise do capital

Comentários de Moisés Basílio:

Mészáros é um marxista de porte. Na minha juventude, final dos anos 70 e até meados dos anos 80, as leituras de seus textos foram importantes para contrapor às leituras dos textos marxistas ortodoxos e fundamentalistas que abundavam as estantes e as mentes da esquerda de então, que mal sabiam que estavam sendo exprimidas entre o libertário 68 e a queda do muro de 89. O materialismo histórico e dialético, na qualidade de uma filosofia crítica do capital, já foi sepultado inúmeras vezes por seus adversários, detratores e inimigos, mas seus fantasmas continuam tecer suas análises nesses novos tempos. Mészáros é um exemplo desta vitalidade.

Esse artigo de Mézáros é uma provocação às organizações políticas do campo das esquerdas contemporâneas, e é importante lembrar que nem toda esquerda é marxista. Como responder politicamente aos desafios que a atual crise do capital propicia? Como aliar uma crítica estrutural ao capitalismo com uma prática política correspondente? Ao final de seu artigo Mészáros propõe: "A verdade, portanto, é que precisamos de uma mudança fundamental, estrutural, e não a fantasia neokeynesiana de 'reposicionar as cadeiras reclináveis' no convés superior do Titanic.” Será que essa proposta cabe nesta conjuntura para todas as esquerdas ou ainda se restringe ao escopo da esquerda do materialismo histórico e dialético, de tradição marxista revolucionária?

Transplantando essa ação política proposta por Mészáros para o Brasil, em que isso implicaria para o campo das esquerdas? Vamos pensar juntos, pois não tenho respostas prontas. Axé.


Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo - Suplemento ALIÁS - domingo 24/05/2009

A CRISE DO CAPITAL EM CRISE

István Mészáros (Nasceu na Hungria e foi assistente do filósofo Georg Lukács. Lança na semana que vem no Brasil o livro A Crise Estrutural do Capital (Boitempo). Vive na Inglaterra)

- Se a ocorrência de crises cíclicas periódicas foi a marca do desenvolvimento capitalista, na nossa época histórica, há um novo tipo de crise que afeta todas as formas concebíveis do sistema do capital enquanto tal, não somente o capitalismo. Em Para Além do Capital (Boitempo, 2002), escrevi que seu modo de desdobramento, "em contraste com as erupções e os colapsos mais espetaculares e dramáticos do passado, poderia ser chamado de rastejante, desde que acrescentemos a ressalva de que nem sequer as convulsões mais veementes ou violentas poderiam ser excluídas no que se refere ao futuro".

As manifestações dramáticas da crise atual - da multiplicação das chamadas "greves selvagens" nos mais avançados rincões do capitalismo no mundo aos "levantes por alimentos" em mais de 35 países, contabilizadas por ninguém menos que a revista londrina The Economist, uma autoridade do establishment - indicam que as respostas das grandes massas populares, fortemente prejudicadas pelo que tem sido descrito como uma gerenciável crise financeira, podem refutar de forma frontal a autocomplacente sabedoria apologética do capital do passado recente.

É verdade que algumas das piores manifestações da crise financeira global podem ser reduzidas, e até eventualmente serem postas sob controle, mas não a crise estrutural em si. E elas permanecerão para nos lembrar, e irromper outra e outra vez de forma mais ou menos dramática, que as determinações estruturais do sistema não foram transformadas radicalmente.

O fato de não estarmos submersos ainda em outra Guerra Mundial se deve à circunstância igualmente incorrigível de que tal guerra acabaria com a humanidade, deixando o planeta às baratas. Mas ninguém deve considerar como certa a inevitabilidade de uma guerra global devastadora se não superarmos e removermos do cenário as causas sistêmicas da eventualidade dessa guerra. Porque, à guisa de registro histórico, a humanidade nunca inventou nenhuma maquinaria destrutiva que não tenha sido utilizada em escala comparável a seu potencial.

De fato, algumas vozes nos círculos militares norte-americanos, combinadas com decretos governamentais, já se levantam abertamente em prol da necessidade - e o que eles chamam de "direito moral" - de usar as armas nucleares premonitoriamente e não só preventivamente, opondo-se à renúncia do suposto "direito de usar primeiro as armas nucleares" mesmo contra poderes não-nuclearizados e apesar do apelo maciço de 1.800 cientistas, alguns recebedores do Prêmio Nobel, dirigido à administração Bush no outono de 2005. E o presidente Obama não fez nenhuma declaração no sentido oposto. Hillary Clinton, sua secretária de Estado, afirmou durante a campanha pela candidatura democrata que não hesitaria em usar armas nucleares contra o Irã.

A forma potencialmente mortífera do imperialismo global hegemônico, que se afirma cruelmente em nosso tempo, é inseparável, no plano da reprodução material, da atual fase histórica de desenvolvimento monopólico hegemônico e de centralização do poder correspondentes. Essa impossibilidade de separar as duas dimensões ressalta mais uma vez que o antagonismo explosivo é sistêmico e não pode ser superado a não ser por uma mudança radical no sistema do capital.

AS ?SOLUÇÕES?

A atual crise também se distingue das anteriores ao começar a produzir respostas radicais desafiadoras numa escala considerável. E esse processo está longe de ter atingido seu auge. Ao mesmo tempo, as medidas adotadas com resultados duvidosos pelos governos do capitalismo dominante - que chegam à nacionalização da falência capitalista mediante impressionantes somas de trilhões de dólares - são a prova evidente de que nada pode ser mais tolo do que ainda descrever a crise atual como aquelas tradicionais e cíclicas do capitalismo, um contratempo a ser suplantado em um ou dois anos, tal como continuam afirmando os "combatentes a soldo do capital" (palavras de Marx).

Mas essa grave crise é estrutural precisamente porque não pode ser superada nem com os muitos trilhões das operações de resgate dos Estados capitalistas. Ao contrário, aprofunda-se de maneira combinada ao fracasso comprovado de medidas paliativas sob a forma de aventureirismo militar em escala inimaginável e faz com que o perigo de autodestruição da humanidade seja ainda maior do que antes. Perigo esse que se multiplica conforme as formas e instrumentos tradicionais de controle à disposição do status quo fracassam em sua missão.

Assim, uma das ilusões mais compreensíveis - embora em última instância mais derrotista - da qual temos que nos precaver é qualquer forma de neokeynesianismo, incluindo o autodenominado neokeynesianismo de esquerda. Esses chamados a sua ressurreição equivalem à última linha de resistência em torno da qual as várias personificações do capital podem obter consenso provisório num momento de grande crise. Sob tais circunstâncias, as várias formas do capital pretendem lançar mão de medidas de intervenção estatal keynesianas para restabelecer seu sistema até que possam reverter suas concessões e retornar ao status quo anterior.

Os porta-vozes do capital pedem abertamente a nacionalização de alguns dos maiores bancos e se engajam na consecução desse propósito de forma que atenda a seus interesses. De fato, eles instituíram recentemente na Grã-Bretanha uma forma hiper-hipócrita de "nacionalização" dos bancos, todos falidos. Tais porta-vozes acrescentaram que "depois de publicamente recapitalizados esses bancos serão devolvidos ao setor privado". Eles podem dizer isso porque já nacionalizaram a bancarrota capitalista em outra ocasião - na Grã-Bretanha, imediatamente depois da 2ª Guerra Mundial - e reprivatizaram as principais unidades das nacionalizações do pós-guerra, depois de revigorá-las com recursos públicos. E estão confiantes de que podem perpetrar o mesmo truque agora, quando a crise se intensifica.

É revelador que sob tais circunstâncias os trabalhadores sejam induzidos - por seus próprios sindicatos, na Grã-Bretanha - a "apertar os cintos" e "aceitar os sacrifícios necessários", como congelamento salarial por dois anos e significativos cortes de salários, para reestabilizar o sistema, em troca da vaga promessa de alguma melhoria num futuro pós-crise.

Com essa linha defensiva do movimento sindical, as oportunidades para uma viável mudança estratégica são perdidas pela "força das circunstâncias". Tudo fica, na melhor das hipóteses, para um futuro genericamente esperado, que pode nunca chegar se essas oportunidades concretas, mesmo as da atual e monumental crise social e econômica, forem desperdiçadas devido à acomodação.

A verdade, portanto, é que precisamos de uma mudança fundamental, estrutural, e não a fantasia neokeynesiana de "reposicionar as cadeiras reclináveis" no convés superior do Titanic.

quarta-feira, maio 20, 2009

Estado para o século 21

Comentários Moisés Basílio:
Do "Príncipe" de Maquiavel (1469-1527), passando pelo "Leviatã" do Hobbes (1558-1679), pelos fundamentos iniciais do "Liberalismo" de John Locke (1632-1704), pelo "Contrato Social" de Rousseau (1712-1778), pelo "Estado weberiano" - monopólio do uso legítimo da ação coercitiva - de Max Weber (1864-1920), pelo "Príncipe Moderno" do Gramsci (1891-1937), e por todo debate mais recente sobre a natureza do Estado Moderno durante o século XX, entramos no século XXI tendo que repensar a questão do Estado mais um vez. O artigo de Pochmann nos dá excelentes pistas - na minha opinião - para entrarmos nesse debate.
Para mim, realizar esse debate teórico sobre a natureza do Estado no mundo de hoje não é um mero exercício intelectual, mas buscar uma definição de posição na arena das disputas políticas. Uma primeira questão, no âmbito da sociedade brasileira, poderia ser: Como se posicionar diante do Estado Brasileiro, programaticamente tendo em conta as disputas eleitorais de 2010? Do ponto de vista partidário, a depender de suas burocracias dirigentes atuais, poderemos vivenciar o eterno dilema - os partidos divulgarão um programa eleitoral que não irão praticar e praticarão um programa pragmático, que não divulgarão.
Mas se os distintos atores da sociedade civil brasileira entrarem em cena para valer o debate pode ferver. Vejo que novos intelectuais, do porte de um Pochmann, podem apimentar o debate. O problema que tenho constatado é que vivemos ainda num período de entre-safra de "intelectuais de porte". Os grande nomes que apimentaram o debate no final do século XX, morreram, perderam a inspiração ou se aposentaram, e os novos nomes ainda não produziram o suficiente para se destacarem.
Pensar em "intelectuais de porte" da sociedade, não só como indivíduos, mas também enquanto instituições sociais - os movimentos sociais, as ongs, as igrejas, os sindicatos, as universidades, os artístas, a imprensa etc.
O debate sobre a natureza do Estado brasileiro, durante o período eleitoral de 2010, pode ser um bom teste trazer a tona novos "intelectuais de porte". Vou torcer por isso.
Axé!

Estado para o século 21

MARCIO POCHMANN


A presença renovada do Estado se faz necessária. Mas seria equívoco tratar o Estado com as mesmas premissas do século passado

A VISÃO do Estado atuando em contraposição às forças de mercado se tornou anacrônica diante dos desafios das nações neste começo do século 21.
Pela globalização, por exemplo, diversos países voltaram a se especializar no uso intensivo dos recursos naturais e da produção de contido custo do trabalho, comprometendo o avanço de projetos nacionais capazes de incluir a totalidade de suas populações nos frutos da modernidade.
No Brasil da última década, a prevalência da premissa de que menos Estado representaria mais mercado teve convergência com o modelo de sociedade para poucos. E a contenção do Estado produziu o encolhimento do próprio setor privado nacional (bancos e empresas não financeiras), cada vez mais dominado por corporações estrangeiras.
Com a redução dos bancos públicos, acompanhada da brutal diminuição dos bancos privados nacionais, e o esvaziamento das firmas nacionais entre as maiores empresas no país, parcela crescente da riqueza deixou de ser compartilhada com a nação.
Hoje, pelo menos dois quintos dos brasileiros são analfabetos funcionais, afora um enorme déficit econômico e social. Obstáculos como esses enfraquecem o estabelecimento de um novo padrão civilizatório contemporâneo dos avanços do século 21.
As forças de mercado, embora imprescindíveis na geração de oportunidades, mostram-se insuficientes para garantir o acesso a todos. Não há dúvidas de que, neste contexto, a presença renovada do Estado se faz necessária. Mas que Estado? Um equívoco seria tratar o Estado com as mesmas premissas do século passado.
Neste século, cuja sociedade eleva sua expectativa média de vida para além dos 80 anos, a parcela dos idosos deve superar o segmento infantil e as ocupações geradas passam a depender fundamentalmente do setor terciário, que já responde por três quartos do total dos postos de trabalho.
Sem a garantia do pleno e equivalente direito de oportunidades a todos, o princípio da liberdade de iniciativa individual e coletiva permanece no plano da retórica. Em síntese: a prevalência do reino da desigualdade e da exclusão sediada no Brasil.
O Estado necessário do século 21 precisa incorporar novas premissas fundamentais.
A primeira passa pela reinvenção do mercado, capaz de fazer valer a isonomia nas condições de competição.
Em qualquer atividade econômica, predomina hoje um conjunto de práticas oligopolistas de formação de preços e domínio do mercado, o que exclui parcela significativa dos empreendimentos empresariais da livre competição.
A mudança na relação do Estado com o mercado é urgente e inadiável, com a adoção de políticas que apoiem a igualdade de oportunidades por meio de condições de competição e cooperação só oferecidas ao circuito superior da economia, como o acesso ao crédito, tecnologia e assistência técnica, entre outras.
Uma segunda premissa compreende a mudança na relação do Estado com a sociedade, especialmente quando as políticas universais de saúde, educação, trabalho e transporte não apresentam a eficácia global esperada. Isso porque a complexidade dos problemas atuais requer ação totalizante, por isso matricial e transdisciplinar no plano territorial.
Uma política de assentamento urbano, por exemplo, dificilmente terá êxito sem superar a lógica das caixinhas contida no compartilhamento do Estado brasileiro. Além da especificidade do assentamento, é necessária para a eficácia global a adoção de políticas complementares e articuladas, como educação, saúde, transporte e saneamento, entre outras.
Por fim, uma terceira premissa deve convergir para a mudança na relação do Estado para com o fundo público. De um lado, o avanço na tributação progressiva, capaz de deslocar a base tradicional de incidência (produção e consumo) para o patrimônio e novas formas de riqueza. De outro, a renovação do sistema de financiamento da agenda socioeconômica do século 21 (postergação no ingresso no mercado de trabalho, trajetória ocupacional diversificada, educação para a vida toda). O uso do fundo público comprometido com os novos desafios não precisa ser estatal, podendo ser comunitário.
Tudo isso, contudo, dificilmente poderá ser desenvolvido sem a renovação do Estado para o século 21.


MARCIO POCHMANN , 47, economista, é presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Foi secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo (gestão Marta Suplicy).

sexta-feira, maio 01, 2009

Atlas genético da África mostra origem do homem

Comentários Moisés Basílio: Vejam, que interessantes, as notícias deste estudo sobre o mapeamento genético de populações da África. Pena ainda não ter acesso à integra do estudo para poder compreender melhor essas dinâmicas populacionais. Axé.


Fonte: Folha de S. Paulo - Ciência, 05/01/09.

Atlas genético da África mostra origem do homem Estudo de 121 populações africanas sugere que todas descendem de 14 grupos Varredura também indica que humanos modernos surgiram entre Angola e Namíbia há 200 mil anos e depois colonizaram o globo

RNPS Images of the Year 2008

Diversidade genética entre africanos é a mais alta do planeta

RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Levou uma década, mas uma equipe internacional de pesquisadores coletou amostras de material genético de 2.432 africanos de 113 populações (outras oito já haviam sido estudadas), muitas delas em locais de difícil acesso. O resultado é o mais completo atlas da diversidade genética no continente onde surgiu a humanidade.
O estudo confirma muito do que se sabe sobre migrações e distribuição de idiomas, embora traga algumas surpresas. Apesar de existirem mais de 2.000 grupos etnolinguísticos diferentes na África, representando um terço das línguas faladas na Terra, elas podem ser divididas em quatro grandes famílias. São a Níger-Cordofão (Sudão), Nilo-Saariana, Afro-asiática e Khoisan.
Mas, principalmente, a pesquisa é uma ferramenta com potencial de esclarecer os fatores de risco genéticos para várias doenças, além de servir para planejar ensaios clínicos mais representativos.
Variação genética significa também diferenças na resistência a doenças como câncer, Aids ou malária.
Os cientistas compararam os padrões de variação de 1.327 trechos do código genético de 3.000 africanos. A pesquisa está publicada hoje no periódico científico "Science". Foram estudadas 121 populações africanas, 4 de afroamericanos e 60 de outras partes do mundo.
Apesar de hoje existirem grupos de caçadores-coletores espalhados pelo continente, a pesquisa mostrou que todos têm ancestrais comuns. De acordo com a coordenadora da pesquisa, Sarah Tishkoff, da Universidade da Pensilvânia, essa foi uma das maiores surpresas do estudo.
Estes grupos teriam uma população ancestral que começou a divergir 35 mil anos atrás.
Os dados indicam que os africanos de hoje têm origem em 14 grupos populacionais no passado. O ser humano moderno surgiu na África há 200 mil anos e migrou para o resto do globo nos últimos 100 mil anos.
Por estarem mais tempo em um continente, com populações de relativamente grandes tamanhos e adaptadas a diferentes nichos ecológicos, os africanos possuem uma maior variabilidade genética.
"Nosso objetivo era coletar DNA de uma gama significativa de populações etnicamente e geograficamente variadas na África para que pudéssemos estudar a variação genética para beneficiar os africanos, ao permitir que eles conheçam a história da suas populações e servir de base para pesquisa biomédica", afirmou Tishkoff em entrevista coletiva.
A dificuldade de acesso e de preservação do material era um dos motivos pelos quais a África era pouco representada nos estudos genéticos. "Muitas vezes pode ser um desafio conseguir amostras de DNA de pessoas vivendo em lugares geograficamente remotos e às vezes perigosos", disse Tishkoff.
A pesquisa envolveu muitas vezes viagens de vários dias em veículos com tração 4 X 4. "Tínhamos de trazer todo nosso equipamento, incluindo centrífugas portáteis que precisávamos ligar na bateria do carro, pois frequentemente não havia eletricidade", disse ela.
Os dados da variação genética confirmam ainda que o "berço" da espécie humana está no sul do continente. A análise indicou também que a migração do homem moderno se originou no sudoeste africano, perto da fronteira na costa entre Namíbia e Angola.
Já o local de "saída" da África teria sido próximo do centro do mar Vermelho.
"A história de todo mundo é parte da história africana, porque todos vieram da África", disse outro autor do estudo, Muntaser Ibrahim, da Universidade de Cartum, Sudão.

sábado, abril 11, 2009

LAPTOPS NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO URUGUAI

Comentários do Moisés Basílio: Recebi a mensagem do Ladislau Dowbor sobre o programa de laptops nas escolas públicas do Uruguai. A massificação do computador no sistema escolar é uma novidade. Aqui no Brasil o computador na escola pública é algo figurativo na escola. Na minha escola, por exemplo, os alunos no melhor dos cenários acessam o computador, em duplas, durante 45 minutos por semana, ou seja, cerca de 20 minutos por criança. Vamos acompanhar com carinho essa iniciativo do governo uruguaio. Axé!

"Vejam abaixo o video de 12 minutos, em espanhol, sobre a generalizacao do acesso
a laptops e internet no programa uruguaio de escolas publicas. Acho uma das coisas
mais importantes que se possa fazer para democratizar o acesso a informacao, e
para melhorar a educacao com investimentos relativamente limitados. O sistema já
está funcionando por exemplo em Pirai no estado do Rio de Janeiro, iniciativa de
Franklin Coelho da UFRJ e da prefeitura. Um abraco, Ladislau"
http://vimeo.com/2465202 

EL SALVADOR - VITÓRIA DA FMNL

Comentários Moisés Basílio: Mais um momento histórico para a América Latina. A vitória de Mauricio Funes, da FMNL, é mais um desafio para a Esquerda latinoamericana neste inicio de século XXI. Axé Maurício Funes! Axé FMNL! Valeu Monsenhor Romero!

Fonte: Site oficial del Frente Farabundo Marti - FMNL - www.fmln.org.sv

MANIFESTO DA FRENTE FARABUNDO MARTI DE LIBERTAÇÃO NACIONAL - FMLN sobre o resultado vitorioso das eleições em El Salvador:

http://www.contrapunto.com.sv/documentosite/manifiesto.pdf


PRESIDENTE ELECTO MAURICIO FUNES DEDICA MANDATO A MONSEÑOR ROMERO Y A LOS POBRES DE SU PAIS

El presidente electo de El Salvador, Mauricio Funes, dedicará su mandato de los próximos cinco años a la memoria de monseñor Óscar Arnulfo Romero, asesinado hace 29 años, y a los pobres y vulnerables de su país, como lo habría deseado el obispo mártir, según un mensaje enviado hoy desde Brasil.

miércoles 25 de marzo de 2009 - 12:46

“Así como nuestro obispo mártir dijo que la iglesia en El Salvador sólo podía tener una opción preferencial por los pobres, en mi presidencia los favorecidos serán los vulnerables y excluidos. Gobernaré para todos, aunque concentraré mis esfuerzos en atender los problemas de los más pobres y de la clase media, afectados por la crisis que padece nuestro país”, indica el texto.

Funes, ganador de los comicios del pasado 15 de marzo, se encuentra en Brasil cumpliendo una agenda que incluye reuniones con el presidente Luiz Inácio Lula Da Silva y funcionarios de su gobierno.

Distintas organizaciones religiosas y sociales realizan estos días en El Salvador actividades ecuménicas y culturales para rendir homenaje a Romero, arzobispo de San Salvador asesinado por un francotirador el 24 de marzo de 1980, en momentos que oficiaba misa en la capilla de un pequeño hospital para cancerosos de la capital.

En la víspera del vigésimo noveno aniversario de su muerte, el presidente electo de El Salvador trajo a su memoria la frase del obispo mártir, de la homilía dominical del dos de abril de 1978, en la que dijo que “hay que volver a encontrar la profunda verdad evangélica de que debemos servir a las mayorías pobres”.

Parafraseando a monseñor Romero, a quien reconoce como su guía espiritual, Funes dijo que “ha llegado el día en que las autoridades escuchen el clamor de justicia del pueblo salvadoreño”. Como lo dijo monseñor Romero, agregó, “Toda persona que lucha por la justicia, que busca reivindicaciones justas en un ambiente injusto, está trabajando por el reino de Dios”.

Funes, candidato del partido FMLN y apoyado por otras agrupaciones de la izquierda salvadoreña, ganó los comicios presidenciales de hace una semana al candidato de la derechista Alianza Republicana Nacionalista (Arena), en el poder desde hace 20 años.

domingo, março 01, 2009

A "DITABRANDA DA FOLHA DE SÃO PAULO"

Comentários Moisés Basílio: O editorial e as notas da redação do jornal Folha de São Paulo causaram indignação em parte de seus leitores, entre eles os eméritos professores da USP, o jurista Fábio Konder Comparato da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e a cientista política Maria Victória Benevides da Faculdade de Educação da USP - FEUSP. Um abaixo-assinado já corre pela internet, encabeçado pelo professor Antonio Candido e demais intelectuais, em solidariedade aos professores agredidos pela nota da redação da Folha de São Paulo.
Quanto ao editorial da Folha, é um texto eivado de clichês e de um tom de arrogância anacrônica, que mais parece um daqueles panfletos da antiga TFP, ou do mundo bipolar do período da guerra-fria, o que não ajuda a fazer uma crítica substantiva, a partir dos principios da democracia, das ações de Cháves.
Outro aspecto que já me vem chamando a atenção há algum tempo é a forma como certos setores da mídia vem desqualificando os intectuais com referencias no pensamento da esquerda. Exemplos são vários nos ultimos tempos, como a turma da revista Veja desqualificando Paulo Freire e Antonio Candido, entre outros, o cerco que fizeram a Marilene Chauí, e agora esssa nota da redação da Folha que é de uma maldade atróz, para dois intectuais que dedicaram toda a suas vidas na defesa dos direitos humanos.


Fonte: Editorial da Folha de São Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009

Limites a Chávez

Apesar da vitória eleitoral do caudilho venezuelano, oposição ativa e crise do petróleo vão dificultar perpetuação no poder

O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.

Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro.
Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.
Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.
Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo.
A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.
Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.
O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.
Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.



Resposta dos Leitores - Fonte: FSP - dias 19 e 20 fevereiro de 2009

Ditadura

"Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.
Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.
A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?
É a "novilíngua"?
Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.
É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário."
SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)

Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

"Lamentável o uso da palavra "ditabranda" no editorial "Limites a Chávez" (Opinião, 17/2) e vergonhosa a Nota da Redação à manifestação do leitor Sérgio Pinheiro Lopes ("Painel do Leitor", ontem). Quer dizer que a violência política e institucional da ditadura brasileira foi em nível "comparativamente baixo'? Que palhaçada é essa? Quanto de violência é admissível? No grande "Julgamento em Nuremberg" (1961), o personagem de Spencer Tracy diz ao juiz nazista que alegava que não sabia que o horror havia atingido o nível que atingira: "Isso aconteceu quando você condenou à morte o primeiro homem que você sabia que era inocente". A Folha deveria ter vergonha em relativizar a violência. Será que não é por isso que ela se manifesta de forma cada vez maior nos estádios, nas universidades e nas ruas?"
MAURICIO CIDADE BROGGIATO (Rio Grande, RS)

"Inacreditável. A Redação da Folha inventou um ditadômetro, que mede o grau de violência de um período de exceção. Funciona assim: se o redator foi ou teve vítimas envolvidas, será ditadura; se o contrário, será ditabranda. Nos dois casos, todos nós seremos burros."
LUIZ SERENINI PRADO (Goiânia, GO)

"Com certeza o leitor Sérgio Pinheiro Lopes não entendeu o neologismo "ditabranda", pois se referia ao regime militar que não colocou ninguém no "paredón" nem sacrificou com pena de morte intelectuais, artistas e políticos, como fazem as verdadeiras ditaduras. Quando muito, foram exilados e prosperaram no estrangeiro, socorridos por companheiros de esquerda ou por seus próprios méritos. Tivemos uma ditadura à brasileira, com troca de presidentes, que não vergaram uniforme e colocaram terno e gravata, alçando o país a ser a oitava economia do mundo, onde a violência não existia na rua, ameaçando a todos, indistintamente, como hoje. Só sofreu quem cometeu crimes contra o regime e contra a pessoa humana, por provocação, roubo, sequestro e justiçamentos. O senhor Pinheiro deveria agradecer aos militares e civis que salvaram a nação da outra ditadura, que não seria a "ditabranda"."
PAULO MARCOS G. LUSTOZA , capitão-de-mar-e-guerra reformado (Rio de Janeiro, RJ)

"Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala -que horror!"
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)

"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP)

Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

O DESAFIO DA ESQUERDA É SABER GOVERNAR

Comentários Moisés Basílio: Mais informações qualitativas do processo de eleições em El Salvador. As eleições acontecerão em 15 de março próximo. Axé!

Fonte: Jornal Contrapunto - El Salvador - www.contrapunto.com.sv

Miguel Tinker Salas: “El reto de la izquierda es que sepa gobernar”

Por Edgardo Ayala

Miguel Tinker Salas, académico estadounidense, habla sobre el proceso electoral salvadoreño: campañas sucias, Hugo Chávez y sobre los retos de la izquierda.

SAN SALVADOR - La semana pasada regresó al país un grupo de académicos estadounidenses que le da seguimiento al candente tema electoral salvadoreño, ahora en su fase presidencial (la más dura). A finales del año pasado ellos publicaron un informe donde se señalaban las deficiencias que aún persisten en el sistema electoral del país. El documento fue firmado por más de 200 académicos que laboran para universidades de Estados Unidos.

Ahora, un pequeño grupo de esos académicos estuvo por aquí viendo cómo va la cosa, y preparan ya un segundo informe.

ContraPunto habló con Miguel Tinker Salas, profesor de Estudios Latinoamericanos, del Pomona Collage, una universidad privada fundada en 1887 en California. Conoce muy bien el tema de los procesos electorales latinoamericanos, y también sobre el tema de Venezuela y Hugo Chávez, que ya casi es tema nacional. Porque fue coautor del libro “Venezuela: Hugo Chávez and the decline of an Excepcional Democracy”, que es una crítica a las injerencias estadounidenses para debilitar a Chávez. Viendo en Internet, uno ve que el libro gustó a unos, y decepcionó a otros, por que se decanta a favor de Chávez. También conoce ese asunto simple y sencillamente porque es venezolano de nacimiento.

Habló de Chávez, de la campaña sucia, de Fuerza Solidaria, de Lula, de Arena, del los empresarios locales, etc.

Extractos de la charla.

¿Cómo se ve el escenario político electoral salvadoreño desde la perspectiva de un académico estadounidense?

En primer lugar, déjeme aclararle que yo vengo como parte de una delegación de académicos que le hemos estado dando seguimiento a los procesos electorales en América Latina. Nuestro interés acá surge a raíz de una visita que hicimos en septiembre del 2008, cuando vinimos delegados de la Universidad de Indiana, de Texas, de California, de Pomona College y de varios otros centros. Al final escribimos un reporte que fue firmado y avalado por más de 200 académicos que incluían a colegas de las Universidades de Yale, de Harvard, de Cornell y en general de las más destacadas universidades en Estados Unidos.

Creo recordar el campo pagado que se hizo en medios locales, pero recuérdeme por favor los puntos medulares.

En ese momento, incluimos en el documento la preocupación por lo que era el incremento en la violencia social en el país, las supuestas reformas al código electoral, y la injerencia que veíamos en aquel entonces por parte de la Embajada de los Estados Unidos y también las declaraciones vertidas por la Canciller (Marisol) Argueta (en torno a la declaración de que la seguridad de Estados Unidos corre peligro si llegara a ganar la izquierda en el país).

Eso lo señalamos como preocupaciones, y ahora regresamos para darle seguimiento a eso.

A raíz de esto, y oyendo todas las preocupaciones (en esta nueva visita), hemos emitido unas preocupaciones, que son: la politización y partidización del TSE, los graves problemas del registro electoral que ya habían sido señalados por la OEA anteriormente.

También la falta de regulación y control del financiamiento de la campaña electoral. O sea, no sabemos de dónde vienen los fondos. Además, las campañas publicitarias basadas en el miedo. Y finalmente señalamos a grupos que se mueven en las tinieblas, que no cuentan con ninguna regulación, que son por ejemplo la Cruzada Pro Paz y Trabajo y la llamada Fuerza Solidaria.

Hemos dicho en el informe que estos problemas son estructurales, no son simples anomalías, y la falta de credibilidad existente en torno al sistema electoral, que se siente en la vox populi. Hemos dicho que se necesita una reforma del sistema que corrija esa deuda democrática. Ese es el reporte. Vamos a redactar una carta de nuevo, la firmaremos nuevamente los académicos, y la presentaremos a los medios en Estados Unidos, a los congresistas de ese país, y a la sociedad salvadoreña.

Sobre la campaña sucia, ustedes que han seguido de cerca otros procesos electorales latinoamericanos, ¿han visto este nivel de guerra psicológica, digamos, sucia?

En casi toda América Latina hay una polarización, que no se veía anteriormente. Y en estos últimos cinco años hemos visto una polarización extrema en toda la región. Pero sí debo admitir que en El Salvador es más extrema. O sea, yo he visto el caso mexicano, el ecuatoriano, el venezolano, pero en este caso (salvadoreño) he visto una campaña polarizada que no he visto en otras regiones. Y lo que me impresiona no es que se realicen, sino que no hay ningún sistema de control, ni del TSE, ni de los fiscales, ni de nadie para averiguar de dónde vienen los fondos. Se está haciendo una campaña donde se dice que hay una injerencia de Venezuela a otros países, pero esta injerencia la está haciendo no Venezuela sino estos organismos mismos que operan en las tinieblas, porque nadie nos logra decir quiénes son, cómo son.

Aquí se plantea, de parte de la derecha y los sectores empresariales, que la alternancia política generaría un caos impensable, algo terrible.

Pero ese argumento lo plantearon los mexicanos a favor del PRI por 70 años. Se decía: si cambia el PRI aquí sería el caos. Pero esa es la campaña del miedo. Realmente, la alternancia es algo importante. Si la disposición del pueblo (de seguir con el mismo partido), después de un proceso electoral transparente es esa, esa es entonces la disposición del pueblo, pero no me refiero a eso. Me refiero a que el uso de esa propaganda es parte de la campaña del miedo. Ese fue el caso de México y México no desapareció ni de un día ni de otro después de que el PRI perdió. Todo eso es parte de ese fenómeno que tiende a poner en riesgo la gobernabilidad del país.

Se dice que hay hoy en día dos tipos de izquierda en Latinoamérica: una más moderada, como sería el caso de Lula en Brasil o de Bachelet en Chile, y otra más radical, como es el caso de Venezuela, Bolivia, etc. ¿Usted comparte este análisis?

Yo creo que eso es muy simplista. La política norteamericana, cuando surgió Hugo Chávez, fue la de inocular a Latinoamérica contra Chávez y utilizar la figura de Lula como contrapeso contra Chávez. La realidad es que eso ya no se pudo manejar cuando se eligió a Rafael Correas en Ecuador y a Evo Morales en Bolivia. Y además, también Lula ha endosado (su apoyo) a Chávez, y Lula viaja a Venezuela cada semestre y los dos se reúnen. Lula estuvo presente en Venezuela el pasado 15 de enero, y dio su respaldo al esfuerzo de Chávez para poder reelegirse. Entonces, eso de que hay un contrapeso entre una izquierda moderada y una extrema me parece que es un argumento utilizado por la Casa Blanca, que le ha dado poco resultado.

La política en cada país depende de sus condiciones internas. Lula, que viene de ser un trabajador sindicalista, opuesta a la dictadura, responde a la realidad política que enfrenta, y Bachalet también responde a un contexto con una dictadura que duró casi dos décadas en Chile. Cada realidad es distinta, y lo que surge en cada país es distinto. Hablar de que hay una izquierda extrema y una moderada, particularmente cuando se comparten temas de integración regional, de no reconocer a Estados Unidos como la única superpotencia en el mundo, cuando comparten tantos temas políticos y económicos y un impulso a favor de los sectores más afectados socialmente, creo que eso los reúne a todos, no los divide.

¿Estaríamos hablando más bien de matices más que de bloques separados, según usted?

Claro, y de realidades políticas a la cual deben apegarse cada uno.

¿Cree que esta tesis de las dos izquierdas está afectando al electorado salvadoreño, en el sentido de que capas medias se sientan temerosas de cierto acercamiento entre la cúpula del Fmln con Chávez, ubicado en esa izquierda extrema?

Yo no he visto… lo que yo creo es que la realidad salvadoreña es muy distinta a la venezolana, y cada fuerza política se adapta a su propia realidad. Lo que sí estamos viendo es que Chávez ha sido un factor en todas las elecciones de la región. Lo fue en el 2006 en México, cuando el Partido Acción Nacional lo trató de ligar a un López Obrador para causar miedo en los sectores medios de México, se dio en el caso de Bolivia, donde se decía “no entreguemos a Bolivia” y ahora se dice aquí “no entreguemos a El Salvador”, se dio en el caso de Ecuador, etc. Como si los problemas de todos esos países son resultado de un señor que va viajando inventando cosas, me parece absurdo. La gente sale a votar para tratar de resolver los problemas de su país, nadie le va dictar cosas ni Cuba, ni Venezuela. No somos títeres en América Latina, para que nos estén dictando condiciones.

¿Cómo se explicaría, desde la academia, el hecho de que un partido que en sus orígenes se vincula con los escuadrones de la muerte, y con un empresariado en su momento de características oligárquicas, se haya mantenido por 20 años en el poder, como es el caso de Arena?

Creo que tiene que ver con las raíces de lo que fue la guerra civil en este país, las divisiones que produjo esa guerra, y la manipulación que se hizo de ese momento histórico. Hay que recordar lo que fue la historia, lo que pasa es que a veces sufrimos de amnesia histórica. Pero el caso es que este partido logra crecer y desarrollarse a partir de ese miedo proveniente de la guerra civil. Tendría que hacer un análisis más profundo a nivel de la experiencia salvadoreña. Pero puedo agregar que además, con todas esas deficiencias del sistema electoral, el balance va a favor del partido que está en el poder porque tiene todos los recursos, todo el sistema que no ha sido del todo depurado, tiene toda una maquinaria estructural que lo beneficia.

¿Cómo cree que podría reaccionar el empresariado ante un eventual triunfo de la izquierda en este país?

Esos grupos son muy astutos. En toda Latinoamérica se han reorientado, y yo no he visto que ningún sector pudiente haya fracasado a raíz de estos cambios políticos y sociales en la región. Todos se adaptan. Hemos visto que trabajan con dictaduras, militares, con gobiernos populares y con los de derecha. No veo que eso sea un factor fundamental.

¿Cree que no veríamos una situación en que los empresarios conforman bloques con toda la derecha para torpedear todo el trabajo de un gobierno de izquierda, como ya se ha visto en Sudamérica?

Lo harían a un riesgo muy alto, realmente no les conviene. Su función es la económica, tienen que surtir a la población con servicios y productos, y están involucrados en el desarrollo económico de la región. Esa opción de boicotear, de aislarse, me parece absurda dentro de esa realidad de comercio y producción.

¿Absurda porque la inestabilidad les afecta también?

Claro, es una estrategia que tiene dos lados, les puede salir el tiro por la culata. Es una estrategia que no solamente afectaría al gobierno, sino que les repercute a ellos también, los debilita. Claro, si la intención es causar una crisis de ingobernabilidad, lo podrían hacer, pero eso trae un precio político y económico muy alto para la población y para la sociedad. Ya lo hemos visto como estrategia, tanto en Bolivia como en Venezuela y en otras partes, pero yo creo que eso ya después de que traten algún proceso de relación y de intercambio.

¿Cuáles cree que son los retos de la izquierda salvadoreña y de la izquierda latinoamericana en general?

El reto fundamental es saber gobernar. Porque se asume que la izquierda postula políticas internacionales, se habla de los problemas económicos y sociales, de género, pero fundamentalmente la izquierda tiene que comprobar que sabe gobernar. Porque al final la gente los va a juzgar no solamente porque tiene una política internacional nueva, sino porque sabe cómo recoger la basura, por tener un servicio social adecuado y por saber hacer todas las funciones que se esperan de un gobierno. Esos han sido los retos que hemos visto en Venezuela, Ecuador, Bolivia en incluso en Brasil también.

¿Y la experiencia nos dice que la izquierda es capaz de gobernar decentemente?

Hemos visto ejemplos concretos de cómo han tratado de resolver esos problemas de desigualdad. En Brasil hemos visto programas en ese sentido, en el área educativa y de vivienda. Pero implica una redirección del presupuesto nacional, no sólo a mantenerle el subsidio a sectores poderosos, sino dirigirlos hacia la educación, salud, seguridad, los servicios básicos para la sociedad y eso es lo importante. Es un cambio de paradigma, si es que logran hacerlo.

(FIN /22 / 02 / 09

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Eleições em EL Salvador, Chaves e a Esquerda

Comentários do Moisés Basílio: As eleições presidenciais em El Salvador acontecerão no dia 15 de março próximo. Mauricio Funes, candidato da FMLN - Frente Farabundo Marti para Libertação Nacional - é o candidato da Esquerda e tem chances de ganhar. Quem se interessar em mais detalhes da campanha veja o sitio dele - www.mauriciofunespresidente.com - .
Tenho um carinho especial por El Salvador, desde 1980, quando o Arcebispo de El Salvador, o Monsenhor Dom Óscar Romero foi brutalmente assassinado pela direita salvadorenha. Junto com o meu grupo de jovens da época decidimos pintar cerca de 200 camisetas com uma arte lembrando o mártir salvadorenho. Quase trinta anos depois, a esquerda salvadorenha tem a oportunidade de chegar ao governo. Para quê? O artigo abaixo nos remete um pouco a essa discussão. Concordo com Moraga quando ele afirma que a Esquerda do século XXI só conseguirá acertar, se compreender os equívocos da Esquerda do século XX. Axé!



Fonte: Jornal ContraPunto El Salvador -
Edición 101/23 de Feb al 1 de Mar de 2009 - www.contrapunto.com.sv



Chávez; Funes y la Nueva Izquierda

Enrique Gomáriz Moraga

Debate sobre el futuro de la izquierda latinoamericana y salvadoreña: democracia o autoritarismo.

SAN SALVADOR - La pasada semana sucedieron algunos hechos importantes que reavivaron la discusión sobre el significado de la izquierda en este nuevo siglo. En El Salvador, sectores de la izquierda democrática acabaron dando su apoyo electoral al candidato presidencial Mauricio Funes, algo que el editorial de ContraPunto consignó, hablando de una nueva izquierda en formación. En efecto, varios grupos socialdemócratas, segmentos del extinto FDR y, más orgánicamente, el Partido Cambio Democrático, decidieron endosar públicamente su apoyo electoral a Funes en el transcurso de la semana.


Esta situación se produjo cuando todavía no había terminado la controversia sobre la victoria en Venezuela del presidente Hugo Chávez en el referéndum que modifica la Constitución para permitir la reelección indefinidamente. Obviamente, en la izquierda salvadoreña se dividieron las aguas al comprobar la victoria no muy holgada de Chávez en el referéndum. Y, por su parte, la derecha estuvo encantada en señalar a los sectores del FMLN que celebraban la victoria de Chávez.


Este conjunto de hechos coloca de nuevo la pregunta sobre qué significa ser de izquierdas en el siglo XXI. El Cuaderno de Ciencias Sociales 147, que publicó FLACSO, reunió un trabajo de Edelberto Torres-Rivas y otro mío, para tratar de dar respuesta a esa pregunta. Tanto Edelberto como yo formamos parte de ese consenso creciente acerca de que la izquierda del siglo XXI en América Latina deberá ser una izquierda que aprenda de sus errores en el siglo XX o estará definitivamente condenada al fracaso.


En tal sentido, la principal enseñanza que nos dejó el pasado siglo es que la emancipación humana es una moneda de dos caras: la que corresponde el plano socioeconómico, que supone redistribución de la riqueza y lucha contra la pobreza, y la que corresponde al plano sociopolítico, que significa el fortalecimiento de la democracia y el incremento de la calidad de la ciudadanía. En el pasado, la izquierda revolucionaria consideró que había que concentrarse en el primer plano, incluso sacrificando el segundo si fuera necesario. Hoy sabemos que esto es un error capital: los sistemas políticos no democráticos (de izquierda) acaban conduciendo al fracaso económico y destruyendo los sueños de igualdad social que alguna vez tuvieron.


Por su parte, la izquierda en Centroamérica dejó establecido a comienzos de los años noventa que la revolución violenta es ya una vía cegada para la emancipación social. Eso significa explícitamente que sólo la democracia política es el contexto en que debe lucharse por el cambio social, aunque también significa que olvidar las transformaciones sociales manteniendo la democracia, se distancia de las señas de identidad de la izquierda.


La aplicación de lo anterior al caso de Venezuela resulta bastante ilustrativa. En efecto, la crisis que puso de manifiesto el “caracazo”, reflejó el fracaso de una socialdemocracia mucho más pendiente del juego político democrático que de las necesidades sociales. Pero la respuesta se ha orientado hacia el error opuesto: impulsar cambios sociales, torsionando los procedimientos democráticos.

Hace dos años, Chávez propuso la transformación del sistema político hacia una fuerte concentración del poder presidencial, que rompía con el equilibrio entre poderes públicos, además de proponer la reelección indefinida, pero, afortunadamente perdió el referéndum constitucional el pasado año. Tras esa derrota, parecía que las reglas del juego democrático conservarían un mínimo de consistencia.


Pero pronto Chávez planteó una reforma parcial de la Constitución para salvar, al menos, la idea de la reelección indefinida. Eso fue lo que logró con la victoria en el referéndum del 15 de febrero, aunque en esa consulta se abstuvo un tercio del electorado y la victoria fue por 55% por 45%; es decir se mostró la división del país prácticamente por la mitad.


Ahora bien, yendo al fondo del asunto, cabe preguntarse por qué la reelección indefinida representa una concentración de poder poco democrática. La respuesta es simple: porque eso es como llover sobre mojado. La reelección indefinida no es un mal en sí misma, sino que depende del régimen político en el que tenga lugar. Esa reelección no es tan negativa en un sistema parlamentario, pero sí lo es en un sistema presidencialista, precisamente porque este sistema supone una acentuada concentración de poder en manos del Presidente. Esa es la razón que ha llevado a las Repúblicas presidenciales en toda América a limitar la cantidad de veces que puede darse la reelección.


Así, argumentar que la reelección indefinida en un sistema presidencial significa aumentar los derechos políticos del pueblo, es simplemente un insulto a la inteligencia. Y meter esa idea en la pregunta del referéndum, como se hizo para el 15 de febrero, es obviamente un abuso de poder.


Por eso, el rechazo de las propuestas de Chávez y, por consiguiente, la necesidad de evitar ninguna celebración por su victoria en el pasado referéndum, no se justifica sólo porque en El Salvador no sea oportuna tal celebración en la presente coyuntura electoral. El rechazo a la concentración y permanencia en el poder que busca Chávez tiene su fundamento en que fragiliza la moneda de dos caras que es cada vez más la emancipación humana. En breve, hay que rechazarlo no sólo porque sea un asunto de oportunidad, sino principalmente porque no es una perspectiva de izquierdas.


Ojalá la candidatura de Funes sirva también para ir desarrollando esa izquierda democrática que El Salvador tanto necesita: que no afloje en el cambio social, pero tampoco en el fortalecimiento de las reglas del juego democrático. (FIN/23.02.09)


(*) Analista español y colaborador de ContraPunto/ Pintura Unidad y lucha de contrarios-David Beltrán-Cuba

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

8 de Março - Origem e significado

COMENTÁRIOS DO MOISÉS: Recebi a mensagem abaixo do NPC - Núcleo Piratininga de Comunicaçao - http://www.piratininga.org.br/ - , do meu grande amigo e velho companheiro de lutas Vito Giannotti, divulgando uma nova edição da cartilha sobre as origens do 8 de Março. Como militante e como professor de História do ensino fundamental, confesso que me surpreendi quando li esse texto pela primeira vez, por volta de 2003 ou 2004. O texto é polêmico, pois questiona a versão tradicional do significado do dia internacional da mulheres. Embora lide com as questões da historiografia há anos, exemplo como esse ainda surpreende. Axé!


Já está disponível mais uma edição da Cartilha 8 de Marçocapa

Quais os acontecimentos que levaram a marcar o 8 de março como dia de luta mundial das mulheres? Como surgiu a história das 129 mulheres queimadas vivas, em Nova Iorque, no ano de 1857, numa fábrica que nunca existiu, numa data inventada? E quais os interesses de se criar este mito? Para responder essas perguntas, no ano passado o NPC fez nova edição do Caderno O Dia da Mulher nasceu das Mulheres Socialistas – lançado pela primeira vez em 2004.

A cartilha mostra a origem histórica deste dia, no começo do século XX: a luta de milhões de mulheres socialistas com a contribuição de outras mulheres que limitavam suas lutas à conquista do direito de voto. O dia 8 de Março foi consagrado por uma greve de operárias russas em 1917 que, sem o prever, foi o estopim da grande Revolução Russa. Logo em seguida, em 1919, a 3ª Internacional declarou este dia como o dia mundial da luta das mulheres.

Esta origem do dia não agradava a social-democratas, burgueses e anticomunistas em geral. Era preciso criar outra história. E foi criada. O texto, se apoiando em muitas fontes bibliográficas, desmistifica a história que todos nós já ouvimos, escrevemos ou até contamos para nossos filhos. O caderno gera debates e é útil para fazer avançar a consciência e a luta de mulheres e homens contra a exploração da mulher e toda a sociedade machista.

Os interessados em adquirir esta publicação devem entrar em contato com o NPC. Tel. (21) 2220-5618 ou npiratininga@uol.com.br. Quem quiser palestras sobre o tema deverá agendar com bastante antecedência.

terça-feira, janeiro 27, 2009

FÓRUM SOCIAL DE BELÉM

Comentários Moisés Basílio: É bom começar o ano com a poesia. Axé.

De: Bernardo Kucinski, janeiro de 2009

Palavras de ordem

Uma ode ao Fórum Social de Belém


O mundo é complicado
Nossa tarefa também

Julgar sem pré-julgar
Demarcar sem excluir
Incluir sem forçar
Somar, fazer bonito
O mundo é infinito

Combater a indiferença
Respeitar a diferença
e o diferente.
Respeitar

Defender a mata sem esquecer o homem
Cultivar a terra sem derrubar a mata
Cultivar o homem

Amparar sem esperar
Esperar sem se iludir
Não desesperar, agir
Não sucumbir
Perseverar

Convencer, conversar
Persuadir sem mentir
Não sofismar,
Argumentar

Gritar abaixo o imperialismo
Viva o povo palestino
Mas ao anti-semitismo dizer não

Aplaudir a bravura
Mas repudiar a bravata
Não usar gravata

Gritar a Amazônia é nossa
Viva o povo brasileiro
Viva a cesta básica e o Prouni
Viva o luz para todos
Em plena floresta amazônica

Gritar abaixo os banqueiros
Que seja a riqueza de todo o povo brasileiro
Abaixo os juros
E a especulação financeira
Fora com o Deus mercado e o Deus dinheiro

Sonhar mas não dormir
Cada amanhecer é um novo dia
O fim de um descanso
Cada pequeno passo um avanço

Conceituar sem preconceitos
Refinar pensamentos
Provocar sem agredir
Polemizar
De vez em quando aplaudir

Perguntar e saber ouvir
Não ouvir sem perguntar
Questionar,
Sempre
Sempre duvidar,
Não simplificar, complicar

Entender é o que interessa
Para poder avançar
Saber, conhecer, decifrar
Interpretar
O saber é infinito
O universo também

O mundo é complicado
Nossa tarefa também