EXPERIÊNCIAS POLITICAS E EDUCATIVAS - Informações, Reflexões e Ações desenvolvidas pelo Professor Moisés Basílio em Sala de Aula e no Mundo.
terça-feira, janeiro 27, 2009
FÓRUM SOCIAL DE BELÉM
De: Bernardo Kucinski, janeiro de 2009
Palavras de ordem
Uma ode ao Fórum Social de Belém
O mundo é complicado
Nossa tarefa também
Julgar sem pré-julgar
Demarcar sem excluir
Incluir sem forçar
Somar, fazer bonito
O mundo é infinito
Combater a indiferença
Respeitar a diferença
e o diferente.
Respeitar
Defender a mata sem esquecer o homem
Cultivar a terra sem derrubar a mata
Cultivar o homem
Amparar sem esperar
Esperar sem se iludir
Não desesperar, agir
Não sucumbir
Perseverar
Convencer, conversar
Persuadir sem mentir
Não sofismar,
Argumentar
Gritar abaixo o imperialismo
Viva o povo palestino
Mas ao anti-semitismo dizer não
Aplaudir a bravura
Mas repudiar a bravata
Não usar gravata
Gritar a Amazônia é nossa
Viva o povo brasileiro
Viva a cesta básica e o Prouni
Viva o luz para todos
Em plena floresta amazônica
Gritar abaixo os banqueiros
Que seja a riqueza de todo o povo brasileiro
Abaixo os juros
E a especulação financeira
Fora com o Deus mercado e o Deus dinheiro
Sonhar mas não dormir
Cada amanhecer é um novo dia
O fim de um descanso
Cada pequeno passo um avanço
Conceituar sem preconceitos
Refinar pensamentos
Provocar sem agredir
Polemizar
De vez em quando aplaudir
Perguntar e saber ouvir
Não ouvir sem perguntar
Questionar,
Sempre
Sempre duvidar,
Não simplificar, complicar
Entender é o que interessa
Para poder avançar
Saber, conhecer, decifrar
Interpretar
O saber é infinito
O universo também
O mundo é complicado
Nossa tarefa também
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária
Aproveito a divulgação desse livro para relatar que no mês de novembro último, tive a oportunidade de participar de um evento em memória aos 10 anos de falecimento de Mauricio Tragtenberg e de Jaime Cubeiros. A homenagem ocorreu no dia 6 de novembro de 2008, no auditório da Faculdade de Educação da USP-FEUSP, e contou a presença de familiares de ambos os homenageados, professores da FEUSP, convidados e alunos.
O evento contou com vários depoimentos:
- José Carlos Morel (Zeca) – do Centro de Cultura Social: Ressaltou a importância da pedagogia libertária como prática de homens como Cubeiros e Tragtenberg, como sendo antítese dos projetos pedagógicos da burguesia e da igreja que se baseiam na dominação. Teceu também comentários sobre o autodidatismo de Tragtenberg.
- Lúcia Bruno – Professora da FEUSP: Começo destacando a atualidade da critica que Tragtenberg fez à Universidade. Outro aspecto importante em Tragtenberg era a sua visão indissociabilidade da exploração econômica e dominação política. Não dá para separar e isso é fundamental para se entender a obra de Tragtenberg. Também é importante a crítica às teorias de administração, mostrando que ela não são neutras. Bem como, às críticas à escola, aos partidos políticos e aos sindicatos.
- Evaldo Vieira – Organizados das reedições das obras de Tragtenberg: Lembrou do tempo em que trabalhou junto com o Maurício pelo interior de São Paulo. Destaca a importância do livro “Administração, poder e ideologia” para se entender o trabalho e a educação.
- Carmen Sylvia – Professora FEUSP – Relatou a trajetória do seu relacionamento intelectual e militante com o Tragtenberg. Destacou a importância de Tragtenberg utilizar o marxismo com referencial teórico.
Mais uma coisa: Ainda não li o livro, mas pela trajetória do Ozaí, recomendo. Axé!
Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária
Antonio Ozaí da Silva
Ijuí: Editora Unijuí, 2008 (344p.)
Site: http://www.editoraunijui.com.br
Email: editorapedidos@unijui.edu.br
Este é um livro sobre um intelectual inovador a quem o Brasil ainda deve, mas que o pensamento crítico vem reconhecendo paulatinamente. Um autor que pensou e
contribuiu para a educação de modo não-formal, incomum e essencialmente crítico, confiando no papel formador da negação dialética do instituído. Sem se reter aos espaços que tradicionalmente se convencionou delimitar por “acadêmicos”, como Gorki ele considerava as vivências e lutas de sua trajetória como “as minhas universidades”.
Não é gratuito, portanto, que Antonio Ozaí da Silva inicie esta obra sobre Maurício Tragtenberg esquadrinhando os contextos de sua vida e os influxos de seu engajamento militante. O tema da educação libertária não pode ser apreendido nem encerrado nos marcos investigativos do formalismo pedagógico institucional. Isto é, filosoficamente compreendida, a obra de Ozaí lida com um método de abordagem que sabe reconhecer, respeita e não elide o que lhe demanda a natureza do seu objeto de análise.
O livro esclarece, com propriedade, que Tragtenberg, ele mesmo de formação parcialmente autodidata, articula o seu princípio político-pedagógico libertário a partir da defesa da auto-organização dos trabalhadores. Crítico da cisão teoria–prática e da hierarquia intelectual manifestas no homo academicus, ele via na autogestão dos operários o modo social destes recobrarem integralmente o saber e a condição intelectual deles apartados pela classe dominante, que os marginaliza no processo do fazer, negando-lhes o do conhecer.
Com uma obra marcada pelo decantamento crítico das raízes e da natureza histórico-social da dominação burocrática, Tragtenberg levou para a análise da educação os seus princípios teóricos mais gerais. Introduzindo e impondo respeito à pedagogia libertária na universidade brasileira, atacou a ritualística adestradora da educação burocrático-formal, fazendo da defesa da autogestão educacional, da autonomia do indivíduo e da solidariedade anticoncorrencial as balizas de sua pedagogia integral e igualitária, centrada nos interesses dos educandos.
Por fim, este estudo sobre a práxis militante e educativa de Tragtenberg carrega, ainda, um interesse peculiar: na sua leitura do mestre Tragtenberg – título que ele recusaria –, essas páginas vão calando uma a uma, e revelam, de quebra, parte dos fundamentos inspiradores de onde brota o perfil engajado antielitista do próprio cientista social e educador Antonio Ozaí da Silva, manifesto em seu notável empenho, como escritor e editor, pela qualificação crítica e plural da cultura. Enquanto continuidade dessa práxis educativa igualmente informal, essas páginas compõem uma exposição que honra a justa crítica de Tragtenberg ao vetusto e socialmente inútil elitismo acadêmico.
Paulo Denisar Fraga
Professor de Filosofia, Metodologia da Ciência e Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, MG
Sinopse (resumo) O leitor tem em suas mãos um livro que representa um exercício de pedagogia crítica porque rememora para as gerações atuais e futuras o pensamento e a prática do pensador social, educador e ativista político Maurício Tragtenberg, reconhecido por sua atuação libertária nos processos educativos e políticos, tanto no sistema escolar formal, quanto nas redes de movimentos sociais, e sempre empenhado em trazer para o espaço burocrático administrado da universidade a concepção do conhecimento como projeto de emancipação; bem como em realizar uma intervenção política libertária que leve para o restante da experiência social os conhecimentos construídos na universidade.
Ao discutir os vários momentos da trajetória pessoal, política e pedagógica de Maurício Tragtenberg, este livro torna explícita a intenção do autor em realizar uma possível continuidade para a pedagogia do exemplo proposta e praticada por Tragtenberg e experienciada diretamente por Antonio Ozaí da Silva, em uma demonstração de que nos processos investigativos e educativos não há sujeitos nem objetos, pois o outrora professor Tragtenberg, com sua ação pedagógica se transforma em tema de um estudo de um ex-orientando, atualmente professor, pesquisador e ativista empenhado em uma política cultural radical, e que através deste trabalho nos propicia uma espécie de sublimação da dor que sentimos com a perda daquele que consideramos "o mestre": Maurício Tragtenberg.
Walter Praxedes
Doutor em Educação pela USP e docente da Universidade Estadual de Maringá
Sobre o autor
Antonio Ozaí da Silva é graduado
domingo, dezembro 07, 2008
A COR DA ESCOLA Livro resgata as primeiras imagens de professores e alunos negros
A notícia abaixo traz uma informação interessante para se investigar. Mesmo com a sistema de escravidão, muitos negros acabaram tendo acesso à cultura letrada, pois a prática racista não era intensa como a que aflorou entre os anos de 1910 e 1930, com aquilo que chamamos de ideologia do embranquecimento da população brasileira e que de certa forma, mesmo com a chamada democracia racial, se propagou até os dias atuais, afastando o povo negro dos bancos do sistema escolar oficial. Há um outro estudo, de uma pesquisadora mineira, que preciso procurar, que investiga o letramento entre a população negra nos séculos XVII, XVIII e XIX em vários regiões de Minas Gerais. Assim que achar essa informação publico aqui no blog. Axé!
" Entre 1910 e 1930 ocorreu um processo de branqueamento das posições de prestígio e das salas de aula. "
Veja a fotogaleria com fotos do livro
- Escrevi diversos artigos sobre o assunto e as pessoas diziam que eu era louca, que os negros só começaram a estudar para ser professor na década de 1960. Então, me senti desafiada a provar aquilo. Demorou dez anos, desde o dia que achei a primeira foto, mas aí está o resultado - comemora Lúcia, que é pesquisadora associada do Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira, da UFF, e professora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).
Reforma educacional afasta os negros das escolas
- Entre 1910 e 1930 ocorreu um processo de branqueamento das posições de prestígio e das salas de aula. Muitos intelectuais achavam que a solução para o desenvolvimento do Brasil era a imigração da população européia. Então, foram criadas regras para afastar os negros.
As normas fizeram parte de uma reforma educacional brasileira do início do século passado, que no Rio aconteceu em 1927. Pelas regras implementadas, professores com mais de quatro obturações dentárias, sem algum dos dentes, ou não nascidos na cidade do Rio de Janeiro não eram aceitos nas escolas. Além disso, foi criado um programa de estímulo à aposentadoria, conta Lúcia.
- Com os alunos, o processo foi parecido. Eles precisavam preencher um formulário escolar que mais parecia uma ficha médica, que acabava por discriminar os mais pobres, em sua maioria negros.
Cotas contribuem para a formação de uma elite negra, dia Lúcia
- Pesquisas já comprovaram que os cotistas não diminuíram a qualidade do ensino dessas universidades. Pelo contrário, eles são os mais esforçados. As políticas afirmativas são essenciais para que criemos uma elite negra no país. Se elas não são a solução definitiva, são pelo menos a temporária - defende.
sábado, novembro 29, 2008
ZUMBI GUERREIRO VIVE EM SAPOPEMBA
Trinta anos depois do lançamento do manifesto que deu origem ao Movimento Negro Unificado e de uma nova etapa da luta do povo negro no Brasil, a luta continua. Em 1978 tinha 18 anos e trabalhava como office-boy no centro de São Paulo. Fui testemunha ocular do nascimento desse novo movimento negro, onde o político se cruzou com o cultural, com o econômico e o social.
Na minha opinião, a grande riqueza do atual Movimento Negro é a sua pluralidade. Não existe só um caminho para lutarmos contra o racismo. Axé!
27.11.2008 - Zumbi Vive em Sapopemba
PALESTRA
Tema: A memória de Zumbi e as lutas libertárias do povo negro hoje contra a discriminação racial.
Palestrantes: Sr. Moisés Basílio Leal e Padre Luís Fernando
Data: 27/11/08
Local: Paróquia Santa Madalena
Horário: 19h30
OFICINAS DE IDENTIDADE NEGRA
Trançados e Cabelos Afro
Artesanato (brincos, colares, pulseiras...)
Culinárias Afro
Data: 29/11/08
Local: Paróquia Nossa Senhora de Fátima
Horário: 9h00 às 16h00
ALMOÇO AFRO
Data: 30/11/08
Local: Paróquia Nossa Senhora das Graças
Horário: 12h00
MISSA AFRO
Data: 30/11/08
Local: Paróquia de São Sebastião
Horário: 18h00
ORGANIZAÇÃO: Setor Sapopemba – Paróquias: São Sebastião, Santa Madalena, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Esperança, Divino Espírito Santo, Imaculada Conceição.

sábado, novembro 22, 2008
REDES SOCIAIS - Entrevista com David de Ugarte
Fonte: Sítio da RTS - Rede de Tecnologia Social - http://www.rts.org.br/entrevistas/david-de-ugarte-socio-da-sociedad-de-las-indias-electronicas-e-autor-do-livro-el-poder-de-las-redes
Entrevista: David de Ugarte, sócio da Sociedad de las Indias Electrónicas e autor do livro El poder de las redes.
Foto: Divulgação RTS
David de Ugarte
30/04/2008 - Desde 1994, o especialista mundial em redes David de Ugarte desenvolve trabalhos, projetos e empreendimentos ligados à Internet. Atualmente, é sócio da Sociedad de las Indias Electrónicas, empresa fundada em 2002 com o objetivo de realizar análises de redes sociais. Nesta entrevista, que recupera parte do debate com representantes de instituições associadas à RTS durante o Encontro Redes – Nova Arquitetura Organizacional, realizado em São Paulo (SP), David fala sobre a evolução das redes centralizadas para redes distribuídas, da expansão da internet e do surgimento de novas esferas de relação social.
DU - Eu acho que a identidade transmuta uma coisa que pertence ao indivíduo. Até agora pertencíamos à nossa religião, à nossa nação. Agora é a nacionalidade que pertence ao indivíduo. Então, temos um novo tipo de multiculturalidade, que não é de caixas ou separada e de onde você não pode sair. Passa a ser uma ação pessoal porque é você que passa a construir a rede. Então, quando falamos numa nação-rede, estamos falando de uma nação de identidade, não garantida pelo Estado, pelo nacionalismo, mas pelas próprias pessoas em seu interagir.
Como funciona essa nova rede que os blogs e Internet estão formando?
DU - Os blogs e a internet estão expandindo o campo do local. O local sempre foi distribuído, todos com todos. Vocês, no Brasil, têm uma instituição que gosto muito que se chama multidão. A blogosfera dá às pessoas a possibilidade de organizar multidões massivas num espaço social muito maior.Muitas pessoas que tentam empreender localmente e se articular em rede não têm acesso à internet no Brasil. Como contornar esse gargalo?
DU - Quando falamos da exclusão digital, estamos defendendo o modelo de infra-estrutura pública. Hoje é cada vez mais barato garantir acesso à internet. Tomemos oexemplo de uma cidade de três milhões de pessoas, como Montevidéu. Você poderia doar uma conexão de internet para essas pessoas, para toda a vida, com um investimento básico de US$ 1,5 milhão. Então, isso é muito pouco para uma prefeitura como Montevidéu. Depois, pode, por exemplo, dar às empresas a oportunidade de vender a conexão global à internet. Fazer a rede local é um investimento muito pequeno. Na Espanha, temos experimentado a internet gratuita para uma cidade inteira.
O problema de inclusão é um problema de vontade política. A gente quer se incluir. Mas não podemos esquecer uma coisa. Em Montevidéu, os jovens, segundo um estudo apresentado este ano, dedicam um mínimo de duas horas por dia à internet e aos cibercafés. Hoje os cibercafés são espaços de liberdade, de coesão social. Em países como o Marrocos, homens, mulheres e jovens estão juntos, e estão juntos nos cibercafés. A sociedade é inclusiva. Se você deixa a mínima liberdade e as mínimas infra-estruturas, a sociedade inclui ela mesma.
É possível fazer uma distinção clara entre países ditos desenvolvidos e em desenvolvimento no que se refere à constituição de redes distribuídas?
DU - Não há diferenças por princípio. A diferença fundamental é cultural. A primeira grande mobilização em uma rede distribuída na internet, por exemplo, foi a queda do presidente das Filipinas. A segunda foi a queda do presidente Asnar na Espanha. A forma foi praticamente idêntica e a motivação muito similar, embora estes países sejam bastante diferentes.DU - A boa comunidade é uma comunidade de produção. A rede panal, na Argentina, é um bom exemplo. Formada por músicos amadores e profissionais, os integrantes da rede produzem música coletivamente e novas parcerias a partir da internet. É uma comunidade virtual, mas é sobretudo real por envolve pessoas que se dedicam a esta interação e à produção de conhecimentos que só podem passar a existir pela troca.
Como vê o futuro destas redes?sexta-feira, novembro 21, 2008
LÉVI-STRAUSS FAZ 100 ANOS
Fonte: Site Cronópios 20/11/2008 03:38:00 - www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=3666
Entre gêmeos desiguais
Por Sérgio Medeiros
Publicado na França em 1991, o livro Histoire de Lynx (História de Lince), do antropólogo Claude Lévi-Strauss, atrai inicialmente o leitor pelas páginas bem-humoradas, destacando-se o prefácio, onde o autor afirma que seus estudos sobre mitologia indígena se situam entre os contos de fadas e os romances policiais, gêneros considerados fáceis de ler. Por isso ele se surpreende quando reclamam da complexidade de suas análises, embora admita que os quatro volumes que compõem as Mitológicas, publicados entre 1964 e 1971, possam ser difíceis. O fato é que Lévi-Strauss inventou, como os críticos reconhecem, uma nova linguagem para resumir e comparar mitos, um estilo inconfundível que começou a ser forjado nos anos 1950 e cuja verve e frescor perduram na História de Lince, um livro que retoma os anteriores, porém apostando na concisão e na simplicidade da exposição. Pode-se dizer que, nesse livro, Lévi-Strauss reviu toda sua obra e fez uma defesa contundente do método que sempre empregou para analisar os mitos. Clifford Geertz chega a dizer, num estudo sobre a originalidade do discurso antropológico, que “Lévi-Strauss não quer que o leitor olhe através de seu texto: quer que olhe para o texto”, situando-o numa linhagem literária que incluiria nomes como Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud e em especial Proust. Quem freqüentar as páginas dessa obra-prima que é Tristes Trópicos, publicada em 1955, não ignorará sua assombrosa dimensão literária, digna de Mallarmé, caso esse poeta simbolista tivesse vivido na América do Sul, como já se afirmou.
Quando a Europa programava as comemorações dos 500 anos da descoberta da América, Lévi-Strauss lançou História de Lince e lembrou, em suas páginas, que houve invasão e destruição, não descoberta. O prefácio bem-humorado termina lamentando a destruição dos povos indígenas e de seus valores e anuncia um dos temas desse livro fascinante: o branco e o índio não seriam irmãos gêmeos? É possível sustentar essa hipótese?
A “descoberta” do Novo Mundo não teria agitado muito a consciência européia. Ao espanto inicial, nada espetacular, sobreveio certa indiferença, quando a cegueira voluntária do Velho Mundo se sobrepôs à evidência de que a sua “humanidade plena” não representava o gênero humano, mas uma parte dele. Para o século XVI, a descoberta da América teria confirmado, muito mais do que revelado, a diversidade dos costumes, como se nada de absolutamente novo tivesse sido trazido à luz. Outra teria sido, contudo, a reação dos índios quando se depararam pela primeira vez com os europeus recém-chegados ao seu território. Essas duas atitudes opostas são discutidas pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss em História de Lince, onde ele se debruça sobre o papel que os brancos exerceram no imaginário indígena, antes mesmo do efetivo desembarque dos europeus no Novo Mundo.
Para falar do nascimento dos gêmeos mitológicos, Lévi-Strauss resume as relações sexuais possíveis entre humanos e não-humanos, numa época em que as fronteiras ontológicas eram porosas e pululavam contatos inusitados no território ameríndio. Nesse sentido, além de conto de fadas e de romance policial, a análise estrutural pode incluir também a narrativa erótica, sempre atribulada e exuberante: certa jovem, por exemplo, que recusou todos os pretendentes, acabou levando uma vida solitária e se resignou finalmente a desposar uma raiz, com a qual teve um filho, que cresceu ao seu lado. À medida que, nesse livro, os diferentes mitos vão sendo apresentados, o leitor se depara com vegetais e animais sedutores e, sobretudo, já nas páginas iniciais, com o lince, um velho pouco atraente que se une a uma moça virgem. O casal vive feliz porque o lince é, na verdade, um rapaz belo e forte. Quem imagina que o príncipe encantado é tema exclusivo da literatura do Velho Mundo será surpreendido, na História de Lince, por uma galeria de heróis bem-apessoados, embora, inicialmente, todos se caracterizem pela má aparência e a idade avançada. Contudo, há sempre uma pele jovem sob a pele encarquilhada, e o feio oculta o belo. Das uniões sexuais entre esses heróis ambíguos (seres sobrenaturais) e moças cobiçadas pelos homens nascem os gêmeos ameríndios.
Na América do Sul, à época da “descoberta”, os povos indígenas temiam em geral os gêmeos (estes podiam ser mortos ao vir ao mundo), embora eles também fossem venerados, como sucedia entre os incas. Os mitos ameríndios, contudo, parecem se comprazer em apresentar, em todos os rincões do Novo Mundo, nascimentos de gêmeos, filhos do mesmo pai ou de pais diferentes, seja porque a mãe se relacionou com dois homens ou com um homem e um animal. Segundo a tese de Lévi-Strauss, isso poderia ser explicado pelo fato de que o mundo e a sociedade estão estruturados sobre uma série de bipartições. As partes, porém, não são iguais, uma é sempre superior à outra. É o que acontece com os gêmeos míticos: eles são diferentes entre si, um agressivo, o outro pacífico; um forte, o outro fraco; um inteligente e hábil, o outro desajeitado e tonto etc. Tampouco os seios das mulheres são gêmeos idênticos, lembram os mitos: um é distinto do outro, pois o peito das índias é assimétrico.
Entre as mais importantes polaridades míticas, Lévi-Strauss destaca a bipartição em índios e brancos. Ele constata que os brancos, logo após sua chegada, foram facilmente incorporados à gênese ameríndia, como se o lugar deles nesse relato mítico já tivesse sido previsto antes da invasão do Novo Mundo. A criação dos índios, afirma Lévi-Strauss, tornava necessário que o demiurgo também criasse os não-índios. O deus civilizador Quetzalcoatl, por exemplo, anunciou que viriam pelo mar, de onde o sol nasce, seres semelhantes a ele mesmo, cuja aparência, conforme acreditavam os índios, era a de um homem grande, branco e de barba longa. Porém, o mesmo e o outro, idealmente gêmeos, sempre se revelaram desiguais nos mitos e na realidade. Esse desequilíbrio era ainda mais forte entre brancos e índios. Ou seja, os gêmeos não são de fato gêmeos, conclui Lévi-Strauss, tudo neles contradiz essa condição. O filho do Velho Mundo e o filho do Novo Mundo entraram inevitavelmente em conflito, o que os mitos já previam. O índios não puderam ficar indiferentes à chegada dos europeus, mas tampouco puderam reverter a seu favor a superioridade numérica. Há um pormenor inquietante nesse conto de horror e mistério, inserido em História de Lince: o incapacidade indígena de opor uma resistência eficaz ao europeu, mesmo quando 20.000 homens armados, por exemplo, se defrontaram, no Peru, com um número inexpressivo de espanhóis. Essa paralisia terá muitas explicações, inclusive a de que o intruso inicialmente foi visto, pelos incas e pelos astecas, e talvez por outros povos, como uma antiga divindade desaparecida, cujo retorno era esperado e anunciado.
É possível especular como seriam hoje as sociedades indígenas se o “reencontro” entre os gêmeos tivesse ocorrido milhares de anos atrás. Depois de percorrer os Ensaios de Montaigne, um europeu imune à “cegueira voluntária” que acometeu os homens do século XVI, Lévi-Strauss lembra, numa nota de rodapé, que o filósofo lamentou que a conquista do Novo Mundo não tivesse se dado no tempo da Grécia ou de Roma, quando as armas respectivas seriam comparáveis e o contato não teria redundado no extermínio dos mais fracos. Esse belo mito, sonhado por Montaigne e recuperado por Lévi-Strauss, não foi ainda narrado por ninguém. Os gêmeos continuam desiguais, sobretudo nesta parte do mundo, como o demonstra a História de Lince.
Sérgio Medeiros traduziu o poema maia Popol Vuh (Iluminuras, 2007), com a colaboração do americanista Gordon Brotherston, e publicou, entre outros, três livros de poesia. Ensina literatura na UFSC. Participará de uma homenagem a Claude Lévi-Strauss no Centro Cultural Arquipélago de Florianópolis, no dia 22 de novembro, às 19 horas, quando lerá seu poema longo “O retrato totêmico de Claude Lévi-Strauss”. E-mail: panambi@matrix.com.br
domingo, outubro 26, 2008
ERIC HOBSBAWM - Crise do Capitalismo e Marx
Fonte: Revista Sin Permisso - www.sinpermiso.info
La crisis del capitalismo y la importancia actual de Marx 150 años después de los Grundrisse. Entrevista
Eric Hobsbawm · · · · ·
28/09/08
"Para cualquier interesado en las ideas, sea un estudiante universitario o no, es patentemente claro que Marx es y permanecerá como una de las grandes mentes filosóficas y analistas económicas del siglo diecinueve y, en su máxima expresión, un maestro de una prosa apasionada. También es importante leer a Marx porque el mundo en el cual vivimos hoy, no puede entenderse sin la influencia que los escritos de este hombre tuvieron sobre el siglo XX. Y, finalmente, debería ser leído porque como él mismo escribió, el mundo no puede ser cambiado de manera efectiva a menos que sea entendido, y Marx permanece como una soberbia guía para la comprensión del mundo y los problemas a los que debemos hacer frente."
Eric Hobsbawm es considerado uno de los más grandes historiadores vivientes. Es Presidente de la Birkbeck College (London University) y profesor emérito de la New School for Social Research (New York). Entre sus muchos escritos se encuentran la trilogía acerca del "largo siglo XIX": The Age of Revolution: Europe 1789-1848 (1962); The Age of Capital: 1848-1874 (1975); The Age of Empire: 1875-1914 (1987) y el libro The Age of Extremes: The Short Twentieth Century, 1914-1991 (1994) traducidos a varios idiomas. Le entrevistamos cuando la publicación del volumen Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later y con motivo de la nueva actualidad que están teniendo en los últimos años los escritos de Marx y después de la nueva crisis de Wall Street. Nuestro colaborador Marcello Musto lo entrevistó para Sin Permiso.
1) Marcelo Musto. Profesor Hobsbawm, dos décadas después de 1989, cuando fue apresuradamente relegado al olvido, Karl Marx ha regresado al centro de atención. Libre del papel de intrumentum regni que le fue asignado en la Unión Soviética y de las ataduras del "marxismo-leninismo", no solo ha recibido atención intelectual por la nueva publicación de su obra sino que también ha sido el centro de un mayor interés. De hecho, en 2003, la revista francesa Nouvel Observateur dedicó un número especial a Karl Marx. Le penseur du troisième millénaire? Un año después, en Alemania, en una encuesta organizada por la compañía de televisión ZDF para establecer quien eran los más importantes alemanes de todos los tiempos, más de 500.000 televidentes votaron por Karl Marx; quien obtuvo el tercer lugar en la clasificación general y primero en la categoría de "relevancia actual". Luego, en 2005, el semanario Der Spiegel le dedicó una portada con el título de Ein Gespenst Kehrt zurük (Un espectro ha vuelto) mientras los escuchas del programa In Our Time de Radio 4 de la BBC votaron por Marx como el más grande filósofo.
En una conversación recientemente publicada con Jacques Attalí, usted dijo que paradójicamente "son los capitalistas, más que otros, quienes han estado redescubriendo a Marx" y usted habló de su asombro, cuando el hombre de negocios y político liberal, George Soros, le dijo a usted que: "He estado leyendo a Marx y hay muchas cosas interesantes en lo que él dice". Aunque sea débil y más bien vago ¿cuáles son las razones de este renacimiento? ¿Es probable que su obra sea de interés solamente para los especialistas e intelectuales, para ser presentada en cursos universitarios como un gran clásico del pensamiento moderno que no debería ser olvidado? o ¿también podría venir una nueva "demanda de Marx" en el futuro desde el lado político?
Eric Hobsbawm. Hay un indudable renacimiento del interés público en Marx en el mundo capitalista, sin embargo, probablemente no todavía en los nuevos miembros de la Unión Europea de Europa del Este. Este renacimiento, fue probablemente acelerado por el hecho de que el 150 aniversario de la publicación del Manifiesto del Partido Comunista coincidió con una crisis económica internacional particularmente dramática en medio de un período de ultra-rápida globalización del libre mercado.
Marx predijo la naturaleza de la economía mundial en el comienzo del Siglo XXI, sobre la base de su análisis de la "sociedad burguesa", ciento cincuenta años antes. No es sorprendente que los capitalistas inteligentes, especialmente en el sector financiero globalizado, fueran impresionados por Marx, ya que ellos fueron necesariamente más concientes que otros de la naturaleza y las inestabilidades de la economía capitalista en la cual ellos operaban. La mayoría de la izquierda intelectual ya no supo que hacer con Marx. Fue desmoralizada por el colapso del proyecto social-demócrata en la mayoría de los Estados Atlánticos del Norte en los ochenta y la conversión masiva de los gobiernos nacionales a la ideología de libre mercado así como por el colapso de los sistemas políticos y económicos que afirmaban ser inspirados por Marx y Lenin. Los así llamados, "nuevos movimientos sociales" como el feminismo, tampoco tuvieron una conexión lógica con el anti-capitalismo (aunque como individuos sus miembros pudieran estar alineados con él) o cuestionaron la creencia en el progreso sin fin del control humano sobre la naturaleza que tanto el capitalismo como el socialismo tradicional habían compartido. Al mismo tiempo, "el proletariado", dividido y disminuido, dejó de ser creíble como el agente histórico de la transformación social de Marx. Es también el caso que desde 1968, los más prominentes movimientos radicales han preferido la acción directa no necesariamente basada sobre muchas lecturas y análisis teóricos. Claro, esto no significa que Marx dejara de ser considerado como un gran y clásico pensador, aunque por razones políticas, especialmente en países como Francia e Italia, que alguna vez tuvieron poderosos Partidos Comunistas, ha habido una ofensiva intelectual apasionada contra Marx y los análisis marxistas, que probablemente llegaron a su más alto nivel en los ochenta y noventa. Hay signos de que ahora el agua retomará su nivel.
2) M. M. A través de su vida, Marx fue un agudo e incansable investigador, quien percibió y analizó mejor que ninguno otro en su tiempo, el desarrollo del capitalismo a escala mundial. Él entendió que el nacimiento de una economía internacional globalizada era inherente al modo capitalista de producción y predijo que este proceso generaría no solamente el crecimiento y la prosperidad alardeados por políticos y teóricos liberales sino también violentos conflictos, crisis económicas e injusticia social generalizada. En la última década hemos visto la Crisis financiera del este asiático, que empezó en el verano de 1997; la crisis económica argentina de 1999-2002 y sobre todo, la crisis de los préstamos hipotecarios, que empezó en Estados Unidos en 2006 y ahora ha devenido la más grande crisis financiera de la post-guerra. ¿Es correcto decir entonces, que el regreso al interés en Marx está basado en la crisis de la sociedad capitalista y sobre su perdurable capacidad de explicar las profundas contradicciones del mundo actual?
E. H. Si la política de la izquierda en el futuro será inspirada una vez más en los análisis de Marx, como lo fueron los viejos movimientos socialistas y comunistas, dependerá de lo que pase en el mundo capitalista. Pero esto aplica no solamente a Marx sino a la izquierda como un proyecto y una ideología política coherente. Puesto que, como usted dice correctamente, la recuperación del interés en Marx está considerablemente –yo diría, principalmente- basado sobre la actual crisis de la sociedad capitalista, la perspectiva es más prometedora de lo que fue en los noventa. La presente crisis financiera mundial, que bien puede devenir en una mayor depresión económica en Estados Unidos, dramatiza el fracaso de la teología del libre mercado global incontrolado y obliga, inclusive del Gobierno norteamericano, a considerar optar por tomar acciones públicas olvidadas desde los treinta. Las presiones políticas están ya debilitando el compromiso de los gobiernos neoliberales en torno a una globalización incontrolada, ilimitada y desregulada. En algunos casos (China) las vastas desigualdades e injusticias causadas por una transición de modo general a una economía de libre mercado, plantea ya problemas importantes para la estabilidad social y dudas inclusive en altos niveles de gobierno.
Es claro que cualquier "retorno a Marx" será esencialmente un retorno al análisis de Marx del capitalismo y su lugar en la evolución histórica de la humanidad —incluyendo, sobre todo, sus análisis de la inestabilidad central del desarrollo capitalista que procede a través de crisis económicas auto-generadas con dimensiones políticas y sociales. Ningún marxista podría creer por un momento que, como argumentaron los ideólogos neoliberales en 1989, el capitalismo liberal se había establecido para siempre, que la historia tenía un fin o, en efecto, que cualquier sistema de relaciones humanas podría ser para siempre, final y definitivo.
3) M. M. No piensa usted que si las fuerzas políticas e intelectuales de la izquierda internacional, que se cuestionan a sí mismas con respecto al socialismo en el nuevo siglo, renunciaran a las ideas de Marx, ¿no perderían una guía fundamental para el examen y la transformación de la realidad actual?
E. H. Ningún socialista puede renunciar a las ideas de Marx, en tanto que su creencia de que el capitalismo debe ser sucedido por otra forma de sociedad está basada, no en la esperanza o la voluntad sino en un análisis serio del desarrollo histórico, particularmente de la era capitalista. Su predicción real de que el capitalismo sería re-emplazado por un sistema administrado o planeado socialmente todavía parece razonable, aunque él ciertamente subestimó los elementos de mercado que sobrevivirían en algún sistema(s) post-capitalista. Puesto que él deliberadamente se abstuvo de especular acerca del futuro, no puede ser hecho responsable por las formas específicas en que las economías "socialistas" fueron organizadas bajo el "socialismo realmente existente". En cuanto a los objetivos del socialismo, Marx no fue el único pensador que quería una sociedad sin explotación y alienación, en que los seres humanos pudieran realizar plenamente sus potencialidades, pero sí fue el que la expresó con mayor fuerza que nadie, y sus palabras mantienen el poder para inspirar.
Sin embargo, Marx no regresará como una inspiración política para la izquierda hasta que sea entendido que sus escritos no deben ser tratados como programas políticos, autoritariamente, o de otra manera, ni como descripciones de una situación real del mundo capitalista de hoy, sino más bien, como guías hacia su modo de entender la naturaleza del desarrollo capitalista. Ni tampoco podemos o debemos olvidar que él no logró una presentación bien planeada, coherente y completa de sus ideas, a pesar de los intentos de Engels y otros de construir de los manuscritos de Marx, un volumen II y III de El Capital. Como lo muestran los Grundrisse. Incluso, un Capital completo habría conformado solamente una parte del propio plan original de Marx, quizá excesivamente ambicioso.
Por otro lado, Marx no regresará a la izquierda hasta que la tendencia actual entre los activistas radicales de convertir el anticapitalismo en anti-globalismo sea abandonada. La globalización existe y, salvo un colapso general de la sociedad humana, es irreversible. En efecto, Marx lo reconoció como un hecho y. como un internacionalista, le dio la bienvenida, teóricamente. Lo que él criticó y lo que nosotros debemos criticar es el tipo de globalización producida por el capitalismo.
4) M. M. Uno de los escritos de Marx que suscitaron el mayor interés entre los nuevos lectores y comentadores son los Grundrisse. Escritos entre 1857 y 1858, los Grundrisse son el primer borrador de la crítica de la economía política de Marx y, por tanto, también el trabajo inicial preparatorio del Capital; contiene numerosas reflexiones sobre temas que Marx no desarrolló en ninguna otra parte de su creación inacabada. ¿Por qué, en su opinión, estos manuscritos de la obra de Marx, continúan provocando más debate que cualquiera otro, a pesar del hecho de que los escribió solamente para resumir los fundamentos de su crítica de la economía política? ¿Cuál es la razón de su persistente interés?
E. H. Desde mi punto de vista, los Grundrisse han provocado un impacto internacional tan grande sobre la escena marxista intelectual por dos razones relacionadas. Permanecieron virtualmente no publicados antes de los cincuenta y, como usted dice, conteniendo una masa de reflexiones sobre asuntos que Marx no desarrolló en ninguna otra parte. No fueron parte del largamente dogmatizado corpus del marxismo ortodoxo en el mundo del socialismo soviético, de ahí que el socialismo soviético no pudiera simplemente desecharlos. Pudieron, por tanto, ser usados por marxistas que querían criticar ortodoxamente o ampliar el alcance del análisis marxista mediante una apelación a un texto que no podría ser acusado de ser herético o anti-marxista. Por tanto, las ediciones de los setenta y los ochenta antes de la caída del Muro de Berlín, continuaron provocando debate, fundamentalmente porque en estos manuscritos Marx plantea problemas importantes que no fueron considerados en el Capital, como por ejemplo, las cuestiones planteadas en mi prefacio al volumen de ensayos que usted recolectó (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).
5) M. M. En el prefacio de este libro, escrito por varios expertos internacionales para conmemorar el 150 aniversario desde su composición, usted escribió: "Quizá este es el momento correcto para regresar al estudio de los Grundrisse menos constreñidos por las consideraciones temporales de las políticas de izquierda entre la denuncia de Nikita Khrushchev de Stalin y la caída de Mikhail Gorbachev". Además, para subrayar el enorme valor de este texto, usted establece que los Grundrisse "contienen análisis y la comprensión, por ejemplo, de la tecnología, que lleva al tratamiento de Marx del capitalismo mas allá del siglo XIX en la era de una sociedad donde la producción no requiere ya mano de obra masiva, de automatización, de potencial de tiempo libre y de las transformaciones de alienación en tales circunstancias. Este es el único texto que va, de alguna manera, más allá de los propios indicios de Marx del futuro comunista en la Ideología Alemana. En pocas palabras, ha sido correctamente descrito como el pensamiento de Marx en toda su riqueza. Por tanto ¿cuál podría ser el resultado de la re-lectura de los Grundrisse hoy?
E. H. No hay probablemente más que un puñado de editores y traductores que han tenido un pleno conocimiento de esta gran y notoriamente difícil masa de textos. Pero una re-re-lectura o más bien lectura de ellos hoy puede ayudarnos a repensar a Marx: a distinguir lo general en el análisis del capitalismo de Marx de lo que fue específico de la situación de la "sociedad burguesa" en la mitad del siglo XIX. No podemos predecir qué conclusiones de este análisis son posibles y probablemente solamente que ellos ciertamente no llevarán a acuerdos unánimes.
6) M. M. Para terminar una pregunta final ¿Por qué es importante leer hoy a Marx?
E. H. Para cualquier interesado en las ideas, sea un estudiante universitario o no, es patentemente claro que Marx es y permanecerá como una de las grandes mentes filosóficas y analistas económicas del siglo diecinueve y, en su máxima expresión, un maestro de una prosa apasionada. También es importante leer a Marx porque el mundo en el cual vivimos hoy, no puede entenderse sin la influencia que los escritos de este hombre tuvieron sobre el siglo XX. Y finalmente debería ser leído porque como él mismo escribió, el mundo no puede ser cambiado de manera efectiva a menos que sea entendido, y Marx permanece como una soberbia guía para la comprensión del mundo y los problemas a los que debemos hacer frente.
Eric Hobsbawm es el decano de la historiografía marxista británica. Uno de sus últimos libros es un volumen de memorias autobiográficas: Años interesantes, Barcelona, Critica, 2003.
Traducción para www.sinpermiso.info: Gabriel Vargas Lozano
sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores. Si le ha interesado este artículo, considere la posibilidad de contribuir al desarrollo de este proyecto político-cultural realizando una DONACIÓN o haciendo una SUSCRIPCIÓN a laREVISTA SEMESTRAL impresa
www.sinpermiso.info, 28 septiembre 2008
sábado, outubro 25, 2008
CURINTIÁ, AXÉ!
Para ver o vídeo clique:
http://mais.uol.com.br/view/123260
http://www.youtube.com/watch?v=nJ39nqWLkhA
CURINTIÁ
De Gilberto Gil
Ser corintiano é decidir,
Que todo ano a gente vai sofrer.
Se enrolar no pano da bandeira
E reclamar se o time não vencer.
Mas de repente o ano é santo
A gente tá no céu
O time é forte, a sorte é grande,
Axé, tá com a fiel.
O Axé, tá com a fiel
Voa suave o gavião.
O Axé, tá com a fiel
Bate na trave o coração.
Bate na trave o coração.
Ser corinthiano é mergulhar no oceano
Da ilusão que afoga
Não importa o plano do destino
Cada jogo é o coração que joga
Bate na trave
A ilusão da gente, vai que vai...
Chutar de novo
Que o coração entra e o grito sai:
É o gol! Curintiá!
É o gol! Curintimão!
É o gol! Curintiá!
É o gol! Curintimão!
sexta-feira, outubro 03, 2008
ANN MISCHE - Partisan Publics: Communication and Contention Across Brazilian Youth
Partisan Publics: Communication and Contention Across Brazilian Youth ... - Página 126
de Ann Mische - 2008 - 432 páginaseventually a committed PT leader) recalls, In the election of 1982, a majority of ...
quinta-feira, setembro 11, 2008
Notícas do México


Estou aproveitando para viajar com a universidade e também com as pessoas que me convidam para suas casas. Como quase todos não moram em Texcoco entonces vem gente de tudo quanto é lugar do México.
Neste fim de semana teve uma puente (feriado), pois aqui no México uma vez por ano (1 setembro) tem esclarecimentos de que o governo fez no ano anterior. Aproveitei para ir a um pueblo (sta. Maria del Monte) muito bonito onde vive uma amiga. A situacão nao é das melhores e lá me disseram que é um reflexo de como vive a maioria dos mexicanos. Comida não falta, porém não tem luxo. A diversão dos jovens nos fins de semana é beber até cair e arranjar briga. muitos pueblos estao esvaziados de homens que vão tentar a vida nos EUA. É impressionante como algumas casas das familias dessas pessoas que vão aos Estados Unidos são diferentes, isto é, grandes e com estilo estadosunidense.
Fui também em um encontro de campesinos. A situacão é a mesma do Brasil. O governo traça uma politica de producão que é mundial e financia somente quem a segue. Porém os campesinos desta comunidade (1 de maio) estao mudando a lógica e primeramente estao plantando para comer e depois para vender. Está dificil porem estao em luta. (...)
segunda-feira, agosto 11, 2008
Escola Pública e Sociedade
LEAL, Moisés Basílio, SILVA, Valdir Gomes da, CARDOSO,Wladimir. <em>Escola pública e sociedade</em>: projeto de pesquisa. São Paulo, 2007. 2 p. — Portal colabor
Escola Pública e Sociedade: Minuta de projeto de pesquisa. São Paulo, 2007..
Enunciado do problema:
Por que a instituição escolar pública de educação básica, ao realizar as suas ações educativas, tem dificuldades em fazer interlocuções com as organizações e instituições que atuam em seu entorno?
Definição do problema:
A população alvo da educação pública escolar básica é formada por crianças, adolescentes, jovens e adultos que não freqüentaram a escola em seu devido tempo. Só que a ação da escola pública sobre essa população não acontece no vazio, pois várias organizações e instituições da sociedade e também do Estado, fazem parte do cotidiano dessa população e podem valorizar, desvalorizar ou ignorar o trabalho da educação escolar.
Considerando que o papel da atual Escola Pública brasileira, expresso nas legislações vigentes, principalmente na Constituição de 1988, fruto de amplo debate político realizado no processo de redemocratização brasileira, após o longo período do regime de ditadura militar, tem como pressupostos e fundamentos uma concepção democrática e cidadã de escola. Também há de se considerar o conceito de “Cidade Educadora”, movimento surgido em âmbito mundial e do qual a cidade de São Paulo faz parte. Então há de se questionar: Até que ponto essa concepção de escola pública está presente nas práticas organizativas da instituição escola pública.
O conceito de interlocução é de fundamental importância para a prática democrática. A interlocução pressupõe a existência de sujeitos que se comunicam a partir de situações pertinentes a realidade social concreta sentida pelos sujeitos. No caso da realidade da escola pública, o que o nosso projeto de pesquisa buscará explicitar é se há ou não interlocução entre o sujeito instituição escola pública e os outros sujeitos, cidadão, instituições e organizações, que atuam em seu entorno.
A relevância deste problema está situada no papel social que a escola pública de ensino básico é chamada a responder diante da sociedade brasileira, ou seja, o de contribuir com o processo educativo da sociedade brasileira, a partir da educação escolar básica para as gerações que não tiveram oportunidades no seu devido tempo e para as novas gerações. Para nós o conceito de educação de uma sociedade é mais amplo do que o conceito de educação escolar, pois o acesso ao conhecimento das pessoas não se reduz só ao âmbito do ensinar e aprender escolar. Mas, nas sociedades modernas a complexidade de conhecimentos necessários para que uma pessoa se torne sujeito, faz com que o conhecimento escolar ganhe importância. Mas também, esse conhecimento escolar não tem valor em si mesmo, como um conhecimento pronto e acabado para ser transmitido. Ele só adquire importância para as pessoas e para a sociedade quando responde as suas necessidades de conhecimento.
Assim, a escola pública para cumprir a sua missão, no mundo atual, não pode se contentar em ser somente um espaço de transmissão de conhecimentos, o desafio é tornar-se um espaço de produção de conhecimentos, e para isso tem que necessariamente fazer a interlocução com os outros produtores de conhecimentos e de políticas públicas, para que possa contribuir de fato com o amplo processo educacional.
Enunciado de hipóteses
- A escola pública como instituição estatal e burocrática
As origens históricas da atual instituição escolar pública brasileira, data dos anos 30, e tem como bases o Estado autoritário e uma organização burocrática. Essas origens, ao longo do tempo foram reforçadas, e mesmos nos períodos de regimes democráticos, a estrutura do Estado permanece autoritária e a cultura de organização burocrática na instituição escola, dificultam a implementação de uma cultura democrática.
- Diversidades de interesses e de concepções em relação à escola pública
Se de um lado há um claro consenso na sociedade brasileira sobre a necessidade de se ter uma política pública de educação escolar básica de caráter universal, que possa ser acessado por todos, por outro lado há uma diversidade de interesses quanto à qualidade dessa educação. O consenso se expressou historicamente em várias ações para garantir vagas para todos nos sistemas escolares.
- Debilidades na construção de mecanismos de interlocuções da escola pública com a sociedade
Tanto por parte da instituição escolar, como por parte das organizações e instituições da sociedade não há uma prática sistemática de interlocução. De um lado, a estrutura burocrática estatal da instituição escolar, fundada num saber técnico competente sobre educação, fecha-se sobre si mesma e dificulta o acesso de participação da sociedade, por considerá-la incompetente do ponto de vista técnico para participar das decisões referentes às demandas da educação escolar. Por outro lado há um comportamento de passividade por parte da sociedade ao aceitar esse pressuposto, fato que legitima a prática burocrática da instituição escolar.
Grupo: Moisés Basílio Leal, Valdir Gomes da Silva, Wladimir Cardoso.
Entenda como funciona o bônus do PASUSP
Fonte: Assessoria de Imprensa da USP - www.usp.br/inclusp
O Programa de Avaliação Seriada da USP (PASUSP) abre inscrições para alunos do terceiro ano do Ensino Médio Público Regular do estado de São Paulo que desejarem realizar prova cujo resultado será revertido em bônus adicional de até 3% na nota da primeira e da segunda fases do vestibular da FUVEST. A pré-inscrição gratuita será realizada entre os dias 11 e 22 de agosto, diretamente nas escolas onde os estudantes estão matriculados. A prova será aplicada pela FUVEST no dia 19 de outubro.
Neste primeiro ano, a prova será destinada aos estudantes do terceiro ano que também tenham cursado o primeiro e o segundo anos do Ensino Médio Regular em escolas públicas do Brasil. A participação dos alunos no Programa será voluntária. A partir de 2010 e 2011, o PASUSP será implantado progressivamente nas outras séries. Além da possibilidade de 3% de bônus adicional, pelo PASUSP, o estudante poderá conseguir até 12% de acréscimo em sua pontuação da primeira e segunda fases no vestibular:
Bônus no Vestibular
Bônus Universal – O aluno que realizou integralmente o ensino médio em escolas publicas públicas brasileiras recebe bônus de 3% sobre a nota do vestibular.
Bônus ENEM – Ao participar do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o estudante de escola pública brasileira pode ter um acréscimo de até 9% na nota do vestibular, dependendo do seu desempenho na prova.
Bônus PASUSP – Com o programa, o acréscimo na nota do vestibular pode chegar a 12%.
* Ensino Médio Público = 3%
* Ensino Médio Público + ENEM = até 9%
* Ensino Médio Público + ENEM + PASUSP = até 12%
O PASUSP é um programa desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Foi criado após uma avaliação amplamente favorável dos resultados iniciais do Programa de Inclusão Social da USP (INCLUSP) que, após os dois primeiros anos da implantação, atingiu o objetivo de aumentar o ingresso na USP de estudantes provenientes do Ensino Médio Público.
A principal finalidade do PASUSP é aproximar a Universidade das escolas públicas de Ensino Médio do Estado de São Paulo, contribuindo assim para ampliar progressivamente o percentual de ingressantes na USP que cursaram o Ensino Médio na rede pública de ensino, de modo a atingir a meta de 30% em 2009. O PASUSP visa ainda minimizar os efeitos da auto-exclusão e potencializar as chances de ingresso na USP de candidatos egressos do sistema público de ensino, mantido o critério de mérito acadêmico como requisito para o ingresso.
O Programa tem ainda o propósito de contribuir para a avaliação do desempenho acadêmico de estudantes do 3º ano do Ensino Médio Regular do Estado de São Paulo, por meio de prova elaborada pela USP com base nas expectativas de Aprendizagem apresentadas nos documentos das Propostas Curriculares para o Ensino Médio da Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo.
Etapas
• Pré-inscrição dos candidatos, na escola de origem do estudante: de 11 a 22 de agosto de 2008;
• Divulgação dos locais de exame, no site da FUVEST: início de outubro de 2008;
• Data do exame: 19 de outubro de 2008.
Cálculo do bônus e desenvolvimento do programa
Dependendo do desempenho do candidato na prova, sua nota no vestibular FUVEST 2009 poderá ser multiplicada por um fator que varia de 1,00 a 1,03, ou seja, o aluno pode receber bônus de até 3% sobre a pontuação da 1ª e da 2ª fases do vestibular. A equação abaixo mostra como o bônus vai ser calculado em função do desempenho do estudante na prova:
Bônus (%) = 3(NP – 12)/38, onde NP é o número de pontos na prova do Pasusp, 12 corresponde à probabilidade de acertos aleatórios e 38 resulta da subtração de 12 do total de 50 questões.
Assim, por exemplo, um aluno que acertar as 50 questões da prova terá NP = 50; 50 – 12 = 38 e, por sua vez, 38/38 = 1 que, multiplicado por três, representa o bônus máximo de 3%. Para acertos abaixo de 50 será adotada a mesma lógica e o bônus será proporcional ao resultado obtido. Um número de acertos igual ou abaixo de 12 não resultará em bonificação.
Para o recebimento da bonificação adicional qualificada pelo desempenho na prova, conforme explicitado na equação acima, as notas dos alunos no Pasusp poderão ser utilizadas no vestibular deste ano (FUVEST 2009) e também no vestibular do ano seguinte (FUVEST 2010).
Prova
A prova será aplicada pela FUVEST. Constará de 50 questões objetivas, de múltipla escolha. Será aplicada em escolas públicas localizadas em 5 regiões da Capital e em 44 cidades do Estado de São Paulo.
DIA DOS PAIS 2008
INFÂNCIA
Meu Pai pegava o ônibus, ia para o centro da cidade.
Minha Mãe ficava sentada cosendo.
Minha irmã pequena dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha minha Avó
café gostoso
café bom.
Minha Mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu Pai trabalhava
nas ruas sem fim da cidade
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.