segunda-feira, agosto 11, 2008

Escola Pública e Sociedade

Fonte: Portal Arca Pedagógia - Profº Elie Ghanen - Sociologia da Educação - FEUSP -
LEAL, Moisés Basílio, SILVA, Valdir Gomes da, CARDOSO,Wladimir. <em>Escola pública e sociedade</em>: projeto de pesquisa. São Paulo, 2007. 2 p. — Portal colabor


Escola Pública e Sociedade: Minuta de projeto de pesquisa. São Paulo, 2007..

Enunciado do problema:

Por que a instituição escolar pública de educação básica, ao realizar as suas ações educativas, tem dificuldades em fazer interlocuções com as organizações e instituições que atuam em seu entorno?

Definição do problema:

A população alvo da educação pública escolar básica é formada por crianças, adolescentes, jovens e adultos que não freqüentaram a escola em seu devido tempo. Só que a ação da escola pública sobre essa população não acontece no vazio, pois várias organizações e instituições da sociedade e também do Estado, fazem parte do cotidiano dessa população e podem valorizar, desvalorizar ou ignorar o trabalho da educação escolar.

Considerando que o papel da atual Escola Pública brasileira, expresso nas legislações vigentes, principalmente na Constituição de 1988, fruto de amplo debate político realizado no processo de redemocratização brasileira, após o longo período do regime de ditadura militar, tem como pressupostos e fundamentos uma concepção democrática e cidadã de escola. Também há de se considerar o conceito de “Cidade Educadora”, movimento surgido em âmbito mundial e do qual a cidade de São Paulo faz parte. Então há de se questionar: Até que ponto essa concepção de escola pública está presente nas práticas organizativas da instituição escola pública.

O conceito de interlocução é de fundamental importância para a prática democrática. A interlocução pressupõe a existência de sujeitos que se comunicam a partir de situações pertinentes a realidade social concreta sentida pelos sujeitos. No caso da realidade da escola pública, o que o nosso projeto de pesquisa buscará explicitar é se há ou não interlocução entre o sujeito instituição escola pública e os outros sujeitos, cidadão, instituições e organizações, que atuam em seu entorno.

A relevância deste problema está situada no papel social que a escola pública de ensino básico é chamada a responder diante da sociedade brasileira, ou seja, o de contribuir com o processo educativo da sociedade brasileira, a partir da educação escolar básica para as gerações que não tiveram oportunidades no seu devido tempo e para as novas gerações. Para nós o conceito de educação de uma sociedade é mais amplo do que o conceito de educação escolar, pois o acesso ao conhecimento das pessoas não se reduz só ao âmbito do ensinar e aprender escolar. Mas, nas sociedades modernas a complexidade de conhecimentos necessários para que uma pessoa se torne sujeito, faz com que o conhecimento escolar ganhe importância. Mas também, esse conhecimento escolar não tem valor em si mesmo, como um conhecimento pronto e acabado para ser transmitido. Ele só adquire importância para as pessoas e para a sociedade quando responde as suas necessidades de conhecimento.

Assim, a escola pública para cumprir a sua missão, no mundo atual, não pode se contentar em ser somente um espaço de transmissão de conhecimentos, o desafio é tornar-se um espaço de produção de conhecimentos, e para isso tem que necessariamente fazer a interlocução com os outros produtores de conhecimentos e de políticas públicas, para que possa contribuir de fato com o amplo processo educacional.

Enunciado de hipóteses

  1. A escola pública como instituição estatal e burocrática

As origens históricas da atual instituição escolar pública brasileira, data dos anos 30, e tem como bases o Estado autoritário e uma organização burocrática. Essas origens, ao longo do tempo foram reforçadas, e mesmos nos períodos de regimes democráticos, a estrutura do Estado permanece autoritária e a cultura de organização burocrática na instituição escola, dificultam a implementação de uma cultura democrática.

  1. Diversidades de interesses e de concepções em relação à escola pública

Se de um lado há um claro consenso na sociedade brasileira sobre a necessidade de se ter uma política pública de educação escolar básica de caráter universal, que possa ser acessado por todos, por outro lado há uma diversidade de interesses quanto à qualidade dessa educação. O consenso se expressou historicamente em várias ações para garantir vagas para todos nos sistemas escolares.

  1. Debilidades na construção de mecanismos de interlocuções da escola pública com a sociedade

Tanto por parte da instituição escolar, como por parte das organizações e instituições da sociedade não há uma prática sistemática de interlocução. De um lado, a estrutura burocrática estatal da instituição escolar, fundada num saber técnico competente sobre educação, fecha-se sobre si mesma e dificulta o acesso de participação da sociedade, por considerá-la incompetente do ponto de vista técnico para participar das decisões referentes às demandas da educação escolar. Por outro lado há um comportamento de passividade por parte da sociedade ao aceitar esse pressuposto, fato que legitima a prática burocrática da instituição escolar.

Grupo: Moisés Basílio Leal, Valdir Gomes da Silva, Wladimir Cardoso.

Entenda como funciona o bônus do PASUSP

Comentários Moisés Basílio: Boa noticia para quem luta, há anos, pela democratização do acesso ao ensino público no Brasil. Sem entrar no mérito da medida, o importante é constatar que mais gente da escola pública chegará em 2009 à USP. No ano que vem poderemos avaliar melhor os impactos da medida. Axé!

Fonte: Assessoria de Imprensa da USP - www.usp.br/inclusp

O Programa de Avaliação Seriada da USP (PASUSP) abre inscrições para alunos do terceiro ano do Ensino Médio Público Regular do estado de São Paulo que desejarem realizar prova cujo resultado será revertido em bônus adicional de até 3% na nota da primeira e da segunda fases do vestibular da FUVEST. A pré-inscrição gratuita será realizada entre os dias 11 e 22 de agosto, diretamente nas escolas onde os estudantes estão matriculados. A prova será aplicada pela FUVEST no dia 19 de outubro.

Neste primeiro ano, a prova será destinada aos estudantes do terceiro ano que também tenham cursado o primeiro e o segundo anos do Ensino Médio Regular em escolas públicas do Brasil. A participação dos alunos no Programa será voluntária. A partir de 2010 e 2011, o PASUSP será implantado progressivamente nas outras séries. Além da possibilidade de 3% de bônus adicional, pelo PASUSP, o estudante poderá conseguir até 12% de acréscimo em sua pontuação da primeira e segunda fases no vestibular:


Bônus no Vestibular
Bônus Universal – O aluno que realizou integralmente o ensino médio em escolas publicas públicas brasileiras recebe bônus de 3% sobre a nota do vestibular.

Bônus ENEM – Ao participar do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o estudante de escola pública brasileira pode ter um acréscimo de até 9% na nota do vestibular, dependendo do seu desempenho na prova.

Bônus PASUSP – Com o programa, o acréscimo na nota do vestibular pode chegar a 12%.

* Ensino Médio Público = 3%
* Ensino Médio Público + ENEM = até 9%
* Ensino Médio Público + ENEM + PASUSP = até 12%

O PASUSP é um programa desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Foi criado após uma avaliação amplamente favorável dos resultados iniciais do Programa de Inclusão Social da USP (INCLUSP) que, após os dois primeiros anos da implantação, atingiu o objetivo de aumentar o ingresso na USP de estudantes provenientes do Ensino Médio Público.

A principal finalidade do PASUSP é aproximar a Universidade das escolas públicas de Ensino Médio do Estado de São Paulo, contribuindo assim para ampliar progressivamente o percentual de ingressantes na USP que cursaram o Ensino Médio na rede pública de ensino, de modo a atingir a meta de 30% em 2009. O PASUSP visa ainda minimizar os efeitos da auto-exclusão e potencializar as chances de ingresso na USP de candidatos egressos do sistema público de ensino, mantido o critério de mérito acadêmico como requisito para o ingresso.

O Programa tem ainda o propósito de contribuir para a avaliação do desempenho acadêmico de estudantes do 3º ano do Ensino Médio Regular do Estado de São Paulo, por meio de prova elaborada pela USP com base nas expectativas de Aprendizagem apresentadas nos documentos das Propostas Curriculares para o Ensino Médio da Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo.

Etapas
• Pré-inscrição dos candidatos, na escola de origem do estudante: de 11 a 22 de agosto de 2008;
• Divulgação dos locais de exame, no site da FUVEST: início de outubro de 2008;
• Data do exame: 19 de outubro de 2008.

Cálculo do bônus e desenvolvimento do programa
Dependendo do desempenho do candidato na prova, sua nota no vestibular FUVEST 2009 poderá ser multiplicada por um fator que varia de 1,00 a 1,03, ou seja, o aluno pode receber bônus de até 3% sobre a pontuação da 1ª e da 2ª fases do vestibular. A equação abaixo mostra como o bônus vai ser calculado em função do desempenho do estudante na prova:

Bônus (%) = 3(NP – 12)/38, onde NP é o número de pontos na prova do Pasusp, 12 corresponde à probabilidade de acertos aleatórios e 38 resulta da subtração de 12 do total de 50 questões.

Assim, por exemplo, um aluno que acertar as 50 questões da prova terá NP = 50; 50 – 12 = 38 e, por sua vez, 38/38 = 1 que, multiplicado por três, representa o bônus máximo de 3%. Para acertos abaixo de 50 será adotada a mesma lógica e o bônus será proporcional ao resultado obtido. Um número de acertos igual ou abaixo de 12 não resultará em bonificação.

Para o recebimento da bonificação adicional qualificada pelo desempenho na prova, conforme explicitado na equação acima, as notas dos alunos no Pasusp poderão ser utilizadas no vestibular deste ano (FUVEST 2009) e também no vestibular do ano seguinte (FUVEST 2010).

Prova
A prova será aplicada pela FUVEST. Constará de 50 questões objetivas, de múltipla escolha. Será aplicada em escolas públicas localizadas em 5 regiões da Capital e em 44 cidades do Estado de São Paulo.

DIA DOS PAIS 2008

Comentário Moisés Basílio: Parodiando uma canção do Milton Nascimento, certos poemas que leio cabem bem dentro de mim. O poema Infância é de autoria do Carlos Drummond de Andrade. Ao ler, tomei a liberdade de adaptá-lo à minha realidade - os verso em itálico e negrico foram escritos por mim. É um lindo poema, que me fez lembrar meu querido Pai e minhas raízes ancestrais negra. Não o pai da minha idade adulta, mas meu Papai de criança. Axé!

INFÂNCIA

Meu Pai pegava o ônibus, ia para o centro da cidade.
Minha Mãe ficava sentada cosendo.
Minha irmã pequena dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha minha Avó
café gostoso
café bom.

Minha Mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu Pai trabalhava
nas ruas sem fim da cidade

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

quarta-feira, julho 23, 2008

JUVENTUDE: “RITOS DE PASSAGENS” CONTEMPORÊNEOS – O caso "eu controlo, paro de beber quando quiser"

Comentário Moisés Basílio: Minha experiência com o beber começou na juventude, quando militava no movimento sindical/operário metalúrgico, na região da Mooca, em Sampa. Beber virou um passaporte para transitar no mundo do operariado. No entorno das portas de fábricas, as barracas e os bares, era a fonte que nos entorpeciam de manhã, ao meio dia, à tarde e à noite.
Nesse tempo, bebia, mas não bebia muito. Meu "ultimo copo" era determinado pelo meu fazer político de militante.
Nesse tempo, não bebia em casa, pois minha mãe era precavida e tinha receio dos filhos se tornarem alcoólatras, tanto que não permitia guardar bebida em casa. Não que não se bebessem em casa, mas era aquela cervejinha do domingo e bastou. Nada de guardar uma garrafa de destilado para apreciar no cotidiano. No meu grupo de jovens, da Pastoral da Juventude, da Igreja Católica, beber não era bem visto. A regra era não beber.
E assim se fez minha passagem pela juventude, onde o álcool oscilou entre "o divino e o diabólico". Já adulto, confesso que bebi muito, pois a militância social e política nos anos 80 e 90 teve grande em Dionísio um dos seus grande deuses. Um reunião sempre terminava no bar. O problema sempre foi determinar o "ultimo copo". Convivi com pessoas que passaram por diferentes tipos de experiências com a bebida nesse tempo, experiências de vida e também experiências de morte. Sempre optei beber para exaltar as experiências de vida, como diz um amigo, beber a bebida e não ser bebido por ela. Axé!


Fonte: Internet - Portal Cronópios - www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=3406 20/7/2008 14:18:00

Álcool: divino/diabólico? -
Por Daniel Lins


Dentre os comentários sobre a obra de Deleuze, o tema que trata de sua relação com o álcool é raramente abordado. Talvez seja o caráter “não-filosófico” desta questão que levou o álcool em Deleuze a ser considerado como um simples detalhe biográfico. No entanto, tal questão ocupou tanto em sua vida quanto em sua reflexão um lugar não desprezível. Deve-se observar que não existe uma experiência unitária do álcool, mas experiências do álcool.

Diante da comoção social provocada pela implantação da Lei Seca no Brasil, emerge a parte mal-dita tornando o não dito em memória passiva, marcada pelo luto e loucura provocados pelos incidentes, pelo não retorno da juventude sacrificada. Lágrimas, orfandade, trauma social. Mas, o álcool dito diabólico não perde seu carisma, sua alma, sua cartografia criadora, sua origem mitológica, religiosa, divina?

Dioniso é o deus do vinho e da festa. O álcool participa ativamente das celebrações sociais e religiosas greco-romanas, africanas. Noé, diz a Bíblia, fez uso da bebida a ponto de se embriagar, "tendo à mostra as suas vergonhas".

O álcool é o amor e a perda do amor, o dinheiro e a perda do dinheiro, a vida e a perda da vida. Palavra líquida, o álcool é o rio das próprias ilusões. Nada, porém, mais forte para manter o homem vivo que a crença na estética líquida: ninguém sobrevive ao real sem uma dose de poesia. Há no álcool, afora o discurso moral, um erotismo errante, uma força da fragilidade, um corpo que se acorda e... dorme.

Gilles Deleuze:

- Bebi muito. Parei, bebi muito... Seria preciso perguntar a outras pessoas que beberam, perguntar aos alcoólatras. Zomba-se muito dos drogados, ou dos alcoólatras, porque eles sempre dizem: "Eu controlo, paro de beber quando quiser". Zombam deles, porque não se entende o que querem dizer. Quando se bebe, se quer chegar ao último copo. Beber é, literalmente, fazer tudo para chegar ao último copo. É isso que interessa.

Em outros termos, um alcoólatra é alguém que está sempre parando de beber, ou seja, está sempre no último copo. O que isto quer dizer? O primeiro copo repete o último, é o último que conta.

Insisto: o que quer dizer o último copo?

- Não é o primeiro, o segundo, o terceiro que o interessa, é muito mais, um alcoólatra é malandro, esperto. O último copo quer dizer o seguinte: ele avalia o que pode agüentar, sem desabar... Ele não suporta beber mais naquele dia. É o último que lhe permitirá recomeçar no dia seguinte, porque, se ele for até o último que excede seu poder, se ele vai além do último em seu poder para chegar ao último que excede seu poder, ele desmorona, e está acabado, vai para o hospital, ou tem de mudar hábito, de agenciamento.

- Quando ele diz: o último copo, não é o último, é o penúltimo, ele procura o penúltimo. Não o último, pois o último o poria fora de seu arranjo, e o penúltimo é o último antes do recomeço no dia seguinte. O alcoólatra é aquele que diz e não pára de dizer: vamos... é o que se ouve nos bares, é tão divertida a companhia de alcoólatras, a gente não se cansa de escutá-los, nos bares quem diz: é o último, e o último varia para cada um. E o último é o penúltimo. Não, ele não diz: amanhã eu paro; diz: paro hoje para recomeçar amanhã.

Como parar de beber?

- Tudo bem beber, se drogar, pode-se fazer tudo o que se quer, desde que isso não o impeça de trabalhar, criar, se for um excitante é normal oferecer algo de seu corpo em sacrifício.

Álcool e juventude:

- Que bebam, se droguem, o que quiserem, não somos policiais, nem pais, não sou eu quem deve impedi-los ou ... mas fazer tudo para que não virem trapos. No momento em que há risco, eu não suporto. Suporto bem alguém que se droga, mas alguém que se droga de tal modo que, não sei, de modo selvagem, de modo que digo para mim: pronto, ele vai se ferrar, não suporto. Não suporto um jovem que se ferra, não é suportável.

Um velho que se ferra, que se suicida, ele teve sua vida, mas um jovem que se ferra por besteira, por imprudência, porque bebeu demais... É verdade que o papel das pessoas é de tentar salvar os garotos, o quanto se pode. E salvá-los não significa fazer com que sigam o caminho certo, mas impedi-los de virar trapo (Gilles Deleuze: O Abecedário).


Daniel Lins é Sociólogo, filósofo e psicanalista, com doutorado em Sociologia - Université de Paris VII - Université Denis Diderot (1990) e pós-doutor pela Université de Paris VIII (2003). Atualmente é porfessor adjunto IV do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará, Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Ceará; Coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas da Subjetividade (LEPS/UFC) articulista da Empresa Jornalística O Povo S. A., Coordenador do GT Filosofia Contemporânea da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Filosofia (ANPOF), Coordenador do Simpósio Internacional de Filosofia – Nietzsche / Deleuze que se realiza anualmente e m Fortaleza-CE. É autor, entre outros, de Antonin Artaud: o Artesão do Corpo sem Órgãos [Relume Dumara 2001] Juízo e Verdade em Deleuze [Anablume 2001], Expressão: Espinosa em Deleuze – Deleuze em Espinosa [forense universitária 2007] E-mail: dlins2007@yahoo.com.br

segunda-feira, julho 14, 2008

JUVENTUDE: “RITOS DE PASSAGENS” CONTEMPORÊNEOS – O CASO RODOLFO

Comentários Moisés Basílio: Nas sociedades tradicionais os ritos de passagens faziam parte da vida coletiva da comunidade e eram de fundamental importância para a passagem do mundo da criança para o mundo do adulto. A nossa sociedade burguesa contemporânea aboliu os ritos de passagem coletivos e deixou para cada individuo a responsabilidade de fazer essa passagem. Entre nós, esse tempo de passagem recebeu os nomes de adolescência e juventude. A duração dele não é fixa e tende atualmente a aumentar. Sabemos que ele começa no pós-puberdade, mas não sabemos quando esse tempo termina.

Eu, que tenho filhos vivendo essa experiência da juventude, venho colecionando casos exemplares sobre o tema. O caso do Rodolfo, longe de considerações morais, é um caso interessante desse percurso juvenil. Pretendo periodicamente publicar e comentar, nesse espaço, outros casos exemplares. Axé.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 13;07/2007, Caderno Metropolis.

Revolução às avessas de Rodolfo, o ex-doidão

Meu sonho tinha virado pesadelo, diz ex-cantor dos Raimundos

Bruno Paes Manso

Já se disse, com uma certa dose de razão, que três sons estão por trás da felicidade dos homens: o tilintar das moedas, o gemido das mulheres e o alarido das palmas. Felizes seriam aqueles que descobrissem como ouvi-los com uma certa regularidade.

Em 2001, aos 29 anos, o vocalista e guitarrista Rodolfo Abrantes, líder dos Raimundos, já poderia, com tranqüilidade, ser considerado felizardo. Vivia em São Paulo, cheio de grana. Nas noites da cidade, era bajulado pelos fãs e chegava a perder peso e ficar com a pele acinzentada, tamanha a quantidade de baladas que freqüentava, regadas a maconha e ácido sempre de boa qualidade.

Sem falar nas groupies, meninas bonitas e recém-saídas da adolescência. Rodolfo só ia para casa desacompanhado se quisesse. "O palco exerce um certo fascínio sobre os outros. As pessoas gostavam do cara que viam lá em cima. E eu sempre fui de mergulhar de cabeça em tudo", conta.

Se mulheres e dinheiro já não bastassem, Rodolfo também tinha reconhecimento. Com 2,5 milhões de discos vendidos, já havia produzido um clássico da geração dos 1990, justamente o disco de estréia, Raimundos, que fazia uma releitura do som pesado e melódico da banda americana Ramones, com referências do forró.

Ele havia alcançado tudo o que sonhara desde os 13 anos, quando freqüentava o bar do Gilbertinho, em Brasília, cidade onde nasceu, para ver de perto os integrantes de bandas como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, que já haviam despontado no Brasil. "Nunca fui um moleque de soltar pipas. Tudo o que sempre quis na vida foi tocar guitarra e ter uma banda de rock", lembra.

Justamente no auge da fama e do dinheiro, uma coisa estranha aconteceu. Rodolfo conta ter percebido que, na verdade, havia chegado ao fundo do poço. O mau humor era permanente. A relação com a namorada, sintonizada na mesma vibe drogas-baladas, era destrutiva. "As pessoas confundem estar feliz com ser feliz. Drogas, sexo e balada dão a ilusão de momentos da felicidade, que duram pouco. Ser feliz é outra coisa", filosofa.

Numa espécie de revolução às avessas, Rodolfo preparava seu espírito para voltar a ter ordem na vida. "Eu havia virado escravo daquele personagem. Meu sonho tinha virado um pesadelo. Eu não agüentava mais aquela vida frenética e sem rumo. Foi quando Jesus Cristo entrou na minha vida."

A conversão veio acompanhada de uma situação que ele chama de mística. Estava magro, com ínguas pelo corpo. Mesmo sem diagnóstico médico, suspeitava estar com câncer. A mulher, convertida, chamou algumas senhoras para orarem por ele. "Não posso dizer qual era a doença. Só sei que estava mal e fiquei bem", diz.

Na última quinta-feira, sete anos depois da conversão, Rodolfo era mais um entre as 2 mil pessoas na Igreja Bola de Neve, na zona oeste. Discreto, de calça e jaqueta jeans, assistindo ao show de uma banda gospel chamada Livres para Adorar, com um vocalista coreano, no 15º Congresso de Batalha Espiritual. "A banda é sensacional", comentou, na manhã seguinte, em um boteco da Alameda Santos, enquanto comia um prato de laranja, mamão, banana, morango e fatias de peru.

Morando em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, lançou dois CDs evangélicos em carreira-solo: Santidade ao Senhor (2006) e Enquanto É Dia (2007), vendendo cerca de 20 mil cópias. Não é mais um rock star. Assumiu de vez o papel de missionário. Dedica-se integralmente a dar seus testemunhos por igrejas do Brasil e do mundo. As músicas são tocadas em louvores antes dos cultos. Esteve em Belém e Santarém, antes de vir a São Paulo. Nas próximas semanas, vai pregar nos Estados Unidos e no Japão.

Mesmo defendendo o amor eterno à mulher e à vida comedida, ele nega o rótulo de careta. As tatuagens, boa parte feita durante a vida louca, permanecem. Da fase nova, fez uma menorá (candelabro judaico) no pescoço. Os buracos na orelha, de 20 e 16 milímetros, feitos com alargadores, foram fechados com cirurgia plástica. Rodolfo não sente falta da fama. "Acredito no sucesso. Um padeiro ou um pedreiro podem ter sucesso se fazem seu trabalho bem feito. É o que eu busco. Não sinto falta do reconhecimento dos homens", fala. Digão, Canisso e Fred, ex-companheiros de Raimundos, mesmo depois das brigas da separação, deixaram Rodolfo emocionado ao comparecerem ao enterro do pai dele, no ano passado. "Ainda vamos dar muita risada do que rolou", diz.

segunda-feira, junho 30, 2008

HISTORIA DO NEGRO NO BRASIL

Comentários Moisés Basílio: Quem puder, corra depressa e faça a sua inscrição. Bela iniciativa. Axé!

VIII CURSO DE DIFUSAO CULTURAL CEA/USP:
ASPECTOS DA CULTURA E DA HISTÓRIA DO NEGRO NO BRASIL

(curso de difusão – 45h, com nota)

PERÍODO DO CURSO:
05.08 a 25.11.2008, exceto nos dias 09.09 e 28.10.2008.
3ª feira: das 19 às 22h

PÚBLICO-ALVO:
Professores de Ensino Fundamental e Médio das Redes Públicas e Particulares e Interessados em geral.

VAGAS: 100, com mínimo de 60 participantes.

SORTEIO PARA VAGAS GRATUITAS

INSCRIÇÃO: 10 e 11.07.2008, pela Internet
INSCRIÇÃO para categoria Outros: 10 e 11.07.2008 (ver obs. 2, 3 e 4)

RESULTADO: 14.07.2008

PÚBLICO ALVO PARA O SORTEIO: Comunidade USP, 3ª idade e Outros, que possuem o perfil do público alvo assim distribuído: 1 para docente, 1 para discente, 1 para funcionário, 3 para 3ª idade e 2 para Outros (ver obs. 2, 3 e 4).

OBSERVAÇÕES:
1. O sorteio não garante a vaga, devendo a pessoa contemplada (ou seu representante) comparecer no dia de matrícula;
2. Categoria Outros: a inscrição somente no CEA/USP, pessoalmente ou por procuração;
3. Documentos necessários para incrição: pedido fundamentado; curriculo atualizado completo com dados pessoais, etc.; cópia da última declaração de rendimentos; e, assinatura de termo de compromisso (caso seja contemplado);
4. CEA: Av. Prof. Luciano Gualberto, 315, sala 1087 - das 14 às 19h - 2ª à 6ª feira - tel. 3091-3744 - cea@usp.br).

MATRÍCULA

PERÍODO: 15 a 22.07.2008, enquanto houver vaga.

PARA EFETUAR A MATRÍCULA, DEVERÁ APRESENTAR:
- documento atualizado que comprove pertencer ao público-alvo (carteirinha USP/holerite);
- RG (com data de expedição) e CPF;
- endereço e telefone.

LOCAL DA MATRÍCULA: <<clique aqui>>

OBSERVAÇÃO:
1. Não efetuaremos matrículas fora do prazo estipulado;
2. As matrículas serão feitas por ordem de chegada.

VALOR DO CURSO

R$ 180,00 ou 2 x 90,00: Interessados em geral
R$ 162,00 ou 2 x 81,00: Graduandos e pós-graduandos da FFLCH

R$ 90,00 ou 2 x 45,00:

Profs. Ativos da Rede Pública, maiores de 60 anos, monitores bolsistas e estagiários da FFLCH
Gratuita: Docentes e Funcionários da FFLCH

OBSERVAÇÃO:
1. O pagamento será mediante boleto bancário impresso no ato da matrícula;
2. Não haverá devolução da taxa após o início do curso;
3. Os descontos serão concedidos mediante solicitação do interessado e comprovação da categoria a que pertence (apresentação da carteirinha USP ou holerite).

PROGRAMA E MINISTRANTES

1ª Aula – 05/08/2008 - Prof. Kabengele Munanga
1.Introdução
Apresentação do curso: objetivos, conteúdo do programa, bibliografia básica.
Origens geográficas dos africanos escravizados no Brasil.
Existe uma história do negro no Brasil? E por onde ela começa?

2ª Aula – 12/08/2008
- Profª Marina Pereira Almeida Mello
2. O negro no território brasileiro e o regime escravista: adaptação e resistência;
2.1. Resistências individuais;
2.2. Resistências coletivas: rebeliões nas senzalas, quilombos, Revolta dos Malês;
2.3. Atuação do negro na abolição.

3ª Aula – 19/08/2008 -
Profª Marina Pereira Almeida Mello
3. O negro após a abolição e novas formas de resistência:
3.1. A revolta da Chibata;
3.2. A Frente Negra Brasileira – imprensa negra em São Paulo;
3.3. O movimento negro contemporâneo.

4ª e 5ª Aulas – 26/08 e 02/09/2008 -
Profs. Juarez Tadeu de Paula Xavier e Antonia Ap. Quintão dos Santos Cezerilo
4. Culturas negras no Brasil:
4.1. Leis e repressões contra as culturas negras no Brasil – estratégias e formas de resistência:
4.1.1. Resistências religiosas: irmandades, candomblé, umbanda, etc.

6ª e 7ª Aulas – 16 e 23/09/2008 -
Profas. Lígia Ferreira e Maria Cecília Félix Calaça
4.1.2. Resistências artísticas: culinária, música, dança, artes visuais, literatura, arte do corpo (capoeira), arquitetura, etc.

8ª e 9ª Aulas – 30/09 e 07/10/2008
- Profs. Kabengele Munanga e Antonio Carlos Arruda da Silva
5. Negro e discriminação racial no Brasil:
5.1. Conceitos básicos: preconceito, raça, racismo e etnicidade no Brasil;
5.2. Características do racismo à brasileira;
5.3. Direitos Humanos e a questão racial.

10ª e 11ª Aulas – 14 e 21/10/2008 -
Profas. Luciene Cecília Barbosa e Eliana de Oliveira
5.4. Formas de exclusão do negro no Brasil:
5.4.1. O negro na mídia e no mercado de trabalho;
5.4.2. O negro na educação (ensino fundamental, médio e superior).

12ª e 13ª Aulas – 04 e 11/11/2008
- Profª Roseli de Oliveira
5.4.3. O negro na saúde: a legislação;
5.4.4. Questões específicas da saúde da população negra.

14ª Aula – 18/11/2008 -
Prof. Dr. Kabengele Munanga
6. Multiculturalismo e a Ação Afirmativa no Brasil:
6.1. Políticas de reconhecimento da Identidade Negra no Brasil, exemplos das Leis. 10.639/03 e 11.645/08
6.2. O Debate sobre as cotas raciais.

15ª Aula – 25/11/2008 -
Prof. Dr. Kabengele Munanga
Encerramento do Curso.
Avaliação (Por escrito).

OUTRAS INFORMAÇÕES

OBJETIVO: Capacitação dos professores das redes públicas e particular de ensino no aprendizado dos aspectos da cultura e da história do negro no Brasil; propiciando acesso ao material de apoio e didático para ser utilizado em sala de aula, embasados nos conhecimentos apreendidos em cada temática que certamente, serão de utilidade prática.

COORDENAÇÃO: Prof. Dr. Kabengele Munanga, da FFLCH/USP.

PROMOÇÃO: Centro de Estudos Africanos (CEA), da FFLCH/USP.

CERTIFICADO: Para fazer jus ao certificado de extensão o aluno precisa ter o mínimo de 85% de presença e nota mínima 5.

LOCAL DO CURSO: Prédio de Filosofia e Ciências Sociais, Av. Prof. Luciano Gualberto, 315. Sala a confirmar.

sexta-feira, junho 27, 2008

A CIDADE DE S. PAULO EM 1943!

Comentários Moisés Basilio: Recebi a dica que repasso aqui no blog. São imagens muito bonitas, em preto e branco, de uma São Paulo no início da década de quarenta, mas tudo em inglês. Dá até saudades de um tempo não vivido. E na mensagem do Cesar Maia abaixo, o espírito carioca espeta escancaradamente os paulistas, quando atribui o crescimento de São Paulo ao governo de Getúlio Vargas e não a JK, e ignora totalmente o espírito empreendedor a gente paulista. Haja rivalidades regionais! Axé!

Fonte: Ex-Blog do Cesar Maia 27/06/2008

Para colecionadores! O Interamerican Affairs -do governo dos EUA- já apresentava SP como cidade industrial e a que mais crescia. Documento importante para corrigir a idéia de que o crescimento -industrial em particular- se deve ao governo JK. Na verdade se deve ao período Vargas e -em especial- durante o Estado Novo.

Clique abaixo: são 14 minutos.
http://br.youtube.com/watch?v=InWifglIkQ0

terça-feira, junho 17, 2008

GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO

Comentário Moisés Basílio: Recebi de amigos essa mensagem que repasso à todos.

Estamos em GREVE. E agora?
(Uma conversa sobre o PORQUÊ, o PARA QUÊ e o COMO fazer GREVE)


O texto que se segue é testemunho fiel da conversa que tivemos ou da conversa que ainda devemos ter com nossos alunos após a greve recém deflagrada na rede pública estadual de São Paulo [Fernando Vidal Filho e Eduardo Garcia Amaral, professores].


– Professor, sexta-feira eu passei pela Praça da República e vi como estava cheia. Você também estava lá?


– Estava.


– E o que vocês decidiram?


– Decidimos que estamos em GREVE.


– Nossa! Mas por que uma decisão tão radical?


– Vamos começar pelo começo. Não sei se você já reparou, mas a escola pública não anda muito bem das pernas. O governo e os jornais dizem a torto e a direito que a culpa é dos professores. Incompetentes, faltosos, atrasados... estes entre outros adjetivos são usados para qualificar os professores e, por extensão, para culpá-los pelo péssimo desempenho dos alunos. Mas será que é tudo culpa dos professores?


– Se os alunos não aprendem direito deve ser por que os professores não ensinam direito, né?


– É exatamente nisso que querem que vocês acreditem. Mas pense bem: por que será que os professores não estão conseguindo ensinar direito? Você acha que é a mesma coisa dar aulas pra 35 e pra 50 alunos?


– Obviamente não.


– Pois os professores geralmente têm que lidar com salas super-lotadas, em que faltam até carteiras pra alguns alunos. Agora pense em mais outra coisa. Será a mesma coisa dar 20 aulas ou 30 numa semana? Ou 50?


– Novamente: não.


– Pois os professores muitos deles têm uma jornada de trabalho super-carregada, em mais de uma escola, durante os três períodos, nos cinco dias da semana. Isso porque o salário anda lá em baixo. A gente começa a achar que é normal que um professor tenha uma jornada diária de trabalho de mais de 8 horas. E faça as contas: para quantos alunos um professor dá aula? Quantos trabalhos e provas ele tem para corrigir?


– É de um batalhão de gente, né não?


– Pois é! Agora imagine que este professor, por mais dedicado que seja, não pode acompanhar a aprendizagem de seus alunos, um por um. Com o tanto de coisas para corrigir, fica tudo meio apressado. A parte mais fácil de tudo é corrigir as provas; o difícil mesmo é conseguir corrigir os alunos, fazer com que eles não errem mais naquele ponto. E uns ficam sem aprender quase nada mesmo.


– Azar desses alunos...


– Não. Azar do professor! Porque essa coisa dos alunos não aprenderem é bem frustrante, sabe? E veja bem: não é por causa do aluno ser ruim, ou do professor ser ruim. Mas é porque as condições de trabalho que enfrentamos é que são ruins, muito ruins, para garantir uma educação de qualidade.


– Ixi, não tinha pensado nisso...


– Então! Junte essa frustração com a sobrecarga de trabalho. Não temos aumento há mais de 3 anos e temos que colocar a comida na mesa. Para isso trabalhamos mais do que agüentamos, nos desgastamos e adoecemos com freqüência.


– Então é por isso que há tantas faltas de professores na escola pública?


– Provavelmente é uma das razões, aliás bem razoável, não? Imagine também que essa vida de correria muitas vezes impede que possamos preparar nossas aulas como gostaríamos, estudar coisas novas sobre nossas matérias. Mas mesmo assim estamos na batalha. Agora pense no seu material.


– Aquele jornal?


– Isso. Assim como ele chegou do nada para você, ele chegou do nada para mim, na véspera. E recebi também uma “Revista do Professor” em que se pretendia ensinar a mim como ensinar com aquele jornal, aula a aula. Depois do jornal, veio um outro “Caderno do Professor”, com várias sugestões de seqüências de aulas que podemos dar.


– E isso é ruim, professor?


– Se fossem só sugestões, vá lá! Tem uma história no ar de que vocês alunos seriam avaliados por aquilo que está lá no tal Caderno. Aí, já não é sugestão, é imposição; se eu não seguir a cartilha, vocês dançam.


– Entendi... puts!


– E tem outro lado isso aí. Eu já dou aula há algum tempo, sobre assuntos até semelhantes àqueles do jornal ou do Caderno... teria simplesmente que deixar de lado a minha experiência para seguir uma cartilha que é completamente estranha àquilo que aprendi durante esses anos todos? E tudo aquilo em que acredito, o que sei fazer, pela minha experiência, os caminhos que escolho para as aulas, as questões que privilegio, como eu concebo a educação e o ensino – tudo isto fica de lado? É o que a Secretaria da Educação nos mandou fazer. Ela desprezou nossa experiência, retirou uma conquista nossa: “a liberdade de cátedra”. É uma situação humilhante, você não acha?


– Eu ficaria bem bravo se fizessem isso comigo.


– E tudo isto tem sido apresentado como a revolução do ensino público paulista. Isso não parece uma grande farsa, quando as condições de trabalho permanecem inalteradas?


– Para dizer o mínimo.


– Se parássemos por aqui a situação já se mostraria revoltante, você não concorda? Mas isso não é tudo. Além de difamar os professores na imprensa, sucatear as escolas, super-explorar nosso trabalho e destruir nossa identidade profissional, o governo agora quer retirar nossos direitos, nossas conquistas históricas através de decretos que restringem nosso direito de faltar quando ficamos doentes e de nos removermos de unidade escolar quando precisamos mudar de bairro, cidade ou região.


– Como assim, professor?


– É que, ao invés de melhorar as condições de trabalho que adoecem os professores e os fazem faltar – o que é um problemão –, o governo decreta que podemos apenas faltar 6 vezes por ano por conta de doença.


– Ah, então quer dizer que se o professor ficar doente em mais de 6 dias por ano ele ganhará ainda menos?


– Isso mesmo.


– Se o cara estiver na pindaíba ele que venha dar aulas doente?


– Parece ser este o recado.


– E o outro decreto, o da tal remoção?


– Se fulano tirar qualquer tipo de licença ou tiver mais de 10 faltas, ele não pode pedir transferência para dar aula em outra escola. Se ele estiver entrando agora na carreira, só poderá se remover daqui a três anos, mesmo se na escola em que foi designado não tenha aulas o suficiente para ele completar sua jornada. Fica condenado a dar aulas em mais de uma escola, mesmo sendo efetivo.


– O sujeito tá lascado então, né?


– Calma, porque não é só isso. Pelo decreto, fica também definido que os concursos para ingresso na carreira serão por diretoria de ensino, e não mais para o Estado todo. Pode acontecer de um candidato obter uma pontuação em que, em uma região estaria classificado, e na outra não. Afora o receio de que o processo e sua impessoalidade fiquem comprometidas. Pior ainda é a situação dos professores que não são efetivos, os “OFAs”. Muitos deles que já dão aula no Estado há muito tempo. Agora, como se a experiência deles não valesse muita coisa, terão que prestar uma prova, uma seleção.


– Uma avaliação, né?


– É. Mas veja só, que coisa! Os OFAs já não têm garantias de que haja aulas para eles no ano seguinte. São temporários, com relações precárias de emprego. Então, se o sujeito não passa na prova, ou perde a prova por causa de qualquer motivo, ele não poderá assumir aula nenhuma enquanto valer o processo de seleção – um ano, dois? Ninguém sabe. Então, ele de repente pode ficar sem emprego. E, de novo: não é fazendo avaliação e mais avaliação que a educação vai mudar, se não se mexer nas condições de trabalho.


– Faz sentido...


– É uma medida que não tem impacto na educação, mas sim na precarização da vida dos professores. O Estado não quer assumir os vínculos e suas responsabilidades com estes professores. São descartáveis e muitos serão descartados.


– Nossa professor! Como dizia meu avô: “A situação tá cínica, os pior vai pras clínica”.


– Pois é. Antes de ir pras clínica resolvemos fazer uma GREVE pra tentar reverter esta situação.


–Agora me diga o seguinte: e amanhã, vai ter aula?


– Em primeiro lugar, greve não significa ficar parado. É um tipo curioso de paralisação, pois no fundo é uma grande movimentação. Quando se está paralisado, em estado de greve, é que se tem noção de como o cotidiano é que estava em estado de paralisia. Portanto, ao invés de falarmos de paralisação, deveríamos falar de suspensão das atividades cotidianas, uma maneira de colocar em discussão aquilo sobre o que quase não temos condições nem tempo de discutir.


–Poxa! Legal isso! Mas discutir o que, hein?


– Temos bastante coisa pra discutir, não? Entre nós professores, sabemos que o problema não está só no decreto, mas tem a ver também com nosso Plano de Carreira, com definição de uma jornada de trabalho que possa garantir de fato a permanência do professor em uma só escola, apontando para uma política de reajuste salarial. Mas temos também muito a discutir com os alunos. Por isso, pelo menos durante essa semana, poderíamos fazer algumas atividades de greve: reuniões, debates, conversas entre os professores, alunos e pais de alunos. Discutir o que todos queremos, que é uma educação de qualidade para todos.


–É isso aí!


– Ah... e sexta-feira, 20 de junho, às 14:00hs, temos nova Assembléia lá no vão do MASP. Vê se aparece. A gente continua o papo por lá também e tenta dar um jeito nessa situação.


– Até lá então!

quinta-feira, maio 22, 2008

MEMÓRIA E EDUCAÇÃO

COMENTÁRIOS MOISÉS BASÍLIO: Nas minhas navegações pela rede, encontrei esse sítio, da educadora Zilda Kessel, com informações interessantes para quem trabalha com memória e educação.

Fonte: Sítio Memória e Educação de Zilda Kessel, acessado em 22/05/2008 - www.memoriaeducacao.hpg.ig.com.br/index.htm

APRESENTAÇÃO

Aqui você encontra referências sobre Memória e Educação e informações sobre projetos de memória realizados por escolas e comunidades.

A idéia deste site nasceu durante a elaboração da dissertação "A construção da Memória na Escola". Reuni textos teóricos, sites, artigos e relatos abordando as diferentes possibilidades do trabalho com memória na escola.

Contribuições e comentários são muito bem-vindos.

Zilda Kessel

Projetos

Aqui você encontra uma seleção de projetos de memória realizados por escolas ou para escolas.

Projeto Memória Local
Parceria do Instituto Museu da Pessoa e do Instituto Avisa Lá, tem por objetivo a implantação de projetos de memória local em escolas públicas de Ensino Fundamental. Integra atividades de formação de professores para o trabalho com memória, leitura e escrita e contribui para a inclusão digital dos participantes que se tornam agentes de sua própria história. Realizado nas cidades de Ituiutaba, Uberaba, Rio de Janeiro e Santos. Foram produzidos sites e exposições.

Estação Memória
Espaço de informação e de cultura, implantado na Biblioteca Municipal Álvaro Guerra, em Pinheiros, SP. A Estação Memória promove atividades permanentes de resgate e construção da memória junto a grupos de idosos e estabelece um espaço de encontro e de diálogo inter-geracional destes idosos com alunos de escolas públicas. Parceria da ECA/USP com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, coordenada pelo Prof. Edmir Perrotti.

A Escola: Centro de Memória e Produção de Comunicação/Cultura
Projeto de memória do bairro do Jardim da Saúde, em São Paulo, realizado pelos alunos da Escola Estadual Raul Fonseca, entre 1997 e 1999. O projeto foi implantado por uma equipe da ECA/USP, liderada pelo Professor Luiz Roberto Alves. Foram recolhidas histórias de moradores, recuperadas e reconstruídas na escola tradições culturais e mapeados espaços importantes da história do bairro. Foram produzidos Cd e publicação.

Um processo coletivo de formação continuada pelos caminhos da memória local
Projeto de formação continuada de professores de ensino fundamental de Angra dos Reis tendo a história local da comunidade como elemento de construção da identidade das professoras. O trabalho pedagógico junto aos alunos propiciou o resgate da história da Banqueta e a articulação da comunidade em torno de sua história e de suas reivindicações. Liderado pela Profa. Sônia Nikitiuk

Contos históricos no processo de alfabetização em Diadema

Textos

Aqui você encontra textos que abordam questões relativas à Memória e à Educação.

Sobre ensino de história

A História ensinada nas propostas curriculares (Brasil últimas décadas no século XX)
RIBEIRO, Renilson Rosa

Analisa as idéias e tendências historiográficas em que se baseiam as propostas curriculares da área de História entre 1984 e 1995. O período foi marcado pela intensa discussão e pela implantação de novas linhas de ensino para a disciplina.
http://www.bibli.fae.unicamp.br/etd/editorialv3n2.pdf.

A CENP e a criação do currículo de História: a descontinuidade de um projeto educacional
MARTINS, Maria do Carmo

Recupera o processo de construção da proposta curricular de História para o Estado de São Paulo, entre os anos de 1986 e 1992, as idéias e os conflitos que marcados pelas discussões acadêmicas, as divergências políticas e ação da imprensa que as tornou públicas
http://www.bibli.fae.unicamp.br/etd/editorialv3n2.pdf.

Sobre memória e identidade

Memória e Identidade Social
POLLAK, Marc

Apresenta a importância da memória para a construção do conceito de identidade individual e coletiva. Tanto a Memória como a identidade são valores disputados em conflitos sociais e intergrupais
http://www.cpdoc.fgv.br/revista/asp/dsp_edicao.asp?cd_edi=24

Sobre educação e tecnologias

Mudar a forma de ensinar e de aprender com tecnologias
MORÁN, J. M.

Aborda as possibilidades proporcionadas pelas Novas Tecnologias de Comunicação e Informação para o trabalho pedagógico
http://www.eca.usp/prof/Moran


Bibliografia

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VIDIGAL, L. Os testemunhos orais na escola História oral e projectos pedagógicos. Lisboa: Edições Asa, 1996

ZALI, A. e BERTHIER, A. L'Aventure des écritures - Naissances, Paris: Bibliothèque Nationale de France, 1997.


terça-feira, maio 13, 2008

MANIFESTO EM DEFESA DA JUSTIÇA E CONSTITUCIONALIDADE DAS COTAS

Comentário Moisés Basílio: Sou a favor da política de cotas e já assinei pela internet o manifesto que divulgo nesse blog, e que tem como destinatário o Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal - Gilmar Mendes. Axé!

Para assinar o Manifesto entre em: www.manifestopelascotas.net

Para ler o manifesto entre em: Leia o Manifesto

Mensagem recebida do Quilombhoje em 13/05/2008 em apoio ao Manifesto

Há cento e vinte anos, africanos e seus descendentes, depois de trabalharem no Brasil por quase quatrocentos anos de graça, foram jogados na rua sem direito a qualquer tipo de indenização.
Imagine que você trabalha durante anos em algum lugar, e de repente te mandam embora sem pagar férias, décimo terceiro, fundo de garantia, nada... (No limite da comparação, a situação é a mesma.) Isso seria correto? Se vc acha que sim, provavelmente não vai querer assinar o manifesto abaixo.
Caso contrário, se você crê que as ações afirmativas e as cotas são o mínimo que o Estado brasileiro e as elites podem fazer para reparar um grave erro que se perpetua, acesse o link e assine carta.
Só lembrando: os que são contra as cotas fazem um grande barulho e a mídia repercute. Os que silenciam de certa forma compactuam com isso.

120 anos da abolição. O que comemorar?

Comentários Moisés Basílio: Em 13 de maio de 1888, na cidade do Rio de Janeiro, naquela época Capital do Brasil e sede da Corte, a pressão de um amplo Movimento Popular Abolicionista, as mudanças da estrutura econômica do país com o crescimento do trabalho assalariado nas lavouras de café, a pressão da comunidade internacional contra a escravidão, e depois de anos de discussões, finalmente o Congresso Nacional de então aprova o projeto de lei que põe fim ao regime de escravidão no Brasil. Com a ausência do Imperador D. Pedro II, que estava em viagem, coube a Princesa Isabel, representante legal do poder executivo nacional assinar e promulgar o que ficou conhecida com Lei Áurea.
Hoje, 120 anos depois, o que comemorar? A palavra comemorar entre outras acepções, significa trazer de volta à memória. Vejo então que é importante trazer de volta os limites da lei Áurea, de 120 anos atrás. Sem dúvida ela foi fundamental para estabelecer a Liberdade entre nós. Mas uma Liberdade limitada ao plano jurídico formal, que não proporcionou o estabelecimento da Igualdade, vista com oportunidades no plano econômico e social, e também deixou frouxo os preceitos da Solidariedade, visto a permanência das manifestações e praticas racistas em nosso país.
Reproduzo a seguir o texto do meu mestre Nei Lopes sobre sobre o sentido do 13 de maio neste ano de 2008, por concordar com sua abordagem. Para que quiser ler mais coisas interessantes sobre o significado desta data, segue sugestão de leitura abaixo. Axé!

TREZE DE MAIO, O RESGATE
Autor: Nei Lopes
Fonte: Blog Meu Lote - www.neilopes.blogger.com.br

Na comunidade humana não existem raças, todos sabemos. Mas o racismo existe, sabemos também. Como sabemos, ainda, que no Brasil ele nos atinge principalmente a nós, pretos e mulatos, ou seja, aos negros. Sabemos, mais, que, aqui, os negros são os mais pobres exatamente porque são negros. Essa condição ainda é conseqüência do histórico “13 de maio”, quando a escravidão foi abolida sem nenhum projeto de beneficio social para os emancipados. E, para reparar o erro, lutamos pela adoção das chamadas “ações afirmativas”, entre as quais as políticas de “cotas”.

Os opositores das ações afirmativas, hoje tão discutidas, costumam argumentar dizendo que elas são inconstitucionais por ferirem o princípio da igualdade expresso no art. 206 da Constituição Federal. E com relação à adoção de políticas de cotas nas universidades, outros argumentam com a autonomia das universidades, assegurada pela Constituição em seu art. 207.

Entretanto, é bom observar que, na elaboração de uma lei, um dos elementos principais a serem considerados é o aspecto social. As leis são feitas para organizar as condições de vida das pessoas dentro da sociedade e tornar possível a boa convivência. As prerrogativas legais concedidas às pessoas devem ser exercidas não apenas em proveito próprio mas também levando-se em conta os interesses sociais. Assim, o estudante bem formado tem todo o direito de ocupar sua vaga na melhor universidade, desde que essa ocupação não represente a exclusão de milhares de outros que não tiveram oportunidade de se formar bem. E o princípio de ação afirmativa contido na política de cotas para negros nas universidades, o que visa é corrigir uma desigualdade mais do que comprovada.

Apesar de nossa Constituição proclamar que os direitos devem ser iguais para todos os brasileiros, este ideal até agora não se concretizou para o povo negro como um todo. Então, tratar de maneira diferenciada um grupo que teve e tem menos oportunidades de acesso a saúde, educação, moradia, trabalho etc, embora pareça inconstitucional, é uma obrigação do Estado brasileiro, em atenção ao princípio de que toda Lei deve ter um alcance social, sendo feita e posta em prática para beneficio de toda a sociedade. Mesmo porque o que a lei condena é a discriminação e não a aceitação da diversidade.

Esse tratamento diferenciado não é um privilégio e, sim, uma tentativa de diminuir a enorme desigualdade social que exclui o povo negro, concedendo a este povo, finalmente, direitos que sempre lhe foram sonegados por conta das várias formas de racismo sob a quais sempre se escondeu a propalada “democracia racial” brasileira. Criar políticas de ação afirmativa em beneficio do povo negro, isto sim é que é “democracia racial”. Pois é criar oportunidades de acesso à completa cidadania, começando pela educação, levando em conta a diversidade étnica de toda a população.

Mas só instituir essas cotas não basta. Observemos que hoje, entre as melhores universidades públicas brasileiras, apenas a Universidade Federal de Goiânia tem em seu corpo docente mais de 1% de professores negros – para sermos mais exatos, tem 1,2%. A Universidade Estadual do Rio de Janeiro, UERJ, que aliás foi a primeira a instituir o sistema de cotas em seu vestibular, tem apenas 0,21% de negros entre seus 2.300 professores.

A erradicação do racismo no Brasil, então, pressupõe melhorar a educação em todos os níveis. E, além da educação, melhorar a saúde, as oportunidades de emprego, as condições de moradia, transporte etc.

Nesse quadro, o ingresso de alunos negros e futuros professores nas universidades (o simples fato de chegarem eles ao vestibular, apesar de todas as condições adversas, é seu grande mérito) através do sistema de cotas (naturalmente abolido quando seus objetivos forem totalmente atingidos) é o principal resgate da dívida que a sociedade brasileira contraiu com o povo negro há exatos 120 anos.


Revista de História da Biblioteca Nacional
Maio de 2008

Abolição em oito tempos
Oito especialistas refletem sobre as origens, o processo e os efeitos do fim da escravidão no Brasil

O texto é curto e direto: “Fica abolida a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”. Onze palavras que mudariam o nosso futuro. Com o fim do cativeiro, o país entraria em uma nova fase, próspera e igualitária. Festa, júbilo, comoção coletiva nas ruas.

Cento e vinte anos depois, a promessa sugerida naquele belo pedaço de papel soa envelhecida como o próprio. Em que ponto do caminho as coisas deram errado?

Provavelmente, antes mesmo daquele 13 de maio de 1888. Para voltar no tempo e tentar entender o modo como a Abolição foi concebida e se desdobrou, convidamos oito estudiosos a refletir sobre diferentes aspectos daquele momento histórico.

O resultado revela o “jeitinho brasileiro” de acabar com a escravidão. Do ponto de vista religioso, nos separamos do destino norte-americano. Na esfera política, a autoria do feito foi disputada por republicanos e monarquistas. A princesa Isabel virou santa, a reforma agrária foi engavetada e o papel dos próprios negros, ignorado. Para completar, um vôo até a África de hoje, onde a escravidão persiste.

A Abolição ganha contornos reais.

Textos que você encontrará nesta matéria especial:

O papel das religiões - José Murilo de Carvalho
Sensibilidade inglesa - Manolo Florentino
Cor que faz a diferença - Wlamyra R. de Albuquerque
Liberdade é terra - Maria Alice Rezende de Carvalho
Abolição como dádiva - Lilia Schwarcz
Monarquia redentora - Robert Daibert Jr.
Contra a corrente, a cultura negra floresce - Nei Lopes
A abolição que não veio - Alain Pascal Kaly

Leia os textos completos na edição do mês de maio, nas bancas

terça-feira, maio 06, 2008

LABORATÓRIO DE GEOMORFOLOGIA E EROSÃO DOS SOLO

Comentários Moisés Basílio: Olha aí a página do meu filho Pedro na Universidade Federal de Uberlândia. Axé!


PEDRO CARIGNATO BASÍLIO
LEAL

Biografia:

Atualmente é estagiário do Laboratório de Geomorfologia e Erosão dos Solos - Instituto de Geografia- Universidade Federal de Uberlândia.

Projeto de Pesquisa

Título: AVALIAÇÃO DE PROCESSOS EROSIVOS E DE ÁREAS DEGRADADAS NO DOMÍNIO DO CERRADO. ESTUDO DE CASO NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA.

Pesquisador Principal: Pedro Carignato Basílio Leal (Graduando)

Pesquisadores Participantes: Alcione Hermínia da Silva, José Fernando Pinese Júnior, Iron Ferreira de Andrade.

Orientador: Prof. Dr. Sílvio Carlos Rodrigues

Órgão Financiador: FAPEMIG

Resumo: O presente projeto trata da avaliação de processos erosivos e de áreas degradadas no domínio do Cerrado. Para tanto é necessário compreender sua dinâmica de evolução e dentro dessa dinâmica os fatores geomorfológicos, climáticos, geológicos, pedológicos e antrópicos.
Visando gerar como produtos a cartografia da erosão ao longo do espaço e do tempo e também taxas de evolução da erosão, seguimos com os seguintes objetivos específicos:

• Montagem de metodologia para avaliar a evolução de processo erosivo do tipo voçoroca utilizando-se de GPS de precisão durante um período de dois anos, mensurando o avanço dos dígitos e paredes laterais do mesmo a intervalos fixos de tempo;

• Levantamento topográfico da voçoroca dentro da Fazenda Experimental do Glória;

• Monitoramento da evolução das bordas de voçoroca, utilizando-se do método estaqueamento, buscando detectar os pontos de maior avanço da erosão através de mensurações periódicas;

• Elaboração de mapas de uso do solo e de cobertura vegetal natural, utilizando-se imagens de satélite e fotografias aéreas;

• Comparar diferentes softwares utilizáveis para a elaboração de uma cartografia digital, com ênfase no mapeamento de processos erosivos.

Currículo Lattes